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domingo, 20 de novembro de 2016

Siba, Voltando do Passado e Energizando o Presente.

“Quem tudo tem, tem Direito
Quem nada tem, nada tem”
(Siba)

O corre da vida pessoal, política e profissional, muitas vezes nos tira alguma coisa que gostamos, escrever sobre o cotidiano é uma das coisas que sinto falta, quem acompanha o “Vida Vivida” sabe disso. Felizmente, hoje, mesmo tendo perdido meus garranchos inelegíveis escritos no guardanapo em meio ao Show do Siba no Espaço Mundo, conseguirei “matar” uma dessas pendências.

O Show foi simplesmente INCRÍVEL, tanto para nós (público), como para os músicos, ao menos foi o que percebi. A última sexta foi daqueles dias que saí só, curti um pouco disso, mas depois tive a oportunidade de “tomar uma” com: colegas assistentes sociais, em um ambiente onde algumas não conheciam essa parte do meu currículo; militantes culturais, que já acompanharam minha presença na noite, nos mais diversos estágios; camaradas do partido, acho que posso dizer amigo, pelos momentos partilhados; companheir@s de luta; e com conhecid@s e desconhecid@s que curtem a noite da nossa linda João Pessoa.

Nesse dia - bem antes do final na calçada, tomando uma com Siba, ou perto dele, vez por outra dando uma de “entrão” na conversa - comecei a conversar com um colega que conheci em Cabedelo, desculpe se conheci antes, mas lembro de lá; “do nada”, lembrei e comecei a contar de um marco em minha vida musical. Comecei a contar o show do Mestre Ambrósio que fui na Concha Acústica da UFPE, eu tinha 15 ou 17 anos, foi a primeira vez que vi o Siba, eu nunca tinha escutado as músicas e não lembro com quem eu estava naquele dia, mas lembro que foi como já fosse um velho conhecido, as músicas vinham fáceis e aquele dia direcionaria minha vida musical, dando uma forcinha ao meu PrIrmão Frederico, que fez eu conhecer e gostar de muita coisa boa.

Eita! não ficaria legal meter mais ponto ou mais vírgula, pois falei tanta coisa que ficou distante, mas voltando... quando acabei de conta a história ao colega de Cabedelo, o jovem barbudo e de óculos olhou nos meus olhos e disse: “Eu era criança”. É! Cresci, aprendi, desaprendi, aprendi, tenho 39, quero alcançar Seu Valdemar (meu avô com 94 anos) e, se possível, quero passar dele com a energia de levantar os dedinhos no clima de Carnaval.

A noite é massa! @s artistas são incríveis! A pessoas são incríveis! Obrigado pela noite, amig@s, é massa saber que todo dia é dia de construir e reconstruir, saber que “TODA VEZ QUE EU DOU UM PASSO O MUNDO DA SAI DO LUGAR” (Siba).

Valeu, Siba. Volte sempre e traga essa turma massa que anda com você.



Ps.: #ForaTemer #ContraPEC241/55

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

PSOL PARAÍBA CONVOCA MILITÂNCIA PARA ATO NACIONAL

Convocamos todos/as @s Filiados/as, Militantes e Dirigentes do PSOL na Paraíba para participar dos atos nacionais, convocados para 11 e 25 de novembro, contra a PEC 241 (PEC 55 no Senado) e o pacote de maldades do desgoverno de Temer. Não aceitaremos: redução do poder de compra do salário mínimo; congelamento de salário e demissões de servidores/as públicos/as; corte de recursos para educação e saúde; ampliação de tempo para aposentadoria e do desconto previdenciário; contrarreforma do ensino médio (MP746); privatizações do patrimônio público; fechamento de universidades.
Defendemos a auditoria da dívida pública, reforma tributária, que os grandes sonegadores de impostos paguem seus débitos, fim dos privilégios dos políticos, eleições diretas para presidente da república.
A Constituição de 1988 deve ser defendida! Denunciaremos e responsabilizaremos os Deputados Federais e Senadores da Paraíba pela verdadeira desconstituinte em curso. Quem se alinhar a Temer na aprovação da PEC 241 deve ser tratado como inimigo do povo brasileiro.
No dia 11 de novembro é fundamental nossa atuação conjunta com a militância e as entidades que fazem a Frente Povo Sem Medo na Paraíba, contribuindo nas ações estruturadas pelas ocupações e nos atos unificados construídos com demais frentes, movimentos e centrais sindicais.
Na próxima sexta a militância do PSOL na Grande João Pessoa estará pela manhã nas ocupações de escolas e universidades e a tarde (14h) em ato unificado convocado para frente do Lyceu Paraibano. Nas demais cidades é importante o envolvimento na construção das atividades do dia 11 de novembro, buscando seguir mobilizando para o dia 25 de novembro e construindo as possibilidades para construção de uma futura greve geral.

#ContraPEC241/55 #ForaTemer #DiretasJá
Tárcio Teixeira

Presidente Estadual do PSOL/PB

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A PEC da Desconstituinte (241 na Câmara / 55 no Senado), a Retirada de Direitos e os Senadores Paraibanos

No último período político brasileiro os parlamentares paraibanos foram protagonistas na imposição de Temer, tivemos parlamentar: assumindo o TCU, onde era dada a largada no processo de impeachment; presidente da Comissão Especial do Impeachment; político cassado falando em nome da ética e sendo líder do partido derrotado nas últimas eleições presidenciais; amigos de Cunha declarando esse apoio, sendo testemunha e até votando contra cassação do mandato; presidente de CPI com efeito político seletivo.

Agora, mais uma vez, um paraibano no foco da política nacional, José Maranhão (PMDB/PB) é Presidente da CCJ do Senado e tem o poder de: 1. acelerar a tramitação da PEC 55/2016 (PEC 241 na Câmara), e ser um dos responsáveis diretos por uma verdadeira Desconstituinte; ou 2. atender os anseios do povo, suspender esse processo e realizar audiências públicas em todos os Estados Brasileiros. Um tema como esse não pode ser decidido por um congresso com aprovação de menos de 10%, em empate técnico com um Presidente imposto que é parte das delações.

Pode parecer chover no molhado tratar da Desconstituinte em curso, mas não podemos desistir de debater e de lutar pela manutenção de conquistar históricas, começo com o apoio da CNBB: “A PEC 241 afronta a Constituição Cidadã de 1988. Ao tratar dos artigos 198 e 212, que garantem um limite mínimo de investimento nas áreas de saúde e educação, ela desconsidera a ordem constitucional.” (CNBB, reunido em Brasília-DF, dos dias 25 a 27 de outubro de 2016).

Acredito sim que o debate seja de economizar gastos, mas precisa ficar claro para quem e para que economizar. É preciso entender o lado de quem é defendido pelo Parlamento brasileiro, que tenta aprovar a PEC 55/2016, que seguirei chamando de Desconstituinte, e não move uma palha sobre a Reforma Tributária; trata de retirar dinheiro da saúde e educação e não trata da taxação das grandes fortunas; quer desvincular os benefícios previdenciários do salário mínimo e não aprovar um imposto sobre grandes heranças; pretende retirar direitos dos/as trabalhadores/as, mas não avança na punição aos grandes sonegadores1 brasileiros.

Circula nas redes sociais um áudio de entrevista com Guilherme Mello, Professor de Economia da UNICAMP, no qual ele trata de forma bem didática a Desconstituinte em curso. O Professor apresenta alguns impactos da Desconstituinte nas políticas sociais, vejamos algumas: 1. As despesas com educação estavam tendo crescimento superior a inflação e sofrerão redução; 2. Os recursos com investimentos em educação que passavam da inflação vão ser destinados para o pagamento da dívida pública; 3. O IPCA é inflação geral da economia, e como a inflação da saúde, por exemplo, é maior que a do IPCA, obrigará o governo a fechar hospitais, demitir, acabar com concurso público, negar tratamentos e avançar em privatizações e cobrança no SUS. Impactos na mesma linha alcançarão a educação e demais políticas públicas, o Estado sendo reduzido apenas para uma parte da população.

A drástica redução do Estado vai despencar dos 20% do PIB com gastos federais para 13%. Considerando que os benefícios previdenciários, por questões demográficas, devem passar de 8% para 10%, vão sobrar apenas 3% para Educação, Saúde, Servidores, Exército, Legislativo e Judiciário. Este é o caminho inverso ao que ocorre no restante do mundo, vejamos as despesas em outros países, antes e na atualidade: 1. Economias avançadas – 15% do PIB em 1950, passando para 45% do PIB; 3. Países emergentes – 25% do PIB em 1996, passando para 30% do PIB; 3. Países de renda baixa – menos de 20% em 1996, passando para 25%.2

Em outras palavras, querem tratar nosso país com os olhos unicamente voltados para os banqueiros, deixando nossos gastos abaixo dos países de renda baixa para que possam voltar nossos recursos para pagamento da dívida. Em contrapartida, como parte do jogo político atual, aumentam em mais de 40% os salários do Judiciário e da Polícia Federal. Ainda no sentido contrário do que diz a narrativa da crise, o desGoverno repassa 20 bilhões para OI, uma sonegadora de 65 bi. No sentido contrário, quando trata-se do/a trabalhador/a, o grupo da toga retira o direito de greve dos/as servidores/as públicos/as e coloca em pauta a terceirização.

É Fundamental lembrar que nenhum Presidente do Brasil, nem do PSDB, do PT ou do PMDB, questionou a dívida pública, não deram nenhum passo no sentido de realizar a auditoria da dívida; também não mudaram a lógica da DRU, que abocanhou 20% dos recursos constitucionais vinculados às políticas sociais e os destinaram para o pagamento da dívida desde o começo dos anos 1990, passando para 30% desses recursos em 2016, reduzindo ainda mais os recursos para as políticas públicas.

Vejamos outros efeitos concretos da PEC da Desconstituinte: 1. Vinte anos de cortes nos recursos da educação, saúde e outras áreas de interesse social; 2. Caso a PEC estivesse em vigor desde 2006, o salário mínimo atual seria de R$550,00 reais; 3. Considerando o mesmo período de congelamento, a saúde tereia perdido R$178 bilhões e a educação teria R$321 bilhões a menos. Segue a máxima “o de cima sobe e o de baixo desce”.

Os dias 11 e 25 de novembro serão dias nacionais de luta organizados pelas centrais sindicais e frentes de luta, mas parece pouco para radicalização imposta pela quadrilha que controla nosso país, precisaremos de muito mais, resta saber de que lado estarão os Senadores da Paraíba.

1Os super-ricos, que somam 0,05% da população, sonegaram em 2015 415 bilhões em impostos.

2Dados da audiência pública da comissão de assuntos econômicos da Câmara dos Deputados.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Eleições 2016, Uma Democracia nem Tão Democrática Assim.

Finalmente volto a escrever para o “Vida Vivida”. O período que estive afastado foi decorrente da legislação eleitoral, segui a mesma norma que determina o afastamento por parte de colunistas em blogs e jornais escritos.

O tema do retorno não poderia ser outro, eleições. Farei algumas considerações pessoais, pois a Direção Municipal, Estadual e Nacional do PSOL ainda não reuniu após o período eleitoral. Iniciarei fazendo referência a disputa de vereador em João Pessoa, já que articulei nossa chapa e disputei uma vaga para Câmara de João Pessoa. Na sequência trarei algumas reflexões sobre a eleição de Prefeito/a na Capital. Ainda antes de apresentar as considerações finais, apresentarei elementos sobre a disputa do PSOL na Paraíba como um todo.

Ainda antes de começar, gostaria de pedir desculpas pelo tamanho do texto, mas é melhor fazer um balanço geral e voltar rapidamente ao normal do blog, pois nossa caminhada é para além das urnas e são muitos os debates e as mobilizações do próximo período, temos necessidade de muita luta pela frente.


1. Câmara Municipal de João Pessoa

Não farei desse espaço uma lista de motivos para não termos eleito @s primeir@s vereadores/as do PSOL em João Pessoa, apenas pontuarei alguns elementos centrais para o debate ideológico, refletindo sobre o que alguns chamam de pragmatismo eleitoral, também conhecido como oportunismo (ou vale tudo) eleitoral.

1.1 Da Montagem da Chapa Até a Disputa nas Urnas

Pela primeira vez na história do PSOL João Pessoa, a chapa do Partido sofreu uma grande ofensiva antes mesmo das eleições começarem, o que acabou levando alguns pré-candidat@s para outros partidos e ou a não saírem candidat@s. O dito pragmatismo eleitoral e algumas promessas atingiram duramente nossa chapa, resultado: assim como não elegemos vereadores/as, nenhum d@s que saíram foram eleit@s. Mesmo assim é possível destacar elementos positivos, tivemos a maior chapa do PSOL na Capital, avançamos na quantidade de mulheres disputando a Câmara de João Pessoa e provamos que seria possível alcançar nossa vaga na Câmara não fosse a Contrarreforma Eleitoral e o dito pragmatismo eleitoral.

Poderíamos ter feito um/a Vereador/a caso a chapa planejada fosse a consolidada! Tive o cuidado de somar os votos da nossa chapa: com os candidatos que saíram do PSOL e foram ser candidatos em outros partidos; d@s que já foram candidatos em outras eleições e desistiram de ser candidat@s no pleito atual; e @s votos de dois policiais militares do campo progressista que conversei sobre a possibilidade de saírem candidat@s pelo PSOL e optaram pelo dito pragmatismo eleitoral em outras chapas. Claro que a conta não é tão simples, ou mesmo tão objetiva, para dizer que teríamos feito @ primeir@ vereador/a do PSOL, pois são muitos condicionantes ao mesmo tempo, mas servem para deixar claro que o pragmatismo eleitoral não serve para @s lutadores/as sociais.

1.2 Contrarreforma Eleitoral

A Contrarreforma elaborada por Eduardo Cunha, no que impactava direto na participação do PSOL, contou com os votos não só do PMDB, mas também do DEM, PSDB, PCdoB e PT. O motivo comum entre eles? Não queriam o crescimento de uma alternativa política a esquerda em nosso país. Resultado, @s candidat@s do PSOL ficaram fora de debates, como o da TV Cabo Branco em João Pessoa, além de ter o tempo de TV reduzido drasticamente. Enquanto @s candidat@s do PSOL tiveram 30 inserções para dividir entre 20 candidat@s, os demais partidos tinham centenas de inserções para suas chapas de vereadores/as.

1.3 Compra de Votos e Outras Distorções

Em um local “moralmente democrático”, a denúncia feita pelo Vereador do PSB (Renato Martins) - sobre corrupção e compra de votos em seu partido - seria mais que suficiente para uma dura apuração dos fatos e realização de novas eleições para Câmara de João Pessoa.

Mas não paro aí, como definir compra de votos? Seria apenas dizendo tome “R$100,00 e vote em mim”, ou seria também o “ou vote em mim ou colocará seu emprego em risco”? Os cabides de emprego ou mesmo os piquetes de greve pagos são ou não compra de votos? Essas práticas interferem diretamente no processo eleitoral, a disputa se torna desleal e antidemocrática.

Outro aspecto que não cabe em minha cabeça é o fato de algumas pessoas separarem a disputa da Câmara da macropolítica, tentam separar a emoção da razão para livrar o peso da consciência e acender uma fictícia luz no fim do túnel. Alguns votos para câmara ficam no campo privado ou em um campo ideológico passado. Em muitas ocasiões as pessoas fecham os olhos e “esquecem”: que seu/sua candidat@ já votou pela privatização das políticas públicas na Câmara de João Pessoa; que já atentou contra os direitos humanos em seus cargos (ou fechou os olhos); que estão em partidos cruéis com os trabalhadores/as ou aliados a esses partidos.

1.4 Renovação?

As mudanças de nomes ocorridas na Câmara de João Pessoa não representa necessariamente mudança politica, indica deslocamento do poder econômico e negação a alguns vereadores, a exemplo de Benilton, que sofreu dura campanha negativa pel@s trabalhadores/as da Educação de João Pessoa que sentiram a traição desse Vereador ao optar por caminhar com Cartaxo e virar as costas para @s servidores/as.

Da mesma forma, outros vereadores que vinham de uma tradição ideológica também sofreram com a mudança de legenda em nome do “pragmatismo eleitoral” ou por suas vacilações táticas e acabaram ficando de fora da Câmara.

De certo modo esses elementos representam um certo amadurecimento do eleitorado. Por outro lado, e esse aspecto fica apenas como hipótese, boa parte da abstenção e dos votos brancos e nulos, foram de pessoas que historicamente votavam com a esquerda e estão decepcionadas com a postura do PT e ainda não percebem no PSOL de João Pessoa uma alternativa, o que parece ser uma das mudanças possíveis para o próximo período, se considerarmos a votação do PSOL na disputa da Prefeitura de João Pessoa e em outras cidades da Paraíba.



2. Eleição de Prefeito

O companheiro Victor Hugo teve a maior votação (8.814) do PSOL nas eleições de Prefeito em João Pessoa, só não teve uma votação ainda maior devido a contrarreforma eleitoral que deixou nossa candidatura com 20 segundos de TV e fora do debate da TV Cabo Branco. Esses são elementos fáceis de constatar sobre a participação do PSOL nas eleições. As regras anteriores teriam colocado o PSOL em outro patamar e a campanha muito bem protagonizada por Victor teria mudando a história da disputa na Câmara. O PSOL tem um importante espaço de crescimento pela frente.
Desde o começo eu dizia no interior do PSOL que Cida Ramos foi escolhida para perder, não faço essa afirmação devido as qualidades individuais da candidata, mas devido os objetivos de Ricardo estarem desde o começo voltados para 2018, sendo o desgaste com o vice escolhido parte dos cálculos e do interesse de ambos. É visível o foco dado pelo PSB na Câmara Municipal, a propaganda das gestões de Ricardo e a exposição exagerada do Governador nos programas da candidata. A aliança com “os Efranis”, Felicianos e Wilson Filho é parte da aposta deles em 2018, tanto que o PSB não questiona (por exemplo) a votação da PEC 241 e outras medidas dos seus aliados, que não são meros aliados de 2016, repito. Infelizmente alguns setores que giram em torno da estrutura do Estado preferiram fechar os olhos e tratar essa aliança como tática, uma vergonha para história de luta de alguns/mas, mas a história é implacável e a fragmentação de quem apostou nesse caminho já é uma realidade.
Quanto ao Professor Charliton, defendeu um programa de forma muito contundente, mas a postura do PT nos últimos anos - em âmbito nacional (recuo nos direitos, alianças e denúncias de corrupção), estadual (com Ricardo e com o PMDB) e municipal (com Cartaxo e gestão do PT em João Pessoa) – não batia com o discurso apresentado.
As análises da ampla maioria sobre as eleições de 2012 dizem que Cartaxo “virou prefeito” por força das circunstâncias, mais por oposição ao que era oferecido ao eleitorado que por sua capacidade de governar ou por seu carisma político. Em 2016 as forças conservadoras da Paraíba fizeram uma grande aliança em torno de Cartaxo, soma-se a isso o desgaste do Governador (grande derrotado das eleições em João Pessoa), as inaugurações deixadas para as vésperas do processo eleitoral, a super e desigual estrutura de campanha e as distorções no processo democrático, fatores que levaram Cartaxo a uma reeleição com maior facilidade que a eleição de 2012.

3. PSOL na Paraíba
Mesmo a Direção Estadual e Nacional tendo desfeito as coligações em Sousa e Massaranduba por existir alianças não autorizadas, optando por não cair em “invenção tática”, o PSOL Paraíba ainda teve a maior participação em eleições municipais da sua história, 14 cidades disputando prefeituras.
Disputamos pela primeira vez em Belém, Caiçara, Guarabira, Pedras de Fogo, Itaporanga, Pedras de Fogo, Pilar e Solânea, cidades das quais destacamos a positividade do impacto político com a boa representatividades dos nossos candidatos. Destes, dois municípios merecem destaque numérico: Itaporanga, onde Sousa Neto alcançou 2,25% dos votos e segue com um grupo coeso para disputas futuras; e Pilar, onde Mathias passou dos 9%, sendo proporcionalmente o candidato mais votado do PSOL Paraíba, representando uma alternativa real contra as oligarquias locais.
Apesar de não ser as primeiras candidaturas na cidade é de se destacar a participação, os percentuais e a qualidade do debate feito por: Marcos Patrício (4,45% em Cabedelo), Gobira (3,79 em Cajazeiras), Dr° Rivaldo (3,07% em Princesa Isabel) e Valdir Lima (4,76% em Santa Rita).
Nas demais cidades, mesmo onde caímos em quantidade de votos, fizemos um importante debate ideológico. Entre estas cidades eu destacaria Patos, onde fizemos o quarto vereador mais bem votado, Josivan (da Unidade Popular pelo Socialismo), que não foi eleito devido nossa chapa não ter alcançado o quociente eleitoral, colocando o PSOL na cidade com possibilidades de ser um Partido mais amplo, com impacto real na vida da cidade.

Resumindo
Assim como a Contrarreforma Eleitoral, a tática de alguns em desmontar a chapa de vereador/a do PSOL em João Pessoa e em outras cidades da Paraíba funcionou e teve impacto para não elegermos noss@s primeir@s vereadores/as; mas essa tática não impediu o crescimento do PSOL no estado, numericamente e politicamente falando. Somos uma alternativa real de disputa que segue os desdobramentos da disputa nacional.
Nacionalmente o PSOL fez mais vereadores/as que nas eleições passadas, crescemos nas capitais, passamos d@s 50 parlamentares eleit@s; elegemos dois Prefeitos no primeiro turno e estamos disputando em 3 cidades no segundo turno, Rio de Janeiro, Belém e Sorocaba.
O PSOL é um polo real de rearticulação da esquerda brasileira. Na Paraíba, saímos das eleições maiores do que entramos. Em breve teremos boas surpresas na reestruturação que a esquerda passa nacionalmente.


João Pessoa, 12 de outubro de 2016
Tárcio Teixeira
Presidente do PSOL/PB

quinta-feira, 23 de junho de 2016

#OcupaMINCPB: Ocupar, Transformar e Ser Transformado

Primeiramente, Fora Temer!

Não lembro de ter ficado tão emocionado em minha vida militante como fiquei no dia 22 de junho de 2016, quando o #OcupaMINCPB deixava o prédio do IPHAN para ocupar as Praças e as Ruas. Nem mesmo nos grandes atos de 2013 fiquei tão emocionado, foi como se nos 34 dias de ocupação eu tivesse de fato conhecido e reconhecido minhas/meus companheir@s de 2013.

Não vou escrever sobre a importância nacional do #OcupaMINC, já muito bem compreendida pela militância; sobre o distanciamento intencional de algumas organizações ou indivíduos dit@s “organizad@s”; ou sobre aspectos que eu levantaria de forma violenta no meu tempo de militância puramente analógica, como diria meu amigo e dirigente Edilson Silva. Dedicarei os poucos próximos parágrafos aos aspectos positivos do que entendo ser a nova esquerda digital e horizontalizada.

Quando falo sobre @s verdadeir@s dirigentes de 2013, é que naquele ano alguns abandonaram o “barco” pelo simples fato de não “dirigirem” o processo, como se a criticidade coubesse apenas em suas organizações ou não pudessem permitir que outras organizações tomassem corpo naquele processo. Parte da esquerda abandonou 2013 por não dialogar com sua horizontalidade e seus questionamentos ao governo, cada um/a foi inventando (a palavra é essa) uma justificativa para “abandonar o navio”.

No #OcupaMINCPB não teve espaço para verticalidade, nem mesmo na hora de dialogar com o “chefão” do IPHAN na Paraíba ou com a guarda municipal sobre o toldo na frente da ocupação, nos momentos mais tensos a solução foi diálogo e respeito ao outro.

Ninguém cobrava d@ outr@ mais do que @ outr@ poderia fazer. Dormi apenas três dias no ocupe, mas muitos que não dormiram nenhuma noite contribuíram muito mais que eu. Não existia tarefa mais importante que a outra. Do varrer ao cozinhar, do lavar banheiro ao coordenar uma reunião, do ir para Brasília ao articular a programação, cada um/a tinha sua importância, ninguém era chamado de pelego por não fazer isso ou aquilo, ninguém era chamad@ de pelego por defender suas opiniões.

Nesses 34 dias não teve espaço para quem queria aparelhar, ditar uma linha, defender o indefensável; ninguém era mais ou menos cobrado por ocupar cargo “X” ou “Y”, por militar nessa ou naquela área; por ser menos ou mais conhecido. Vi, reconheci e permiti que nov@s (uns jovens e outros nem tanto) militantes fossem meus/minhas dirigentes.

Tive a honra de articular com @s companheir@s do Movimento Raiz a Ida do Célio e da Erundina para visitar o Ocupe, ambos fizeram falas infinitamente superior as realizadas em auditórios, foram falas cheias de vida, de rua, de energia, de ocupe. Conheci guerreir@s de outras nacionalidades, de outras regiões, de outras cidades. Não fui cobrado nem tentei dirigi, mas fui convidado e tive espaço para compartilhar. Erámos mestres/as, doutores/as, graduad@s, sem formação acadêmica, guardadores de carro, assistentes socias, advogad@s, malabares, músicos, nada disso nos diferenciava ou ampliava a cobrança, cada uma ia até onde seu limite permitia.

Mulheres, Negr@s e a comunidade LGBT eram parte do Ocupe, a horizontalidade do diálogo e das decisões não dava espaço para que o racismo, o machismo e a homofobia, todos presentes em nossa sociedade, desse a linha na ocupação.

Podemos até tentar, mas ainda não fazemos ideia da grandiosa tarefa e da importância do #OcupaMINC na luta pelo #ForaTemer, na luta em defesa da democracia e dos direitos. O Ocupa não desocupou o prédio, simplesmente resolveu ocupar as praças e as ruas, seu papel de unir e fortalecer a luta contra o Golpe para além das organizações partidárias é uma realidade. Por mais que alguns tentem negar ou reduzir esse momento, aí está a nova esquerda, sem amarras, sem burocracia, com liberdade.

Assim como em 2013, mais precisamente no último ato, durante a licitação que entregaria a rodoviária para as empresas privadas (ato que faz eu responder processo até hoje), no 34º dia do #OcupaMINCPB, quando olhei para o lado, durante reunião da Frente Povo Sem Medo, vi @s que não abandonaram o barco em 2013 ao lado d@s que fizeram o Ocupe.

Para fazer escorrer minhas lágrimas e inchar meus olhos, entrou em cena o Boi da Loca, após um belo som, o vocalista começou a lembrar da luta dos nossos ancestrais, da loca como espaço de ocupação e resistência, do Boi saindo da morte ao encantamento. Não sei se as belas palavras, não sei se minha sensibilidade, não sei se a energia da mistura de angustia e esperança expressa em nosso corpos, mas eu não consegui tirar os olhos do vocal e parar de chorar.

Minha cabeça jamais será a mesma. A visão do gado dos congressos da velha esquerda virou esperança, virou a ocupação das locas, virou o Boi Encantado.

Sei que é só o começo. Companheir@s que fizeram e seguirão fazendo o #OcupaMINC, Obrigado!

#ForaTemer


#NenhumDireitosAMenos

terça-feira, 14 de junho de 2016

Eliza Virgínia, Ignorante ou Defensora do Ódio?

Tenho sido instigado para falar de diversas questões, os motivos pelos quais não vou para ato com a Presidenta Dilma, mesmo sendo contra o Golpe e defensor do Fora Temer; o viaduto do Geisel; a obra da Lagoa; a recente pesquisa eleitoral em João Pessoa e muitos outros temas, mas vou priorizar falar da nossa Câmara Municipal, mas precisamente do ódio valorizado pela vereadora Eliza Virgínia (PSDB), que deveria usar seu mandato para defender o amor, a vida e as famílias, todas as famílias.

Em 09 de junho vi uma entrevista da vereadora do Ódio (Portal ClikPB[i]) sendo contra a recomendação expedida pelos procuradores José Godoy (MPF) e Eduardo Varandas (MPT) e pela defensora pública federal Diana Freitas de Andrade, para que escolas, universidades, centros comerciais, empregadores, repartições, bares e demais lugares de frequência pública que se abstenham de inibir, reprimir ou discriminar manifestação afetiva entre casais do mesmo sexo.

Três dias depois do depoimento da vereadora, dezenas de pessoas foram mortas e outras dezenas saíram feridas de um atentado em Orlando, nos Estados Unidos, uma tragédia que deve ser repudiada por todo o mundo e que é uma realidade também no Brasil. A vereadora não conhece o país que vive, fala que “o brasileiro, ele não é muito de agredir” e diz que as pessoas que vivem um relacionamento homoafetivo não são normais e faz comparações absurdas com algumas práticas sexuais ilegais. Suas declarações alimentam o ódio que coloca o Brasil no topo da lista dos países onde mais matam gays, lésbicas e transexuais.

Ao contrário de alguns, eu não acho que a vereadora seja uma ignorante que não sabe o que faz, ela pode até exagerar para criar polêmica e tentar aparecer eleitoralmente, mas ela tem clareza do que defende, não é o amor, não é a diversidade humana, mas o ódio e a segregação.

O PSOL defende a diversidade humana e é defensor da criminalização da homofobia. Na mesma intensidade que a vereadora Eliza Virginia tem nosso repúdio pelo ódio que exala do seu corpo; os procuradores Eduardo Varandas e José Godoy e a defensora Diana Freitas tem nosso apoio pelo gesto de amor e defesa da vida e das famílias, de todas as famílias.

Tárcio Teixeira
Presidente do PSOL/PB