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quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Ano Novo? Só se mudarmos!


O ano que chega será de muitas mudanças, sejam elas pessoais e/ou coletivas. Até mesmo porque, cada mudança individual, acaba impactando o todo, não é verdade? Então gostaria de falar aqui sobre as minhas mudanças, das quais espero que sejam nossas mudanças!

Em 2011 assumi a presidência do CRESS/PB, onde fiquei até 2016, lá nosso grupo conseguiu fortalecer a luta das e dos Assistentes Sociais, as corporativas e as coletivas. Além disso, compramos a nova sede do Conselho, realizamos Concurso Público e as licitações que não aconteciam em nossa entidade.

Na sequência, em 2015, assumi a Presidência do PSOL Paraíba, onde interiorizamos o Partido, criamos os Setoriais, organizamos as finanças, dialogamos com as diversas organizações do campo popular e nos tornamos um partido com impacto real em nossa Paraíba. Lembro que, lá em 2017, eu não queria ser reeleito presidente, mas aceitei a missão coletiva e cá estou. Um ano além da do segundo mandato, devido o adiamento do nosso congresso causado pela pandemia, mas tem hora que nossas individualidades precisam ser respeitadas, preciso de novos ares, preciso retornar para o tão falado trabalho de base.

No próximo semestre, nacionalmente, nosso PSOL escolherá as próximas direções Municipais, Estaduais e Nacional. Entendo que minha missão como presidente estadual do partido está chegando ao fim. São anos de dedicação, tenho orgulho do que construímos, e mais orgulho ainda por saber que temos companheiras/os preparadas/os para ocupar esse cargo e ampliar o trabalho que iniciamos. Ainda temos muito para conquistar coletivamente!

É hora de colocar em prática o que muitas pessoas estão dizendo há anos, o fortalecimento do trabalho de base. Estamos, eu e algumas pessoas que estiveram na minha/nossa campanha de vereador, construindo um Coletivo que funcionará no formato de uma organização sem fins lucrativos. Acreditamos que muitas das propostas que apresentamos nas eleições para Câmara Municipal podem ser realizadas por um gabinete paralelo que mantenha viva a energia da Flor de Mandacaru que brotou nas últimas eleições.

Claro, um gabinete sem a estrutura da Câmara vai depender única e exclusivamente da nossa militância, então contamos com vocês para construirmos projetos de leis de iniciativa popular, formação política, fortalecimento cultural, fiscalização do legislativo e do executivo, projetos de extensão em parceria com universidades, oficinas que atendam a juventude e suas comunidades, entre outras medidas que estão ao alcance de cada um/a de nós. Espero entre janeiro e fevereiro enviar para vocês uma ferramenta onde cada um/a possa dizer quanto do seu tempo e do seu saber estará disposto/a a doar nesse projeto coletivo.

Ano novo, velhas e necessárias questões! Não sei dizer se teremos um ano feliz, mas sempre podemos buscar a felicidade coletiva.

Qual será a sua mudança!?

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Escurinho, a Vida e o Natal!

Natal, independente das diferenças vindas das tradições religiosas ou pagãs, entre fatos históricos ou convenções, ele tem sempre em seu conteúdo o nascimento, seja do Menino Jesus ou do Sol, ambos chamados de Rei em algum momento, ambos responsáveis pela vida, um segundo a religião e outro segundo a ciência.

É sobre a vida que quero escrever nesse texto de Natal. Da alegria de ter Escurinho presente em minha vida, companheiro de coração forte, sensível, um cara do bem que é parte da minha formação pessoal e política, mais do que imagina. A vida só provou o que muitas/os de nós já sabíamos, que Escurinho tem um coração sensível, mas também forte e resistente, um coração que é parte de uma energia compartilhada com o mundo.

A recuperação de Escurinho vem sendo acompanhada com muito carinho e energia positiva por todas e todos nós. Não acompanhamos de perto como gostaríamos, mas como a vida permitiu. Ler sobre suas histórias no hospital - sobre como sentiu e viveu aquele momento, como conheceu pessoas, ouviu histórias, como queria está aqui fora conosco, mas também de como viveu e partilhou no hospital - é algo que só aumenta nossa admiração e respeito. Felizmente já podemos acompanhar nosso querido Escurinho em sua casa, ainda pelas redes sociais, devido os riscos da pandemia que teima em seguir.

Conheci Escurinho no Centro Histórico, na Praça Antenor Navarro, acho que 2007, ano que cheguei na Parahyba, na verdade eu o vi a primeira vez neste local que representa muito para mim, ele estava no palco com aquela energia e pulos nas alturas, ali eu senti que deveria conhecer mais sobre aquele artista. Depois disso fui vendo Escurinho em outros espaços, pesquisando sobre sua arte e descobrindo o militante social.

Em 2013 foi especial, não canso de falar do Coletivo Aguaceira, do quanto aprendi com as pessoas maravilhosas que conheci e convivi, entre elas estava Escurinho. Aqui, além de estar em meio a nossa “cultura em ação”, de conhecer mais sobre nosso semiárido, pude descobrir muitas histórias, ouvir Escurinho cantar mais de pertinho, compartilhar a mesa de bar, conversar. Jamais imaginaria que, anos após, alguns do coletivo aguaceira estariam filiados ao PSOL, inclusive Escurinho, o qual partilhamos chapa nas eleições de 2018 e 2020.

Em 2014, no Conventinho, estavam Escurinho e Otto no mesmo palco. Aquele show teve uma simbologia gigante, quase pulo na mesma altura que o mestre por poder experenciar parte da minha formação cultural que está entre Recife e Olinda, bem como meu presente na Paraíba, onde escolhi viver.

Em 2019 Escurinho esteve no lançamento do “Fantasia(s)”, quarta publicação com minhas poesias. Não esteve ali como artista ou ativista, mas como parte da minha vida, partilhando um momento pessoal. Neste dia Escurinho foi até o microfone, abriu o livro e começou não a recitar, mas a cantar, isso, ele cantou um dos meus poemas, fiquei tão animado que quando fui conseguir gravar já era tarde. Neste dia eu disse: quero parcerias para musicar alguns dos meus poemas, com direito a estúdio e tudo, eu realmente posso ser compositor, rsrsrs.

Feliz natal, Escurinho e todas as pessoas que amam a vida, partilham, resistem e transformam.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

2020, um ano com a dor de duas Quartas de Cinzas

Em dezembro de 2020 vivi a pior quarta-feira de cinzas da minha vida. As lágrimas, que geralmente chegam na terça de Carnaval, escorreram em vários momentos do dia. No meio da tarde meus olhos brilhavam emocionados com matéria enviada por um amigo que é parte do meu Carnaval há alguns bons anos. Poucos minutos depois minha companheira, da vida e dos Carnavais, mostrava postagem do Homem da Meia Noite no instagram, era o fim!

Eu nutria uma forte esperança de que teríamos Carnaval, não estava esperando institucionalidade, palcos, decoração temática, nada disso, eu esperava tradição. Ler que o Homem da Meia Noite não sairá no sábado de Carnaval causou a dor das cinzas sem o prazer do fogo.

Se a “palavra é uma arma”, como canta a Primavera Blue, meu tiro saiu pela culatra. Eu sempre disse que no dia que aquela festinha de Salvador e do Rio de Janeiro fosse em data diferente do Carnaval, festa única das ladeiras de Olinda, eu conheceria a festa daquelas duas cidades. Não imaginei que o preço fosse tão alto.

Jamais imaginei viver um ano sem o Carnaval de Olinda, festa que vivo desde 1990 sem faltar. Se é verdade que o ano só começa no pós-carnaval, então é verdade que 2020 terá 730 dias, que 2021 só iniciará em 2022.

Como lembrarei de 2020? Como o ano da pandemia, o ano de um Carnaval e duas quartas de cinzas, “é de fazer chorar”!


João Pessoa, 09 de dezembro de 2020


Ps.: escrevo entre lágrimas, frevo e ainda escuto São Carnaval dizendo em meus ouvidos: “estou apenas testando a fé de vocês, as ruas serão ocupadas com segurança, será o Carnaval da vida, o Carnaval da vacina, será o Carnaval!”