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terça-feira, 22 de setembro de 2020

Rede Globo e as Eleições 2020, o PSOL é pela Democracia

Li atentamente a carta da Rede Globo sobre as eleições 2020 e já comunico a sociedade paraibana que, enquanto presidente do PSOL na Paraíba, vou sugerir ao Diretório Estadual do partido que não aceite nenhum tipo de acordo que limite a democracia, que desrespeite os limites da lei e retire do povo do nosso estado o direito de conhecer todos os candidatos e candidatas que se apresentam no processo eleitoral. Considero um absurdo que candidatos/as fora da obrigatoriedade legal sejam cortados/as, como fizeram em 2016 com Victor Hugo, candidato do PSOL em João Pessoa. Mais absurdo ainda é a Rede Globo sugerir que nem o limite legal seja respeitado.

Em que a Rede Globo é melhor que as outras emissoras que estão com debates agendados ou já realizaram debates? Entendo que ao invés de sugerir o descumprimento da lei a emissora deveria buscar construir regras e estrutura que fortaleçam a democracia e protejam os candidatos, candidatas e trabalhadores e trabalhadoras da TV, a exemplo do que vem fazendo a TV Manaíra, que garantirá o distanciamento social, inseriu a obrigatoriedade do uso de máscara durante o debate e reduziu o número de assessores/as por candidatos/as.

Por fim, entendo que outra alternativa é realizar (além das medidas tomadas pela TV Manaíra para respeitar a vida e a democracia) o debate em espaço aberto, como a própria Rede Globo já realizou eventos não eleitorais em outras oportunidades, como entidades representativas de classe, de poderio econômico muito inferior, já fizeram em outras eleições.

A democracia deve prevalecer!

sábado, 29 de agosto de 2020

Bolsonaro Defende Estuprador

 

O título dessa nota pode parecer manchete sensacionalista de jornal policial, mas é exatamente o que representa a portaria do desGoverno Bolsonaro que ataca mulheres vítimas de estupro. Exigir que médico chame a polícia em caso de aborto legal, mesmo a lei garantindo que a mulher tem esse direito em caso de estupro, é uma forma de não proteger as vítimas, é uma forma de ampliar a voz daqueles/as fundamentalistas que chamam uma criança de 10 anos (estuprada desde os 06) de assassina e protegem o estuprador.

Não por acaso portaria do Ministério da Saúde é editada na semana em que Pastor Everaldo e Flordelis sãos desmascarados e em que Bolsonaro flerta voltar para o PSL. Vendo seus aliados assassinos - seja literalmente ou desviando dinheiro da saúde – desmascarados e o fundamentalismo momentaneamente acuado, Bolsonaro tenta atiçar a sanha dos seus parceiros fundamentalistas na tentativa de sair da retranca e animar sua corja rumo as eleições de 2020, para isso nada melhor que seu antigo lar, berço de pessoas perigosas como o antipresidente, onde muitos/as colocam a vida das mulheres em risco e os estupradores em liberdade.

A cada hora 7 mulheres são estupradas no Brasil, isso significa 168 estupros por dia, 5.040 por mês, mais de 60mil por ano. 70% das vítimas são crianças ou adolescentes. Essas crianças, essas adolescentes, essas mulheres, tem direito a proteção, a vida, não a criminalização. Fora Bolsonaro e sua corja política de fundamentalista assassinos, corruptos e mercadores da fé.

É Pela Vida das Mulheres!

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Coligações e Fundo Eleitoral: No PSOL Praticamos o que Defendemos.


Tenho orgulho da coerência e da construção democrática do nosso PSOL. Neste final de semana estive em reunião virtual do Diretório Nacional do PSOL, órgão partidário do qual tenho a alegria de ser membro, lá aprovamos importantes resoluções sobre eleições, entre elas as que dizem respeito ao Fundo Eleitoral e as Coligações.

 A Direção Nacional do PSOL, com representação de todas as regiões do Brasil, decidiu que fica proibida toda e qualquer aliança com partidos integrantes da base do desgoverno Bolsonaro e da direita clássica que privatizou, retirou direitos e proporcionou o Golpe de 2016. Não se transforma a realidade cometendo os mesmos erros.

 Os partidos possuem relativa autonomia na distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral, o PSOL vai partilhar esse recurso com base em sua coerência política, as negras e negros, mulheres, LGBTQIA+ e pessoas com deficiência, que saírem candidatas e candidatos nas eleições de 2020, receberão mais recursos que os demais. Democracia não é impor uma maioria, mas respeitar a diversidade e o desequilíbrio social.

 Nas eleições de vereador é comum as pessoas tentarem separar pessoas de partidos, relações pessoais de políticas, votar na majoritária e esquecer o Legislativo Municipal. Espero que agora em 2020 isso mude, que seja dada a devida atenção para as eleições proporcionais, que saibamos que esses elementos (pessoas e partidos) são inseparáveis não “apenas” por questões ideológicas, mas por aspectos práticos da atuação parlamentar.

 Que as eleitoras e os eleitores não votem em candidatos mergulhados em projetos verticalizados já conhecidos por suas características negativas e controlados por suas coligações e composições nas gestões municipais e estaduais. Acredito no voto em projetos construídos de forma coletiva por pessoas. É hora de virar o Legislativo Municipal!

quinta-feira, 30 de julho de 2020

O Hip Hop Pede Paz e Exige Justiça!


Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!" Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero) – O Rappa.



O Racismo Estrutural e a morte da juventude não para em tempos de Pandemia. Três Mcs mortos em João Pessoa em cinco dias: dois assassinados, Gacsiliano Leite ( em 24/07/2020) e Johnatan Felipe (em 28/07/2020), Gacs MC e Djohny MC; e Mezak Queiroz, MC Loco, que estava desaparecido e apareceu supostamente atropelado no Hospital de Trauma.

Por onde passo tenho dito da importância das batalhas, as entendo como o que existe de mais rico em mobilização e organização da juventude em nossa Capital. As batalhas de MC's da Paraíba tem ocupado os espaços públicos e fortalecido a cultura negra. Infelizmente temos visto muita perseguição e tentativas de acabar com as batalhas, mas felizmente a reação sempre agrega e elas não só resistem como se ampliam.

Não sabemos qual, e se existe, relação entre as mortes dos MC´s, nem se estão conectadas com antigas perseguições e criminalização vividas nas batalhas. O que sabemos é que estes assassinatos estão conectados pelo Racismo Estrutural que ataca diariamente a negritude, as pessoas e sua cultura.

Exigimos justiça. Nenhuma linha de investigação pode ser descartadas. Assim como não esquecemos o assassinato do estudante Clayton Tomaz de Souza, conhecido como Alph, por isso protocolamos pedido de audiência ao Governo do Estado da Paraíba (até agora não tivemos sua realização), também exigimos atenção e celeridade nas investigações das mortes de Gacsiliano, Johnatan e Mezak, exigimos justiça.

Todos e todas ao ato na próxima terça-feira (04), a partir das 14h, na Lagoa.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

PSOL Apresenta Alternativa Popular para Capital



Após circular interna do Diretório Municipal do PSOL João Pessoa, publicada em 04 de julho de 2020, que apresentava a retirada dos nomes até então inscritos como pré-candidatos para prefeitura de João Pessoa, muitos/as dos/as militantes do Partido refletiram a importância de construir uma candidatura do PSOL para população da capital, uma candidatura autônoma, com um programa que atenda aos interesses dos trabalhadores e das trabalhadoras da Parahyba, não do Poder Econômico, de Governos ou das novas e velhas oligarquias.

A reflexão coletiva possibilitou que o Diretório Municipal, reunido em 16 de julho de 2020, acolhesse o nome de Pablo Honorato como pré-candidato a Prefeito e o nome Soraya Correia como pré-candidata a vice-prefeita da Capital. Pablo cresceu entre os bairros do Valentina Figueiredo e Jaguaribe, é advogado, Servidor da Universidade Federal da Paraíba e afirma ser “um sobrevivente do racismo estrutural”. Soraya também é pessoense, moradora dos Bancários, Técnica de Enfermagem e diz pautar sua vida “em tripé de três ‘M’, Mãe, Mulher e Militante”. Ao final da nota é possível conhecer mais sobre Pablo Honorato e Soraya Correia.

Com esses nomes o PSOL abre mais uma fase no debate, não só com filiados e filiadas ao Partido, em nosso cotidiano interno e em plenária virtual agendada para 01 de agosto, 14h, mas também com toda sociedade, seja em suas redes sociais, debates programáticos abertos para sociedade ou nos diferentes meios de comunicação que estão realizando entrevistas e apresentação de pré-candidatos e pré-candidatas para prefeitura da Capital.

João Pessoa, 16 de julho de 2020


Diretório Municipal do PSOL João Pessoa



PABLO HONORATO NASCIMENTO é servidor público da UFPB. Negro, sua infância foi no bairro do Valentina, nas proximidades da Torre de Babel, maior índice de homicídios da cidade de João Pessoa. Cursou escola pública. Sobreviveu à violência no meio social em que estava inserido. Mudou-se para o bairro de Jaguaribe. Fez o curso de Direito na UFPB. Trabalhou na Funjope, cursou Mestrado em Direitos Humanos na UFPB. Participou de diversos trabalhos sociais muito exitosos, empreendidos juntamente às comunidades da Penha e, posteriormente, do Porto do Capim. Dentre seus trabalhos sociais, o mais relevante é o Museu do Patrimônio Vivo, que coordenara junto a jovens de doze comunidades da periferia da Grande João Pessoa e que, por sua metodologia participativa, foi premiado pela PMJP, pela SECULT/PB, pelo IPHAN (Prêmio Rodrigo de Melo Franco Andrade), pelo IBRAM (Prêmio nacional Darcy Ribeiro) e obteve segunda colocação no Prêmio nacional Economia Criativa do Ministério da Cultura. Aprovado em processo seletivo, advogou junto ao Centro de Referência em Direitos Humanos da UFPB, desenvolvendo diversos trabalhos junto a vítimas de violência social. Hoje, atua junto à Assessoria de Extensão do Centro de Educação da UFPB.

SORAYA CORREIA é Paraibana, de João Pessoa. De família de classe média, cristã e tradicionalista, rompeu com os grilhões dos velhos conceitos e seguiu seus próprios ideais e preceitos político-ideológicos. Na vida profissional cursou direito, até o 8º período e, mesmo não o concluindo, afirma ter o curso grande influência em sua militância. É técnica em enfermagem, por formação acadêmica, e instrumentadora cirúrgica, pondo-se em direção à área da terapia holística. Soraya pauta sua vida em tripé de três emes: Mulher, Mãe e Militância. Sua história como militante surge na luta pela defesa dos direitos de seus filhos. Teve papel fundamental no processo de defesa da educação infantil na forma de uma escola pública democrática e de qualidade, razão pela qual contrariou o conservadorismo e a resistência da velha política, sendo alvo de perseguição e injustiça. Hoje, seu esforço é reconhecido por um tanto de entidades sociais e serve como estímulo ao engajamento democrático de pais e mães que, seguindo seu exemplo, participam ativamente da educação de seus filhos. Milita também na causa pela vida, após sua filha mais velha ter sido vítima de bullying severo, que trouxe consequências à sua saúde. Em busca de tratamentos alternativos, conheceu a Liga Canábica Paraíba e, ao se identificar com a luta de pais e mães pela qualidade de vida de seus filhos, entra para a militância também desta causa, integrando o Colegiado Gestor da referida Liga. Trabalha em conjunto com entidades de combate ao bullying e ao suicídio, situações de saúde pública. Paralelamente, e de forma voluntária, organiza ações solidárias junto a comunidades carentes nas mais diversas ocasiões. Participa da luta dos movimentos feministas e faz parte do grupo Coletivo Sementes de Marielle, que abraça os movimentos negro, LGBTQIA+ e as lutas sociais.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Uma Tragédia Anunciada!


Lá vamos nós aguardar com o coração apertado o novo ciclo de 14 dias. Até então Cartaxo vinha silenciando e se diferenciando de Romero e sua desastrosa postura de seguidismo ao bolsonarismo, mas ao retornar o transporte coletivo o prefeito de João Pessoa deixa claro de que lado está, e não é o lado da vida.

Não sei se viram, mas envio aqui print de parte da cartilha do Governo do Estado lançada semana passada. Não passa de uma forma para "tirar o corpo fora". Com o retorno do transporte público as autoridades retiram do patrão a obrigatoriedade de construir alternativas e coloca trabalhadores e trabalhadoras em risco de morte.

Algumas coisas parecem lógicas: menos ônibus, mais lotação; se as empresas já deixavam os ônibus sujo, sem pressão ou fiscalização, segue sujo; sem regras de ocupação dos ônibus, e com pressão do patrão, terá lotação para bater o ponto; aproximação dos/as passageiros/as em meio a Pandemia, igual a mais contágio, mais mortes.

Muito triste olhar gestores e empresários colocando o lucro acima da vida. Vi o primeiro flagrante de lotação e sujeira nos ônibus na Blog do Maurílio Júnior*, lá você pode conferir a vida real, para além das notas públicas do Prefake Luciano Cartaxo.

Que essa postura criminosa seja revista e coloquemos a vida acima do lucro.

Tárcio Teixeira
Presidente do PSOL/PB
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* https://wp.me/p9uQ3g-4zY

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Marfim, o Amor e a Força da Natureza!


Tive um susto quando li que bodas de marfim seria a representação dos nossos 14 anos de casamento, logo lembrei da crueldade praticada contra elefantes e outros animais por pura maldade/lucro humana. Passado o susto, e avançando na leitura, resistência e criatividade passaram a ser parte da nossa boda de marfim cheia de amor.

Assim como elefantes e seres humanos (do bem) também vivem em harmonia, unidos em resistência, eu e Áurea também resistimos. Resistimos diante das chatices do cotidiano, aos planos pessoais adiados devido a resistência na luta coletiva, aos 107 dias do distanciamento e/ou isolamento social, aos afazeres da vida cotidiana. Resistência é força, superação, construção, reconstrução, é a vida de um casal que se amar e constrói coletivamente.

A natureza, que não quer violência, cria e partilha o marfim vegetal dado pela Jarina, abrilhantando nossas Bodas de Marfim, que é amor e força da natureza.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

COVID-19: Mortes na Saúde Mental de João Pessoa


Saúde Mental, por séculos foram pessoas acorrentadas, escondidas e até executadas. Tivemos grandes avanços com a participação de profissionais, familiares e usuários/as em lutas históricas, como a luta antimanicomial. Muita coisa melhorou, mas muitas pessoas seguem escondidas, secundarizadas, nem como números aparecem, apesar de legalmente serem prioridades.

Fui informado - e recebi um pedido de ajuda - sobre mortes envolvendo usuárias da Residência Terapêutica atendida pelo CAPS Gutemberg Botelho, mulheres egressas do Complexo Hospitalar Juliano Moreira. Encaminhei denúncia ao Ministério Público da Paraíba (MPPB), já tendo virado procedimento naquele importante órgão. Infelizmente, sabemos que o tempo da lei não é o tempo da vida. Peço ajuda para que possamos tirar essas pessoas da histórica invisibilidade. 

Não sou Jornalista para reivindicar o dito sigilo da fonte, mas tenho meus princípios e técnicas profissionais como Assistente Social que permitem reconhecer a seriedade e segurança de uma "denúncia que pede" para ser anônima. O fato de ter construído uma tarefa de figura pública, após as eleições que participei, faz com que constantemente eu seja procurado por pessoas de diferentes locais e classe social para contribuir de alguma forma na jornada por direitos, como é o caso agora, sendo a Vida a centralidade desse momento.

Fiz busca em importantes canais de comunicação de João Pessoa, não vi nada sobre os fatos aqui tratados. Sei que em minha lista de comunicação tem muita gente boa, independente e com princípios; outras não possuem a mesma independência, mas carregam os mesmos princípios, recebem o material, pesquisam e publicam a pauta, mesmo sem ter autorização para dizer deste militante que noticia o fato. Em outras palavras, o importante é monitorar as políticas públicas de saúde mental, lá estão pessoas que precisam de nós, precisam ser vistas e protegidas.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

João Pessoa: Plano Diretor de Mobilidade Urbana, Urgente Garantir Transparência e Participação Popular.


Verdade que existe recomendação da OMS para evitar aglomeração, mas também é verdade que o “mundo on-line” possibilita audiências públicas abertas, em tempo real, com participação e interação de organizações da sociedade civil e da população em geral. Convocar 4ª Audiência Púbica do Plano Diretor de Mobilidade Urbana por meio de Diário Oficial e postar um vídeo gravado sobre Texto Final, dizendo ser participação popular, é mais uma vergonha da gestão Cartaxo.

Sequer texto base chegou a ser publicado para que a população tivesse acesso para leitura e contribuição. O Vídeo postado pela SEMOB-JP não permite sequer a leitura dos bairros sobre as prioridades em cada um deles, além dos tópicos apresentados não permitir conhecer as ações objetivas e as diretrizes do Plano. Uma apresentação de Texto Final, feito por tópicos, sem garantir acesso ao conteúdo oficial, não é nada de transparente, de democrático, de participativo.

A gestão Cartaxo deu até 23h59 do dia 22 de abril para que as pessoas contribuam, mas como? Em comentários de youtube? Em uma aba participe na página da prefeitura? Em menos de 48h, já que o vídeo foi postado às 10h de 20 de abril? Sem disponibilizar o texto completo? É uma vergonha que um tema de tamanha envergadura seja tratado de forma tão impositiva e sem a transparência devida.

Sugiro que esse processo seja suspenso e a construção do Plano seja reestruturada com base nos princípios da Transparência Pública e Participação Popular; que o texto do Plano Diretor de Mobilidade Urbana, elaborado pela Prefeitura, seja publicado com antecedência; que sejam convocadas audiências públicas por pontos do Plano, de forma virtual, como demanda o momento, mas em tempo real e com participação popular.

Tárcio Teixeira
Presidente do PSOL/PB

Segue links sobre o assunto:



Link do “participe”, parece piada - http://www.planmob.joaopessoa.pb.gov.br/?p=191


terça-feira, 24 de março de 2020

Quarentena, o eu e o nós, o individual e o coletivo, o agora e o depois



Comecei a fazer esse texto em uma direção, quando percebi estava em outra, e não consegui mais ajustar. Já aconteceu isso comigo, mas nas outras vezes era o álcool que confundia, misturava, escancarava e apresentava uma “síntese misturada” de sentimentos e caminhos. Não vou tentar arrumar, acredito ele deva ser assim mesmo, desordenado, misturado, quem sabe no futuro ele não direcione novos rumos. A dúvida é se alguém termina ler um texto desse tamanho, mas vamos lá!

O Dia que Parte da Terrinha Parou

1977, mesmo ano que eu nasci, Raul Seixas lançava “O Dia Em Que a Terra Parou”, sucesso que sobrevive há décadas nas “paradas de sucesso” e hoje serve de reflexão sobre o impacto do Coronavírus em nossas vidas. Claro que existem várias diferenças entre a música e a realidade, primeiro que não é bem um sonho de um “Maluco Beleza” que vivemos, mas um pesadelo de uma sociedade que sofre as consequências do modo de produção que direciona nossas vidas.

A Terra tem parado aos poucos, quase que em um rodízio entre continentes, país, regiões, estados, cidades, tudo isso em um movimento articulado em base a estudos e formas de conhecimentos (científico ou não), não parou no mesmo dia, como em um sonho. Podemos dizer que na Parahyba começamos a “desacelerar mais rapidamente” na terça-feira, 17 de março, oito dias hoje (24/03/2020).

Igrejas, fiéis, alunos/as, professores/as, esses/as pararam, como na música. Por outro lado, muitos/as empregados/as, que não deveriam ir “pro seu trabalho”, seguem amontoados em call centers e fábricas que não terão para quem vender sua produção. Assim como o médico que, infelizmente, ainda tem muita “doença pra curar”, também precisaremos do padeiro e do soldado, que seguem na ativa.

A Terra não parou! Não podemos, nem vamos, parar 100%. Precisamos de saúde, alimentação, segurança, água, telecomunicações, luz, cultura e arte. A cada dia fica mais escancarado quem não nos deixa parar, quem nos suga até em tempos de pandemia, quem só pensa no lucro, na economia e não na vida.

Quero Compartilhar Minha 1ª Semana com Vocês

Não sou, não somos, uma ilha em meio a tudo isso. Na segunda-feira, 16 de março, estive com várias pessoas, além de ter tido três reuniões, sendo uma delas a do Diretório Estadual do PSOL que aprovou nota pública com sugestões para enfrentar o Coronavírus. No dia seguinte, como boa parte da capital da Paraíba, fui desacelerando, não saí de casa, fiquei sem saber por onde recomeçar, um pouco desnorteado, de férias, com congresso do PSOL cancelado, sem pessoas para encontrar, sem articulações políticas, sem encontros com as pessoas que gosto... Mas, aos poucos, fui conseguindo “olhar” os próximos meses e reiniciar a vida sob uma nova lógica organizativa.

Quarta-feira, entre 13h30 e 14h20, estive na Rádio Cruz das Armas e passei rapidamente na sede do Partido. Ao entrar em casa as roupas foram direto para “roupa suja”, lavei bem os braços e a barba e fui tomar um banho. No dia seguinte fui ao meu encontro com Pedro Faissal para entrar na quarentena lembrando de cuidar da mente, das emoções. No domingo fui comprar umas coisas para comer e beber. Sempre com os mesmos cuidados que já relatei antes.

Sexta, sábado, segunda e hoje (24 de março de 2020) eu não saí de casa. O que não significa que fiquei sem fazer nada, ao contrário, tenho estado muito mais ocupado que o “normal”, mas com uma vantagem, tenho Áurea Augusta ao meu lado, companheira com quem tenho aproveitado as boas horas do confinamento.

E Eu Com Isso? E Nós Com Isso?

No domingo, quando saí de carro para comprar umas coisas, chorei muito, não foi simples perceber que eu estava em nosso carro, com os vidros levantados, ar-condicionado ligado, indo comprar comida, e lembrar que muitos/as estão nas ruas, sem ter moradia, sem ter comida, sem saber sequer da existência do Coronavírus. Não é a primeira vez que choro com a desigualdade, seja sentindo as consequências na pele ou no peito, mas, por algum motivo, dessa vez foi diferente, não sei explicar o motivo.

Quando escutei o áudio de Franklin, companheiro de luta contra a desigualdade, lembrando que Pátria é Território, Soberania e Povo, não tinha como não partilhar do sentimento que ele descrevia, pois muitos/as estão despatriados/as dentro do próprio país, diante de tanta negativa de direitos.

Pior é saber que, por mais que cada um/a de nós façamos “nossa parte”, nossas ações nunca serão suficientes perto das necessidades coletivas. Claro, não vamos deixar de fazer nossa parte, vamos fazer cada vez mais, mas é fundamental aproveitar a forma como o Coronavírus vem escancarando as desigualdades sociais, descortinando quem se apropria da riqueza produzida pela força dos trabalhadores/as e, mesmo enriquecendo cada vez mais, trata os/as trabalhadores/as como descartáveis.

O Que Posso/Podemos Fazer?

O que cada um de nós temos feito em nossa privacidade para ajudar, ficará em nossa privacidade. Mas existem contribuições coletivas que cada um de nós podemos fazer e propagandear, seja para compartilhar conhecimento, seja para buscar conquistas coletivas, seja para denunciar o que precisa ser denunciado em tempos tão difíceis.

Fazia tempo que não fazíamos o Cuscuz com Debate, domingo fiz um com o médico Marcos Bosquiero sobre o Coronavírus, ajudou na prevenção, na união de pessoas, no alegrar e ocupar o dia de várias pessoas. Essa semana faremos um sobre “atividade física e quarentena”, medida simples que ajuda no coletivo, você com certeza pode ajudar com seu conhecimento.

Hoje separei algumas poesias que estavam “no fundo da gaveta”, muitas que sequer foram vistas para além dos meus olhos, uma exposição que pode alegrar ou incentivar alguém a escrever ou compartilhar sua arte. Poesia sempre toca alguma, lembro de uma minha que compartilhei um vez, foi um teste na verdade, eu não gostava dela, um amigo leu e ficou doido por ela, demorei acreditar que era verdade (rsrsrsrs). Podemos ajudar de várias formas.

A Luta de Classes Não Para?

Tem muito oportunista por aí, querendo lucrar com a dor. Dizendo que é hora de orar e não de bater panela. Muitos/as dizem isso de coração, mas outros como pura enganação, querendo lucrar com a dor, ganhar espaço político com o sofrimento, querendo fortalecer seu amigo empresário e fingindo ser solidariedade.

Alguns já estão testando “se cola” a suspensão das eleições. Claro, percebem que o bolsonarismo já começou a "descer ladeira", seus apoiadores/as despencam nas pesquisas e tentam usar da dor para suspender a democracia. Não podemos pestanejar, urgente defender nossa democracia.

Confesso que pensei em cancelar nossa primeira atividade coletiva de planejamento da nossa pré-campanha de vereador, mas, se assim fizéssemos, eram eles que ganhariam espaço, vamos manter nossa agenda e trabalhar em uma plataforma virtual que consiga juntar o maior número de pessoas que queiram fortalecer nossa democracia e construir uma alternativa coletiva para Câmara Municipal de João Pessoa.

Do Que Sinto Falta (além de abraçar familiares e amigos/as)?

Amo minha casa, amo a companhia da minha companheira, mas também amo a rua, ter contato com gente, conhecer o novo, isso eu sinto falta, estou já ligando para o 145 (só os fortes lembram). Disso eu sinto falta, rua e gente!

O que você vai fazer primeiro quando acabar nossa quarentena? Eu vou comprar uma cerveja no mercadinho perto de casa e andar pela rua conversando com as pessoas aqui perto, simples assim.

Será que alguém chegou até aqui? Ficou grande, eu sei, mas a vontade de escrever foi maior. Saudade de vocês! Ou nossa vitória é coletiva, ou não será!

terça-feira, 17 de março de 2020

Coronavírus, para Além do Lavar as Mãos, para Além do Indivíduo, uma Jornada Coletiva.


Não é com individualismo e segregação que teremos vitória, mas com solidariedade e trabalho coletivo.

Temos sido bombardeados/as com informações preventivas relacionadas ao Coronavírus, na TV, na internet, no rádio, mas o enfrentamento ao vírus deve garantir aspectos materiais, além de construir mecanismos de comunicação para alcançar setores da sociedade que ainda não sabem ou não tem como se proteger, sim, essas pessoas existem e são milhões.

Como combater um vírus tão potente com frotas de ônibus reduzidas, causando superlotação, uma integração lotada às 15h de uma segunda-feira, ônibus sujos e a população sem condições financeiras de comprar álcool em gel? A ampliação da frota e a limpeza dos ônibus, elementos já necessários há anos, agora é uma questão emergencial de enfrentamento ao Coronavírus.

Como combater o Coronavírus com corte nos recursos federais para saúde e com o desmonte do Sistema Único de Saúde? Defender o SUS e revogar a Emenda Constitucional que congelou gastos públicos por 20 anos, aprovada por Temer com o voto do Deputado Federal Jair Bolsonaro, é fundamental para reduzirmos os impactos do Coronavírus em nosso país.

Ainda é preciso refletir sobre o impacto econômico na vida do povo, não sobre como o mercado financeiro especula e tenta ganhar com a crise, mas um plano emergencial para garantir a população mais pobre meios de se prevenir e garantir sua sustentação material. É urgente pensar nas pessoas que vivem de eventos públicos que estão sendo cancelados como prevenção.

Não adianta deixarmos de ir ao teatro, a shows, a jogos de futebol e seguirmos jogados nas fábricas, nos órgãos públicos, nas escolas, nas faculdades, nos ônibus lotados. É importante pensar em quem recebe por serviço prestado ou trabalho intermitente. Salários não podem ser cortados e as pessoas ficarem sem proteção contra o vírus, a fome e suas contas. É urgente falar sobre isso e construir alternativas antes de atingirmos o momento crítico do Coronavírus em nosso país.

Até pouco tempo atrás não tínhamos população vivendo nas ruas de João Pessoa, hoje temos uma frágil política de assistência social que atenda essa população, a crise do Coronavírus pode ser o momento de ampliar essa política para além de uma questão emergencial.

As ocupações realizadas por pessoas que buscam moradia - diante da frágil política de habitação existente no país, na Paraíba, em João Pessoa e demais cidades – também não podem ser esquecidas, além dessas pessoas serem parte de um necessário plano emergencial, as políticas públicas de habitação precisam ser repensadas.

Vivemos uma das maiores crises hídricas da história, mas os gestores públicos se limitam (em sua maioria) a espera das chuvas e ao velho caminhão pipa. Sem água o vírus que enfrentamos ganha força, mais uma vez percebemos o quanto a não existência de políticas públicas - ou o desmonte das existentes - são as maiores brechas para crise do Coronavírus.

Precisamos ir para além do “lavar as mãos”, para além de individualizar a responsabilidade no enfrentamento ao Coronavírus, é preciso construir um plano emergencial para além das UTI´s, é preciso repensar a reestruturação das diferentes políticas públicas e enfrentar a política de desmonte imposta pelos defensores do Estado Mínimo que colocam em risco a vida de milhões de pessoas.

A desigualdade social é um caminho aberto para proliferação do vírus na Paraíba e em todo o mundo, estudiosos apontam que a atenção ao momento crítico do vírus é central para sociedade ganhar essa batalha, ampliar e remanejar recursos públicos nas diferentes Políticas Públicas, além de chamar a responsabilidade de gestores públicos e privados, é fundamental para superarmos esse difícil momento coletivo.

Não é com individualismo e segregação que teremos vitória, mas com solidariedade e trabalho coletivo. Seguem algumas sugestões para esse momento de crise.

  • Ampliação imediata das frotas de ônibus nas diferentes linhas do transporte público e higienização regular dos veículos.
  • Distribuição de álcool em gel para famílias cadastradas no CadÚnico, assim como fiscalização e punição aos comerciantes que tentem ganhar com atual crise ao aumentarem o preço do álcool e outras mercadorias de forma abusiva.
  • Revogação imediata da Emenda Constitucional nº 95 (congelamentos dos gastos públicos, inclusive para o Sistema Único de Saúde).
  • Cadastramento imediato dos/as trabalhadores/as ambulantes e garantia de renda nos moldes da renda recebida por pescadores/as no período de defeso. No mesmo molde essa renda deve ser garantida aos/as trabalhadores/as intermitentes que tiverem sua renda cortada devido a crise do Coronavírus.
  • Garantia do pagamento dos salários de servidores/as efetivos/as ou temporários/as, trabalhadores/as com carteira assinada e outros tipos de contratos de trabalho, em caso de suspensão das atividades devido a crise do Coronavírus.
  • Criação de Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua emergencial, com espaço para acolhimento no caso de famílias ou indivíduos que não tenham onde ficar, com foco na crise do Coronavírus.
  • Intensificar o trabalho preventivo presencial nas periferias e ocupações.
  • Garantir fornecimento de alimento e água nas periferias e ocupações que tenha mais dificuldade no período de crise do Coronavírus.


João Pessoa, 17 de março de 2020.


Tárcio Teixeira
Presidente do PSOL/PB

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Delírio, Desconhecimento ou Puro Oportunismo de Eliza Virgínia?


“Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem Messias de arma na mão”
(Luiz Carlos Máximo / Manu da Cuíca).


Mais uma vez ela, a Vereadora que não gosta do Cristo da Manjedoura, a Eliza Virgínia. Para alguns a parlamentar é a contradição em pessoa; para outros uma louca; ainda tem quem diga que ela seja uma fundamentalista conhecedora do que defende. Não a vejo como nenhuma das opções, mas como uma parlamentar de carreira que sabe o que faz, optou por um nicho eleitoral, “carregou nas tintas” com a força tomada por Bolsonaro, percebe a queda de popularidade do seu líder, especialmente em João Pessoa, e sabe que não será fácil fazer o caminho de volta para seu cantinho antes tido como certo na Câmara Municipal de João Pessoa.

A Parlamentar erra feio ao atacar o samba enredo da Mangueira, pois ao fazer isso ela ataca o Cristo da Manjedoura, ou não seria este o Cristo que no enredo diz: “Nasci de peito aberto, de punho cerrado / Meu pai carpinteiro, desempregado / Minha mãe é Maria das Dores Brasil”? O Cristo histórico é a cara do nosso povo, é a nossa cara!
Os/as compositores/as antecedem os ataques de Eliza, já sabiam que iriam “inventar mil pecados”, pelo visto não faz parte das orações da parlamentar calmar ao “Senhor, tenha piedade / Olhai para a terra / Veja quanta maldade”. Pois é, ser contra o “Jesus da gente” é não respeitar o “Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher”, algo que vemos regularmente nas declarações e propostas de Eliza Virgínia.
Quem é contra o Jesus que enxuga “o suor de quem desce e sobe ladeira”, contra o Jesus que se encontra “no amor que não encontra fronteira”, contra o Jesus que “Procura por mim nas fileiras contra a opressão”, não entendeu absolutamente nada sobre o amor de Cristo, sobre o amor incondicional. Quem é contra este Jesus é responsável por novamente cravejar seu corpo, são “Os profetas da intolerância / Sem saber que a esperança / Brilha mais na escuridão”.

No Carnaval, em todo Brasil, o que ouvimos foi o “O desabafo sincopado da cidade” e o “ressurgi pro cordão da liberdade”. Foi esse clamor das ruas que, diferente do ano passado, o bolsonarismo não conseguiu apagar chamando a atenção como fez com o “golden shower” em 2019.

Eliza, além de seguir seu líder e questionar o “Jesus da gente”, que somos o povo diverso e rico em nossa cultura, ela ameaça atacar a economia, quer impedir a destinação de recursos para o Carnaval, é não entender absolutamente nada sobre a cadeia produtiva da maior expressão da cultura popular brasileira, os milhões de empregos, de renda, de impostos, de alegria. Em contra partida a mesma parlamentar é defensora da liberação de impostos para as Igrejas, contradição? Não, puro oportunismo eleitoral!

Viva a Cultura Popular!

Viva o Carnaval!

Viva o “Jesus da Gente”!


A Verdade Vos Fará Livre (Samba-Enredo  da Mangueira. Composição: Luiz Carlos Máximo / Manu da Cuíca)

Senhor, tenha piedade
Olhai para a terra
Veja quanta maldade
Senhor, tenha piedade
Olhai para a terra
Veja quanta maldade
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra no buraco quente
Meu nome é Jesus da Gente
Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro, desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil
Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque, de novo, cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais na escuridão
Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão
Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi pro cordão da liberdade
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra no buraco quente
Meu nome é Jesus da Gente
Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro, desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil
Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque, de novo, cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais na escuridão
Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão
Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi pro cordão da liberdade
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também
Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Autismo! É pouco, mas é o que posso nesse mundão injusto!


Verdade, não sou nenhum estudioso do assunto, mas sou um militante social e, por ser um pouco conhecido, as pessoas chegam para pedir ajuda, em algumas situações uma simples orientação já é muito, em outras busco parcerias, mas existem momentos que demandam a boa e velha denúncia, atos de rua ou judicialização.

Sim, mas hoje quero falar sobre um tema que não sou conhecedor, o Autismo, mas associado a outro tema que conheço muito bem, a burocracia estatal, que dificulta o acesso a direitos, e o caos na saúde pública.

Hoje recebi uma ligação de uma mãe revoltada, e com infinitas razões para isso. Ela leu uma reportagem na página do Governo do Estado da Paraíba, datada de 27 de janeiro de 2020, com o título de “Governo da Paraíba emite Carteira de Identidade do Autismo”, mais revoltada ela ficou quando no começo do segundo parágrafo dizia que o “documento de identificação é emitido na hora da solicitação e é gratuito”.

O motivo da revolta com uma notícia aparentemente tão positiva? Essa mãe não teve acesso a carteira de seu filho, que, entre outras importantes garantias, será o censo do autismo no Brasil. A FUNAD exige laudo atualizado e que ele seja feito exclusivamente por médico do SUS, esse senhora soluçava, mas dizia com sua voz firme que “o Autismo não tem cura, para que laudo atualizado?”, dizia ainda: “pelo SUS serão vários meses para conseguir um laudo”.

Só tenho que concordar com essa mãe, trabalho na Promotoria da Saúde, vejo a negativa e a demora para o atendimento por diversas especialidades médicas na Gestão Municipal, mas não é justo o Governo do Estado, a FUNAD, jogar essa responsabilidade para prefeitura e negar a Identidade do filho de muitas mães por motivo tão mesquinho.

Espero que não venham com falsas justificativas técnicas, mas caso cheguem com elas, lembrem antes que não precisam criar falsas expectativas com propagandas midiáticas de que "fazem e acontecem", sem na prática atender essa e outras centenas de mães que querem fazer o filho existir no censo do Autismo.

O que fiz? Sugeri uma denúncia na Promotoria do Cidadão (para reivindicar a carteira de seu filho) e, caso precise da consulta de toda forma, na Promotoria da Saúde. Além disso, eu disse que faria esse texto e enviaria para pessoas que poderão tornar essa situação pública, ampliando o grito dessas famílias, mais que o encaminhamento técnico, ela gostou da força e apoio com essa posição política. É pouco, mas é o que posso nesse mundão injusto!

sábado, 4 de janeiro de 2020

Votos de 2020...

Como disse no vídeo da virada, vou disputar uma vaga para Câmara de João Pessoa, sou pré-candidato a Vereador e precisarei de vocês no período permitido pela legislação.


É uma disputa dura, onde em cada bairro, cada área de atuação, cada família, cada categoria, tem um candidat@, mas se é para virar o jogo, sua decisão precisará ser para além das questões corporativas ou pessoais, precisar ser programática.

Não terá virada se você for contra o crescente fascismo, sua retirada de direitos e ataque as diferenças, mas na hora do voto você escolher quem apoiou as ações do golpe de 2016 até aqui, quem silenciou, quem esteve ou estará com golpista, quem votou ou apoiou quem retirou direitos, quem assim fizer estará fortalecendo as bases que abriram espaço para o Golpe e o caos aberto em nosso país.

Um país não é construído de cima para baixo, mas de onde estão nossos pés, em nossas cidades. Vamos refletir as eleições municipais com mais cuidado e atenção.

Hora da Virada! São muit@s @s que estão em nosso campo de luta. Vamos construir mandatos coletivos, horizontais, de luta e transformação.