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quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Homenagem Lida na Missa de 70 anos de Casamento da Vó Josa com o Vô Valdemar.


 Bodas de Vinho, Valdemar e Josina.

Uma coisa é como a história foi ou é, a outra é como cada um de nós a percebe. Aqui estamos falando de uma longa história de 96 anos como filho, homem, pai, avô e bisavô; de uma longa história de 86 anos (quase 87) como filha, mulher, mãe, avó e bisavó; de uma longa história de 70 anos de casamento. Não é todo dia que um casal completa bodas de vinho.

Nessa história posso falar como neto, como homem, como ser político, como amor. Não posso ser certeiro, mas posso falar como vi, ou imagino ter visto, e como ouvi, ou imagino ter escutado.

Levando em conta a ancestralidade, os quase 10 anos a mais de vida, vou começar em 17 de fevereiro de 1922, quando nascia Valdemar Holanda Freitas, que como disse para uma de suas filhas, a vida o desviou de ser um Camões. Pois ele nascia em meio a semana de arte moderna, momento de ruptura e reconstrução da cultura do nosso povo, do nosso tão diverso Brasil. Nasceu em meio as apresentações de Villa-Lobos e casou no mesmo ano que o maestro casou pela segunda vez, em 1948. Um homem que vejo como do campo, trabalhador rural, que gosta da vida, viola, aboio e repente.

Em 05 de novembro de 1931, no dia nacional da língua portuguesa, nascia Josina Moraes Freitas, que por ironia do destino, desafiando os preconceitos da época, mostrou que aprender a ler e escrever também era para mulher, mesmo que com uma vareta na areia, no pó, de onde viemos e para onde vamos, segundo outros versículos de uma das leituras feitas hoje. Conheci um pouco mais de vó Josa vendo com ela o anime “Vida Maria”, que conta a história de muitas Marias do nosso sertão, do nosso semiárido, sendo nossa vó uma dessas guerreiras. Uma mulher que vejo como da cidade, trabalhadora da casa e empreendedora, uma artesã que gosta da vida, da arte e da piada.

Casaram no religioso no Dia de Todos os Santos e no civil em uma Quarta-feira de Cinzas. O que isso significa? Para alguns, nada; mas eu li como uma vida de resistência, reflexão e ressignificação daquele 01 de novembro de 1948, até os dias de hoje.

Uma pausa para dizer que lembro de muitas piadas e cantorias na calçada. Da época que ainda existiam veados em nossa caatinga. Perdi as contas de quantos “dezintrose menino” ouvimos quando estávamos amontoados no meio da casa. Esses dias, cada um e cada uma já lembrou e ainda vai lembrar e refletir muito sobre nossa história.

15 filhos e filhas, a jovem a mais tempo nascida em 1949 e os jovens a menos tempo em 1969. Depois, segundo o último censo do IBGE, 27 netos e netas e 17 bisnetos e bisnetas, sendo a primeira nascida no mesmo 05 de novembro que a vó Josa, segunda-feira ainda temos festa, de 87 anos da vó e 17 anos da Luar.

Voltando… A partilha enchia a casa naquele 01 de novembro. Dali em diante, trabalho coletivo, nem de um, nem da outra, trabalho do casal, nenhum menos ou mais importante que o outro, construção coletiva, pesos diferentes, pesos divididos, mas pesos que recaiam primeiro sobre dois, depois sobre outros que chegavam e sentiam o peso dessa caminhada coletiva.

Sejam 96 ou 86 anos, ou mesmo 70 anos conjuntos, viveram e viram o que muitos de nós, em especial os mais novos, dentre os quais estou incluso, já que estamos falando de 5 décadas a menos que o vô, conhecemos apenas em livros, blogs, card de zap, ou de ouvir falar.

Em termos de sociedade viram a fome de muitos. O trabalho infantil em sua face mais dura. A naturalização de uma pisa como formação. A ditadura que protegia coronéis e comerciantes que vendiam nossa merenda escolar. As maiores secas da história, em tempo e impacto social. Mortes por doenças, hoje, as mais ridículas. Analfabetismo aos montes, escolas poucas e para poucos. Frentes de trabalho sem equipamentos de segurança ou direitos trabalhistas. Viram a naturalização da violência contra a mulher, os negros e os LGBT´s.

Viram direitos surgirem, entre eles a aposentadoria rural e por idade, que hoje ambos recebem. O surgimento de órgão de controle que antes eram inimagináveis na ditadura. Os antigos coronéis sumindo e a política se transformando. Viram escolas abertas para todos e todas, não estou aqui falando de qualidade, mas de pessoas sabendo ler, fazer conta e escrever, uma libertação que muitos não tiveram no passado e alguns não possuem no hoje. Viram a negritude ocupar espaço institucional e entre os nossos. A diversidade sair do armário, ser mais protegida e surgir entre os nossos. Viram a poliomielite, que alcançou nossa família, chegar a zero. Os hospitais públicos serem abertos aos montes e salvando alguns de nós. Grandes açudes serem construídos. Pessoas que não mais se submeteram a diárias que sequer pagavam a alimentação diária de suas famílias.
Quando vamos ficando mais velhos, as lembranças vão ficando mais nítidas ou a história nos é contada de forma mais objetiva. Nada disso que resgato é distante de nossas famílias. Entre filhos, netos e bisnetos, somos mais de 50. Minha filha já levou alguns bons carões, mas nunca dei um tapa, ajuda em casa, cursa o 2º ano, faz inglês há alguns anos, respeita os mais velhos, sabe que a vida e o cuidado das pessoas é para além da nossa família, é para toda sociedade. A pisa e a formação que levou o vô e vó, não é igual a que levou os filhos mais velhos, nem aos filhos mais novos, nem é igual a formação dos netos, netas, bisnetos e bisnetas. A estrutura social se transforma, se complexifica, nossos avós são parte da história, se transformaram com ela.

O Deus que conheci com meus avós é para além de um indivíduo, para além de uma única família, é para o desconhecido que almoçava em nossa mesa, a conta na caderneta que sabiam que jamais seria paga, o aluguel atrasado sem tensionar o despejo, a terra doada com vista privilegiada para Mombaça.

Uma história de acolhida, de filhos que vão e voltam, que ajudam e são ajudados, que se distanciam e se chegam, que erram e compreendem os erros de seu pai e sua mãe. Uma história de acolhida das primeiras tatuagens até as primeiras homoafetividades. Uma história onde a mãe de minha filha foi e é tão bem acolhida, como é minha atual esposa, com quem espero completar nossas bodas de vinho.

Aqui, ninguém conhece todas as histórias, nem todas as boas, nem todas as más histórias. Há alguns anos comecei a fazer muitas perguntas, derramei muitas lágrimas e dei muitos sorrisos. Muitas histórias não saberei, são únicas, de cada um de vocês; outras quem sabe eu conte no futuro; quem sabe vocês nos conte no futuro; outras eu não contarei, são segredos que ouvi e só conto com permissão; todos e todas aqui temos nossos segredos.

Que arrodeio duro e chato em dia de festa, alguns devem pensar agora; mas quem assim pensa, deve tá remoendo sua lembrança, doido para que ela volte para o arquivo, para quem tá do lado não abra sua boca, ou para quem tá do lado conte sua história. Mas digo tudo isso com amor, foi o que aprendi com meus avós, com minha mãe, com meus tios e tias, com meus primos e primas, com minha esposa, com minha filha e todos e todas que hoje estão em nossa família.

Afinal de contas, como em outra leitura: “sobre tudo, amai-vos uns aos outros” e acrescento, perdoai quando preciso, mas também quando possível, pois perdão não é faz de conta, assim como o amor não é da boca para fora. Perdoar e amar é um exercício cotidiano.

Amo minha vó Josa, amo meu vó Valdemar, os amo com os erros e os acertos de uma longa história; os amo compreendendo os diferentes momentos históricos que viveram; os amo e amo cada um e cada uma de vocês como vocês são, o que não significa seguirmos em nossos erros, mas buscar a capacidade de ressignificação que a história de nossos avós permite.

Amemos e respeitemos uns aos outros, umas as outras, uns as outras, como eles e elas são, não como queremos que sejam. Que a evolução prevaleça e o que foi ruim não volte, nem entre nós, nem entre os outros.

Vó, te amamos, Vô, te amamos. Feliz bodas de vinho!!!!!


Mombaça-CE, 01 de novembro de 2018.

Tárcio Holanda Teixeira
Neto, Filho, Sobrinho, Irmão, Primo, Pai, Marido.
Cidadão verde, amarelo e vermelho pau Brasil.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Governar ou Seguir Sendo Bolsonaro? Domingo Foi o Dia da Virada, Agora é Defender Direitos e a Democracia.

“Não há derrota definitiva,
nem triunfo definitivo” (Mujica)

O momento que vivemos demanda reflexão e diálogo, dentro e (principalmente) fora das bolhas que vivemos. Demanda pensar o ontem, o hoje e o amanhã. Demanda saber nossos riscos e potencialidades. Demanda não fechar nossas posições como certas e definitivas. Demanda “baixar o muro” e ouvir o outro. Demanda debater e construir o novo que queremos.

Enquanto alguns chegaram para zombar e/ou "passar na cara" a vitória, eu optei por não aceitar provocação e antecipar algumas linhas, cinco laudas na verdade, sobre o que entendo como tarefas iniciais, coletivas e imediatas; sobre algumas incertezas e/ou condicionantes para um futuro próximo. Pois lá na frente, quando alguns elementos começarem a se concretizar, não chegarei com um simplório "eu disse", ao contrário, direi que é hora de respeito e trabalho coletivo.

Sintetizei aqui sobre a Virada Programática em disputa mais intensa desde 2016; a nova Câmara dos Deputados e o peso do Campo Popular na institucionalidade e nas ruas; sobre qual Bolsonaro teremos, se o do 1º turno, o do 2º turno ou o presidente das declarações do dia da vitória, pois entendo que daí sairá as principais consequências desses depois, de qual Brasil teremos e queremos; e reflito nas últimas linhas sobre segurança e resistência, pois nossa defesa é nosso grito, jamais nosso silêncio.


Sim, Virada, Virada Programática! Explicarei.

A postura programática iniciada no desgoverno Temer, com algumas medidas aprovadas com o voto de Bolsonaro e outros Deputados Federais, a exemplo da Reforma Trabalhista e da Emenda Constitucional 95, não teve sequência devido a reação popular (e aproximação das eleições) que conseguiu impedir a aprovação da Reformada Previdência e outros medidas que viriam na sequência. Agora o Programa de Governo eleito nas urnas acelera o Programa que Temer tentou impor e não conseguiu. Quem votou para derrotar o PT, ganhou a derrota do PT e, de brinde, o Programa de Governo registrado no TRE.

O próprio Temer já deu sinal verde para Bolsonaro, este dizendo sim, o primeiro vai por em pauta no Congresso Nacional, ainda nessa legislatura, a Reforma da Previdência, sim a que conhecemos.

O Programa de Temer, que não tinha voto e legitimidade, agora vai tentar ser imposto pelo Presidente Eleito, já que se trata de um Programa inscrito na Justiça Eleitoral e vitorioso nas urnas (Não vou entrar em debate de Caixa 02 ou Fake News).

A Proposta de Brasil em disputa intensificada em 2016, que teve uma vitória parcial com Temer, sai fortalecida nas urnas agora em 2018 (por mais que muitas/os não tenham lido esse Programa). A prometida Redução do Estado vai recair diretamente sobre aposentadorias, patrimônio público (Correios, Petrobrás, Banco do Brasil, Amazônia, Eletrobras e outro), direitos sociais, servidor/a e serviço público.

A questão é, nem sempre quem ganha leva! Vivemos uma democracia (ao menos por enquanto) com Presidente e Congresso Nacional. Boa parte do que consta no Programa de Bolsonaro depende de Emenda Constitucional, que precisa do voto de 308 Deputados Federais dos 513 que tomarão posse em 2019 e de amplo apoio popular.


A “Nova” Câmara dos/as Deputados/as

O Povo Mostrou que quer renovação. Mais da metade dos/as Deputados/as perderam seus mandatos. O PSDB e o PMDB, agentes diretos do golpe de 2016 e da aprovação das medidas de Temer, tiveram a uma derrota da história, o primeiro perdeu 25 Deputados, o segundo 32. O PT, com toda luta midiática pelo antipetismo, segue sendo a maior bancada com 56 Deputados; o PSOL dobrou a bancada eleita, agora tem 10 Federais; o PDT com 28 (9 a mais); PSB com 32; PCdoB com 09; e PPL com 01; isso sem contar outros partidos e suas divisões (foram eleitos Deputados de 30 partidos); e a forma como o Parlamento irá olhar a nova disposição do povo em renovar o Congresso.

Tendo a acreditar que será mais difícil para Bolsonaro aprovar Emenda Constitucional do que foi para Temer. Isso é bom para Democracia e para os direitos ainda garantidos na Constituição de 1988.

O PSL, partido de Bolsonaro, apesar de ser (a preço de hoje) a segunda bancada na Câmara dos Deputados, com 52 Deputados Federais (entre eles Alexandre Frota, o Príncipe Luiz Philippe O. Bragança e mais de dezena entre militares e delegados), teve essa bancada eleita com uma unidade programática que não vai além da pauta conservadora de ultradireita conservadora nos costumes. Esta pauta (em sua maioria) para ser aprovada precisará de Emenda Constitucional ou de longo debate sobre as cláusulas pétreas (Aborto Legal, Redução da Maioridade Penal, Função Social da Propriedade, Pena de Morte). Tendo a acreditar que a fragilidade dessa bancada não irá ajudar tanto na condução do novo governo, mas é dela, e da postura que venha a ter o Bolsonaro, que nossa Democracia pode ser posta em risco.


Qual Bolsonaro Teremos?

Arriscado avançar em um tema como esse poucos dias após as eleições, mais arriscado ainda quando não fazemos uma boa revisão bibliográfica, mas vou seguir. No discurso pós-vitória, para quem acompanhou as declarações de antes e durante o processo eleitoral, o Bolsonaro foi cuidadoso no trato d@s opositores/as e das liberdades individuais, imagino que isso tenha relação com a expectativa de governabilidade.

Nossa legislação não mudou e não é simples por em prática as declarações de ódio e antidemocráticas feitas pelo Presidente eleito no 1º e no 2º Turno. As declarações pós-vitória, se mantendo, aliviará as tensões existentes no país no que diz respeito as liberdades individuais e democráticas. Aqui temos apenas incertezas, tudo depende da postura do Bolsonaro na disputa por implementar seu Programa de Governo, de forma propositiva e disputa institucional ou com declarações de ódio transmitidas para as ruas.

Vimos diversos casos de violência, segundo os próprios agressores, instigados pelas declarações de Bolsonaro. Para seguir a violência e perseguição a opositores não precisa de mudança de legislação, a postura de uma liderança pode incendiar o país e ainda tentar tirar o corpo fora ao dizer que não pode ser responsabilizado pelos atos dos outros (como disse Bolsonaro em outras oportunidades). Mas agora, no cargo que ocupará, em meio a tantas diferenças no Congresso, as pendências do processo eleitoral, e ao Vice que tem Bolsonaro, ele precisará ter mais cuidado para garantir a tão falada governabilidade.

Em outras palavras, não temos ideia até onde vai o Bolsonaro ao perceber que suas propostas contra o povo não serão aprovadas com facilidade. E não será “apenas” pelo peso da nova Câmara dos Deputados ou pela divisão que seguem em nosso país (Haddad teve mais de 47 milhões de votos; PT, PSB, PDT e PCdoB somam 09 governadores/as; 100% dos estados do Nordeste disseram não ao Projeto Bolsonaro - sendo todas as cidades do Ceará, Piauí e Sergipe). Soma-se a tudo isso o fato de  mais de 42 milhões de pessoas que não foram votar, votaram branco e votaram nulo, estes, ao lado dos votos no Haddad, totalizaram mais de 90 milhões de brasileiros/as que disseram não ao Programa defendido por Bolsonaro.

Lembremos ainda que o debate sobre o desmascaramento de alguns Fake News teve impacto social, reduzindo certos compartilhamentos, foi educativo e não terá mais o mesmo impacto na sociedade (não estou dizendo que deixarão de existir). Essa questão não é menor, pois eles (os Fake News) tiveram impacto no resultado eleitoral, mas não darão base de sustentação para nenhum governo.

Vou além, o que vai defender nossa democracia e nossos direitos é o que foi feito no segundo turno, as milhões de pessoas que foram para as ruas em todo Brasil. Uma mobilização bem superior ao que foi feito por Bolsonaro na campanha e na comemoração da vitória, aqui não falo em votos (claro), mas das ruas como espaço democrático da luta por direitos.

Nós, povo, fizemos bonito, não foi o PT, não foi o PSOL, não foi um partido, mas a unidade dos/as lutadores/as sociais, a unidade do povo, de muitos que há tempos não ia para atos, de muitos que nunca foram para atos. A unidade coletiva por direitos é, também, a luta contra o fascismo.


Ódio ou Democracia, que Brasil Queremos/Teremos?

Na quinta-feira (25 de outubro) ouvi a seguinte frase: “Segunda eles vão ver o que é bom!”. Isso pode significar muita coisa, inclusive os casos de violência contra mulheres e LGBTs que ocorreram no pós-resultado, um desses casos aqui na Paraíba na noite de 29 de outubro de 2018. Contudo, longe do quadro que alguns esperavam para os primeiros dias pós-eleição. Cuidado, atenção e organização coletiva é o que precisamos no momento. O medo deve ser sinal de alerta, não de paralisia.

Lembremos que segunda-feira chegou e nossa legislação é a mesma, quem espanca é agressor e deverá ser preso, da mesma forma quem estupra e mata, seja civil, seja militar. Claro, o estrago Bolsonaro já fez com suas declarações encorajando o ódio e o preconceito guardado no peito de muitos, vai demorar a reestabelecer uma “normalidade” (que, como sabemos, já era impactante).

Os homens brancos, héteros e vermelhos, em especial os que andam em grupos de amigos, ainda não sentiram na pela a violência em curso, a covardia desses agressores é seletiva, é baseada especialmente no machismo, na LGBTfobia e no racismo. Os agressores são covardes, medrosos de encarar o um a um.

As declarações de Bolsonaro na vitória podem frear esse processo, ele falou da democracia, das liberdades individuais e do respeito a constituição, apresentando a intenção de construir algumas Emendas Constitucionais.

Em outras palavras, respeitar a legislação de hoje e, consequentemente, a punição de agressores e corruptos (a exemplo de Temer que em breve, pela lei, poderá ser preso) de hoje e do amanhã, é central para democracia. Ninguém tem carta branca para agredir diferenças de gênero, orientação sexual, raça ou ideológica.

Tentar mudar a legislação, desde que respeite as cláusulas pétreas, é democrático, desde que respeitando também a vontade popular, a participação popular e o parlamento.

Penso que só assim, respeitando a legislação e não instigando o ódio, será possível um governo de Bolsonaro; do contrário, serão anos de instabilidade e caos em nosso Brasil, que não é governado pelo PT desde abril de 2016.


Fortalecer nossa Resistência é Garantir nossa Segurança

Lembremos que só ampliamos no segundo turno quando mostramos nossa cara, quando colamos nossos adesivos, quando vestimos nossas camisas, quando ocupamos as ruas, quando fomos para os bairros bater porta a porta.

Verdade que os crimes de ódio contra negros, LGBTs e mulheres, não foram inventados por Bolsonaro; mas também é verdade que as declarações anteriores a vitória ajudaram a encorajar alguns covardes que agem na escuridão ou na vantagem numérica.

Nas reuniões do PSOL, desde o primeiro turno, eu tenho dito: o ódio e o preconceito que fiquem no armário. Vamos mostrar nossa posição política. Vamos agir sobre a lei que temos. Vamos andar em grupo. Vamos denunciar toda e qualquer agressão. Vamos usar da legítima defesa quando for possível. Vamos correr e denunciar quando for necessário. Vamos sempre contactar advogados/as populares para evitar ambientes hostis e garantir o devido processo legal. Vamos mapear locais de agressão e registrar as caraterísticas dos agressores para que sejam punidos.

Nossa defesa é nossa organização coletiva em partidos, movimentos, grupos antifascistas, grupos de amigos/as. Nossa defesa é nosso grito, jamais o silêncio.


Voltando ao Início, Lutar Por Direitos é Lutar Contra o Fascismo!

Caso Bolsonaro queira governar, ele terá que respeitar a lei e as diferenças, do contrário as feridas do processo eleitoral, os mais de 80 milhões que não votaram em Bolsonaro, os 30 partidos representados no Congresso Nacional e a força das ruas, buscarão restabelecer a Ordem e o Progresso, afinal de contas, foi a bandeira que ganhou as eleições. Agora é a disputa sobre qual Ordem e qual Progresso, se para o mercado ou para as cidades, se para o poder econômico ou para o povo.

Existe grande possibilidade de que Bolsonaro não tenha força para impor o Programa Eleito, para isso ele precisará recuar na postura autoritária e debater institucionalmente. Diante disso existe grande possibilidade de Temer, com o apoio de Bolsonaro, antecipar a aprovação da deReforma da Previdência. Será a primeira tarefa da resistência democrática, defender nossa aposentadoria, agora com a força da mobilização que demostramos no segundo turno.

No segundo turno ficou claro que as mobilizações não foram e não são de um partido, mas de uma ideia coletiva de democracia e justiça social que faz intercessões as mais diversas com indivíduos, movimentos, partidos, povos tradicionais e originários. É hora de baixar muro, evitar hegemonismos e construir sínteses.

Não é da boca para fora, não são nossas palavras de ordem, não são nossas crenças, a questão é objetiva, Lutar por Direitos é Lutar Contra o Fascismo. A história não acabou, a luta não acabou, não ganhamos, mas não perdemos!


João Pessoa, 30 de outubro de 2018.


Tárcio Teixeira
Presidente do PSOL/PB
Militante Verde, Amarelo e Vermelho do Pau Brasil

sábado, 20 de outubro de 2018

Sim, Tenho Chorado, Quem Amo Apoia a Tortura e a Morte!


O que mais aprendi com minha família e amigos foi a amar, aprendi no exercício prático e com palavras. Hoje vejo quem amo apoiando a tortura e a morte. Sim, faz isso ao defender quem defende a tortura e morte de quem pensa ou vive diferente, ao defender quem tem Ustra - torturador que espancava, torturava e colocava ratos nas vaginas de mulheres e crianças - como ídolo, acaba dando um cheque em branco para que essa seja prática cotidiana.

Ainda no primeiro turno um homem, de dentro do seu carrão, lá no sinal do Shopping Lagoa, virou para mim fazendo “dedinho de arma” e dizendo “você já era”. No segundo turno já são três assassinatos (Salvador, São Paulo e Sergipe) praticados por apoiadores de Bolsonaro e “anunciando” Bolsonaro na hora do crime. Ele mandou? não, mas suas declarações instigam o ódio e diz da sua prática caso ganhasse as eleições para Presidente.

Podem dizer tudo dessas eleições em tempo de Fake News, menos negar as declarações de Bolsonaro defendendo a tortura e a morte. Quem vota nele, ao menos os que possuem total acesso a informação, sabe dessa postura e defesa.

Não vou falar de propostas. Não vou falar de corrupção. Não vou fazer denúncias. Aqui vou apenas falar que não querer esse ódio (tortura e morte) na presidência já é motivo mais que pleno para que as pessoas não votem em Bolsonaro. Isso seria afunda o Brasil, em muitas vezes mais, na violência e no ódio. O que ocorre no processo eleitoral é apenas o começo.

Se seu Deus defende tortura e morte de quem pensa diferente de você, vá para o inferno com ele, não adianta um novo pedido de perdão, o perdão de um pecado anunciado, pois não é possível ter apenas um pedacinho de Bolsonaro[1]. Seu coração (ou sua cabeça) pode até tentar enganar você, ou você tentar enganar as pessoas perto de você, mas votar no Bolsonaro é também votar na Tortura e na Morte.

Estou em campanha pelo Brasil e pela vida de muit@s, mas também por minha vida.

Sou Tárcio Teixeira. Sou Militante Socialista. Sou Nordestino. Amo as Diferenças. Não Sou Rico. Sou uma Potencial Vítima dos Antigos e dos Novos Ustra.

Amo a Vida e a Democracia, lutarei por elas, nas ruas e nas urnas, não pretendo ir para clandestinidade, mas se preciso, lutarei por lá também.

João Pessoa, 20 de Outubro de 2018.

[1] O boi e a vaca, com raiva do leiteiro, preferiram o açougueiro. (Vi charge sobre essa assunto hoje)

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Sobre a Paraíba, as Eleições e o Segundo Turno. Sou 50, mas vou de 13 Contra o Ódio e por Direitos.

#EleNão. Dito isto, quero agradecer a cada uma, a cada um, que esteve conosco nessa caminhada eleitoral. Agradecer em especial você que votou no 50, mas também agradecer aos que entraram em contato dizendo não concordar com a candidatura do governador, mas que iriam votar nele, se colocando contra Cássio e Maranhão, contra os que declararam apoio ao Bolsonaro, para liquidar com as oligarquias e o fascismo ainda no primeiro turno.

Não estou feliz com a quantidade de votos que tive, serei franco, mas estou muito feliz com o que nós - povo da Paraíba - fizemos ao derrotar os Cunha Lima e os Maranhão, seguindo os demais estados do Nordeste dizendo/votando #EleNão.

Antes que vire textão, diante da emoção e da grande tarefa que temos pela frente, quero dizer que estarei com a maioria do povo da Paraíba na luta pelo #EleNão. O resultado prático do que estou afirmando é denunciar a prática do Bolsonaro, mas é mais que isso, é dizer que farei campanha para Haddad, votarei no 13. Não vou aqui sequer ficar dizendo das minhas diferenças com o PT, já que perto das diferenças com o Bolsonaro elas são "fichinhas".

A primeira e única vez que fiz campanha para o PT foi no segundo turno das eleições 2002. Lembro das milhares de pessoas tomando as ruas diante da grande derrota do PSDB, que agora em 2018 afundou completamente. Farei campanha com uma energia maior que fiz no auge dos meus 24 anos, afinal de contas estamos lutando contra o fascismo, por mais que alguns (inclusive algumas pessoas que amo) não percebam.

O povo da Paraíba derrotou os que retiraram direitos, agora  vai derrotar Bolsonaro, que votou com Temer na retirada dos direitos trabalhistas e no congelamento dos gastos públicos para segurança, saúde e educação.

O povo da Paraíba derrotou as oligarquias, vai derrotar Bolsonaro que constrói uma nova oligarquia, com filhos no parlamento do Rio de Janeiro e São Paulo.

O povo da Paraíba é pela ética e contra a corrupção, vai derrotar Bolsonaro que até hoje não explicou o crescimento do patrimônio de sua família superior a renda recebida; recebeu quase 1 milhão em auxílio moradia tendo casa em Brasília; recebeu 200mil da JBS, empresa da lava-jato (e nem venha com papinho de que devolveu, já que a devolução foi para o Partido, que repassou o mesmo valor para ele, coincidência?).

O povo da Paraíba é pelo respeito e pela vida, vai derrotar Bolsonaro que disse que mataria representantes da esquerda e fez várias declarações contra mulheres, negros e LGBTs.

Vamos na luta democrática, vestindo nossas camisas e sem se calar. O ódio que se esconda.

Que nesse segundo turno vença a luta contra o machismo, o racismo, a LGBTfobia, a xenofobia, a revogabilidade da EC 95, da deforma Trabalhista, da terceirização ampla e irrestrita e das demais medidas de Temer apoiadas por Bolsonaro.

Resumindo, seguirei a luta contra o ódio, contra o golpe e por direitos. Sou 50, seguirei em campanha, seguirei nas ruas. No segundo turno vou de 13.

Forte Abraço.
Tárcio Teixeira
Presidente do PSOL/PB

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Temer, Calar ou Ser Quem Somos (Lutadores/as Sociais)?




Não é momento de neutralidade, como alguns candidatos fazem, é momento de dizer #EleNão.

Não é momento de hegemonismo, é momento de respeitar as diferenças postas no processo eleitoral, no campo popular, e focar no #EleNão. No depois, no segundo turno, estaremos com Boulos ou com quem do campo popular lá estiver, agora não podem nos calar.

Não é momento de medo e silêncio, ou de achar que todos que votam em Bolsonaro (mesmo vestindo camisa) é fascista, pode ser só mais um perdido, devemos chegar junto, conversar; caso sintamos hostilidade geral (não senti isso em nenhum aglomerado de pessoas que entrei, sempre tive defesa) é só sair de perto. O medo não pode ser maior que a vontade de dialogar e mudar.

O silêncio e a neutralidade só favorece o #EleNão.

O hegemonismo só joga um/a trabalhador/a contra o/a outro/a, sejamos diferentes e respeitemos as diferenças na luta contra o #EleNão.

O medo não traz transformação, apenas nos joga para longe de quem precisa nos ouvir ou precisa ser enfrentado.

Não calemos diante do que acreditamos. Não calemos diante do que enfrentamos. Não calemos!

Não guardemos nossas bandeiras, não guardemos nossas camisas, não guardemos nossa coragem de transformar.

Não silenciemos o amor e a democracia.

Calemos o Machismo, o Racismo e a LGBTfobia.

Usemos nossas camisas. Usemos nossas cores. Usemos nossa coragem.

Gritemos o amor e calemos o ódio.

É hora de ser o que somos! SE ENFRENTAMOS A CLANDESTINIDADE E A TORTURA, NÃO É HORA DE CALAR, DE TEMER, DE GUARDAR NOSSAS CAMISAS, é hora de ser o que somos e ganhar as ruas e as urnas.

Força e coragem é para todos nós, não calemos!

Calar jamais, Ditadura Jamais!

terça-feira, 25 de setembro de 2018

O 29 de Setembro de 2018 que Mudou Nossas Vidas.



29 de setembro de 2018, eu estava lá. Elas deram uma lição de como defender o Brasil. As mulheres mostraram ao mundo que não podem passar por cima delas e seguir como nada tivesse acontecido. Naquele dia elas retiraram a pele de cordeiro que cobria o lobo, deixaram seus dentes e garras expostas ao mundo. Naquele ano eu era candidato ao Governo da Paraíba. A história não perdoou os candidatos que não se posicionaram sobre o assunto; não perdoou os candidatos que não disseram #EleNão; não perdoou os candidatos que o defenderam, estes sofreram as consequências.

Poucos dias antes desse 29 de setembro histórico para o povo brasileiro - digo histórico pelo fato de ter mudado a história das eleições daquele ano - eu estava em Guarabira, na nossa Paraíba, lá eu tive a sorte de participar de uma prévia organizada pelas mulheres na cidade. Sim, foi sorte, fui para cidade para uma pauta da campanha de governador e ganhei esse presente. Na saída do ato eu estava arrepiado, olhos alagados e voz embargada ao tentar falar para Adjany (guerreira amiga que fazia parte da chapa comigo naquelas eleições) o que eu pensava sobre aquela atividade, sobre o ato que viria a ser “apenas” uma prévia do que muitos de nós não imaginávamos o que seria o sábado seguinte em todo Brasil.

Em Guarabira eu vi uma relação intergeracional que não via há tempos. Vi uma juventude ativa, não “apenas” animando ato como em muitas ações contra o Golpe de 2016. Vi pessoas que não eram militantes ocupando as calçadas, saindo para as varandas e janelas de suas casas. Ouvi músicas e palavras de ordem horizontalizadas. O microfone não tinha don@, todas e todos tinham voz, e ninguém ocupou o espaço para aparecer ou fugir do tema, as falas foram claras: #EleNão.

No ato de Guarabira eu vinha de uma noite de duas horas de sono dentro de um carro. Tinha saído de quase 00h do debate da TV Diário do Sertão, em Cajazeiras, e chegando na casa do companheiro Belarmino, em Guarabira, perto das 6h. Praticamente só tive tempo de tomar café e ir para entrevista no Portal Mídia, mas, independente do peso do dia, terminei com a bateria carregada, ali minha bola de cristal, ou melhor, minha análise de aproximação da realidade, disse: as Mulheres mais uma vez darão a linha, o dia 29 de setembro vai mudar nossa história, vai marcar nossas vidas; só senti energia parecida no Fora Collor, primeiro ato que participei na vida, e nos levantes de 2013, quando setores da esquerda não souberam ser horizontal e perderam o bonde da história, felizmente as Mulheres não cometeriam o mesmo erro.

O dia 29 de setembro foi mais do que eu pensei. Os que estavam paralisados pelo medo, passaram a comprar o debate; os que estavam com falas derrotistas, viram a vitória como possibilidade; os que não conseguiam mais argumentar, não abandonaram mais nenhum debate.

No dia 29 de setembro todos viram as garras e os dentes do lobo, que não era “apenas” um nome, mas um conjunto de ideias que conseguiam esconder até então: o auxílio-moradia de quase 1 milhão de reais, mesmo tendo casa em Brasília; os 200 mil recebidos da JBS (lava-jato) e não devolvido para empresa, mas para o Partido que devolveu o mesmo valor ao #EleNão; o voto do #EleNão com Temer na EC95, que congelou gastos públicos com Segurança, Saúde e Educação; o voto do #EleNão com Temer na deforma trabalhista; as declarações contrárias ao direito das domésticas; as declarações de que seu ministro da cultura seria Alexandre Frota; que seu posto Ipiranga iria aumentar imposto para os mais pobres e reduzir para os mais ricos. Naquele dia, a pauta que garantia o apoio dos mercadores da fé ao #EleNão não faziam mais sentido diante da luz que espantava as trevas, as pautas identitárias se afirmaram, não regrediram uma linha de lá para cá, mas muito ainda existe para conquistar.

Os desdobramentos daquele 29 de setembro de 2018 teve impacto nas eleições e na vida de tod@s. Fico feliz de ter ficado do lado certo, de não ter tentado ser neutro, de não ter tido medo de perder voto, como perdi alguns, de não ter deixado de defender o que acredito, de ter seguido a luta das mulheres, de ter tido a firmeza de ir aos debates e entrevistas e ter dito: #EleNão, #EleNunca.

Obrigado, companheiras!

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Uma Breve Avaliação Sobre o Primeiro Debate de TV


Estou muito feliz e energizado com minha participação no debate desta segunda (13/08/2018) na TV Arapuan, as ligações, mensagens no zap, facebook e demais redes sociais, dizem muito sobre nossa postura, nossa crítica e nossas propostas para uma nova Paraíba. O convite para construção coletiva foi atendido, agora é ampliar esse coletivo.

O povo da Paraíba ganhou o debate, brilhantemente conduzido pelo querido Heron Cid e uma equipe de trabalhadores alegres, envolvidos na construção daquele momento, que queriam fazer parte daquele rico momento.

Não vou prolongar, quero destacar apenas alguns pontos que entendo como relevantes do debate de ontem:

1.      Enquanto os candidatos focaram em João Pessoa, pude conversar sobre a integridade da Paraíba. Fui duro na crítica que a sociedade vem fazendo nas ruas e nas redes sociais, mas apresentei propostas concretas para Segurança, Saúde, Educação, Mobilidade, Habitação, Pessoas com Deficiência, Mulheres, Cultura, Servidor Público;

2.      Ficou clara a dobradinha entre dois candidatos durante o debate, trocando figurinhas, cumprindo o mesmo papel que Vital (PMDB) cumpriu em 2014, muito feio isso, triste para democracia, puro teatro;

3.      Foi possível perceber quem são os aliados políticos de cada candidato, pois (do lado de lá) cada um tem um golpista para chamar de seu, pois essas relações interferem diretamente na possiblidade ou não de implementar um projeto de mudança na Paraíba;

4.      Candidatos brigando pela proposta do Hospital de Trauma no Sertão, já apresentada por mim em 2014 e por Nelson Junior, ainda em 2010, e de lá para cá nunca implementado, deixando pessoas seguirem morrendo no percurso e contribuindo para superlotação dos hospitais em Campina Grande e, mais ainda, em João Pessoa;

5.      O “decoreba” em algumas perguntas e réplicas deixou o debate frio em alguns momentos. Da nossa parte conseguimos fazer um debate com o coração e a mente no clima do momento;

6.      O aparelhamento e frágil desenvoltura do candidato no debate sobre a prefeitura de João Pessoa virou motivo de piada, dezenas de memes na internet, é preciso tratar o debate político com a seriedade que ele merece. A tentativa do candidato do Governo em apresentar técnica e esvaziar a política, além de tentar fugir do debate sobre privilégios em relação a forma de tratar os/as profissionais da segurança pública (policiais civis, militares e agentes penitenciários), também rendeu alguns bons memes;

7.      Por fim, mas de tão rica importância, a democracia, fui o único a questionar a ausência de Rama Dantas, única mulher candidata, e a tratar, mesmo tendo Boulos como candidato a presidente, da campanha por Lula Livre e o direito a dele ser candidato, algo que não vi em nenhum momento sair da boca do candidato do governo, deve ser porque também tem os golpistas para chamar de seu. #LulaLivreBoulosPresidente.

Que venha o próximo debate!
Forte Abraço
Tárcio