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quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Jackson: o centenário, os Retirantes e a Fome.


Jackson saiu de onde eu escolhi viver (Paraíba) e foi para onde eu cresci (Pernambuco). Ele nascido em 31 de agosto de 1919, eu nascido também em um dia 31, mas de um distante outubro de décadas depois (1977). Ambos levados pelas mães, das origens, em busca de melhores condições de vida, ele levado de Alagoa Grande, eu levado de Iguatu/Mombaça.

Dei um sorriso gostoso enquanto via “Jackson, na batida do pandeiro”, lindo documentário dirigido por Marcus Vilar e Cacá Teixeira, era mais uma coincidência, Jackson casou com Almira Castilho e foi morar no Edifício Ouro, mesmo prédio que morei quando casei com Áurea Augusta, baiana, como a segunda esposa (Neuza Flores) do Rei do Rei do Ritmo.

Jackson era um incrível instrumentista, compositor e cantor, eu, não, não toco ou canto absolutamente nada (rsrsrs), mas estou muito feliz de viver na Paraíba no ano do centenário do Jackson e aos poucos ir descobrindo mais sobre ele, que junto com Raul Seixas e Chico Science marcaram e marcam diferentes momentos da minha vida, sendo que com o Rei do Ritmo e com Chico tenho uma identidade para além da arte, uma identidade com a vida: como o lugar que cresci, formei, casei, fui pai; e com o lugar que eu escolhi para viver os próximos anos da minha vida. Agora carrego essa identidade literalmente na carne.

Para não dizer que não falei de política, eles (Jackson, Raul e Chico) também cantaram a política e seguem atuais como a FOME. Pode até ser que ninguém duvide da grandiosidade desses três caras, mesmo que não goste deles, mas, por incrível que pareça, tem alguns imbecis duvidando (ou tentam esconder) da existência e da atualidade da FOME.

Achei que jamais fosse voltar a ouvir tantas notícias tristes sobre a FOME ou ver tão frequentemente em meu cotidiano, ao menos não no Brasil. Você não consegue perceber? Pois abra os olhos e os ouvidos. Veja a quantidade de pessoas nos sinais, quantos corpos franzinos, de idades as mais diferentes, a FOME está ali. Ande no centro da nossa capital a noite, veja as centenas de pessoas na rua, a FOME está ali. Veja a forma absurda como crescem as filas das sopas, dezenas de pessoas com seus pedaços de garrafas pet, sacos plásticos e depósitos, enfrentando a FOME.

Caso não consiga enxergar, escute as pessoas, escute a professora da rede pública que voltar a ter crianças desmaiando de FOME em sala de aula. Escute a assistente social que trabalha na assistência social e acompanha a FOME se ampliar a cada bolsa família cortada. “Escute” o mundo a sua volta.

Sim, mas o que tem a FOME com o centenário de Jackson? Certa vez, sem negar ou fugir das suas raízes, ele disse que não voltaria a viver na Paraíba argumentando que “lá tem muita FOME”. A FOME marcou a vida de Jackson e de muitas outras famílias que bateram em retirada.

Verdade que a FOME não é novidade, mas é fato que ela estava longe de ser como no período da partida de Jackson, mas também é fato que ela volta a galope. Não conheço composição de Jackson sobre a FOME, mas ela é bem presente em Raul, comoA FOME sentada na mesa” (As Profecias); “Minha mãe, nossa mãe e mata minha FOME” (Ave Maria da Rua); “Depois de ter passado FOME por dois anos aqui na cidade maravilhosa” (Ouro de Tolo); e em Chico Science com o conhecido “só queria matar a FOME no canavial na beira do rio” (O Cidadão do Mundo) ou no "Aí minha véia, deixa a cenoura aqui / com a barriga vazia não consigo dormir" (Da Lama Ao Caos).

Apesar de não conhecer composição de Jakcson sobre a fome, já ouvi algumas vezes ele cantar “vim do mato, cansado e com FOME / Retirante fugindo ao sertão” (O Retirante, de Rui de Morais / Silva), mas aqui ele canta a volta de uma família após a chegada da chuva, pois que possamos ficar (ou voltar) onde queremos, sair só por vontade, não enxotados pela FOME.

Pois lá vou eu de novo brasileiro nato, se eu não morro eu mato essa desnutrição” (Abre-te Sésamo, Raul Seixas), assim, quem sabe, todos e todas cantem “E com o bucho mais cheio comecei a pensar / Que eu me organizando posso desorganizar / Que eu desorganizando posso me organizar / Que eu me organizando posso desorganizar” (Da Lama ao Caos, Chico Science).

Jackson, que em seu centenário receba todas as honrarias que merece; que siga brilhando; que siga encantando com sua arte; e que a FOME, conhecida por você de bem perto, um dia possa ser extinta do nosso planeta.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Entre Maconheiro, Estelionatário e Agressor de Mulher, eu Prefiro o Primeiro.


Eu terminei meu curso de Serviço Social na época de FHC, tempo de poucas vagas nas universidades públicas e muito dinheiro para as faculdades e universidades privadas. Eu era egresso de um segundo grau em escola pública, no turno noturno, pela manhã e tarde eu fazia meu curso de Mecânica de Auto no SENAI, essa trajetória não garantia condições igualitárias de disputar as poucas vagas na Universidade Pública, acabei entrando em uma universidade privada, parte do pagamento da mensalidade era bolsa, outra parte ajuda da família e meu trabalho.

Felizmente, anos depois, tive a oportunidade de entrar em uma Universidade Pública, em 2009 eu entrava no Mestrado em Serviço Social da Universidade Federal da Paraíba, não saí de cabeça vermelha, mas já entrei sendo defensor da legalização da maconha. Quero destacar inclusive que prefiro os “maconheiros” que os estelionatários e os agressores de mulheres, esses dois últimos não quero nem perto.

Entendi ser importa esse breve resgate histórico (coletivo e pessoal) antes de tratar das tolices que tem dito o Deputado Julian Lemos sobre as Universidades Federais, os estudantes e os formados por essas importantes instituições. Fiquei curioso para saber qual a graduação do deputado e onde ele fez seu curso superior, mas na página da Câmara dos Deputados*, em espaço dedicado para biografia do parlamentar, não tem essas informações, logo, diante da minha curiosidade, resolvi fazer uma busca no google.

Iniciei a pesquisa pelo nome de “Julian Lemos” e descobri um ser invisível até antes das eleições, tudo que achei foi após o processo eleitoral, mas nenhuma notícia sobre a graduação do deputado. Resolvi seguir e pesquisar pelo nome de “GULLIEM CHARLES BEZERRA LEMOS”, nessa busca o deputado não é tão anônimo, verdade que não achei nada sobre sua graduação, mas nessa busca percebi que Gulliem já é mais conhecido e antigo pelo google, aparecem vários processos, entre eles, estelionato e violência contra a mulher.

Após a busca fiquei a perguntar se a mudança de Gulliem para Julian tem relação com esse histórico nada republicano, de modo a dificultar as buscas da vida, o que agora é impossível, já que eles (Gullien e Julian) passaram a ser figuras públicas.

É deputado, suas declarações, em entrevista para o querido Heron Cid, só provam que você (não tem nada de excelência), além de tratar todo um corpo docente e discente de forma homogênea, não respeita a edução pública e as pessoas que por lá passaram. Tenho dúvida se essa sua postura é decorrente de inveja ou reconhecimento de suas limitações intelectuais, já que não consegue sequer saber a diferença entre assistencialismo e política pública, informação que deveria ser elementar para um deputado.

Encerro lembrando que usar maconha não é crime, para alguns é até questão sobrevivência (uso medicinal), mas estelionato e violência contra a mulher é crime sim!


sábado, 3 de agosto de 2019

Cartaxo Presenteia João Pessoa com Crise Ética, Censura e Desrespeito Religioso


“João, pessoa que não conheci e nem faço questão” (Chico Limeira)

Nos últimos anos, quando estamos próximo do dia 05 de agosto, eu tenho escrito textos mais emotivos e com elementos pessoais para parabenizar nossa Parahyba, assim tem sido pelo fato de eu aqui ter chegado no mesmo dia que nossa Capital faz aniversário. Neste 2019, no aniversário de 434 anos, eu sou obrigado pela conjuntura a fazer diferente, vou dedicar minhas linhas para denunciar o Prefeito Cartaxo e desejar Ética, Democracia e Respeito para nossa linda Parahyba.

Em 31 de julho o Ministério Público da Paraíba instaurou um ICP (Inquérito Civil Público) para apurar a existência de servidores fantasmas e perseguição contra servidores que não seguem a cartilha dos Cartaxo.

Infelizmente, como todos e todas sabemos, esse não é o primeiro escândalo de corrupção da gestão Cartaxo, não, não estou nem falando da lama da Lagoa, já de domínio público, estou apenas atualizando que além do ICP aberto no último dia 31, ainda existe o ICP aberto dia 11 de julho para apurar superfaturamento nos contratos da saúde e outro publicado dia 06 de julho, este relacionado a carros comprados a R$42.815,00 a unidade, quando o valor de mercado é de R$28.326,00. É esse o presente de Cartaxo para Parahyba e sua ética população!

Não satisfeito, Cartaxo resolveu censurar a vinda de Linn da Quebrada para Parada LGBTQI+, isso após ter aberto negociação e ter se comprometido com a organização da Parada a contratar a atração escolhida pelo Movimento LGBTQI+. É esse o presente nada democrático de Cartaxo para Parahyba e sua comunidade LBTQI+.

Por fim, quero concordar e contribuir com a ampliação das posições de Henrique Magalhães, professor e desenhista, na defesa do Estado Laico. Quando falamos do dia 05 de agosto, estamos falando do aniversário da cidade ou de uma festa católica? Ou das duas coisas?

Não tenho nada contra o Padre Nilson (uma das atrações pagas por Cartaxo), para falar a verdade, não sei nem que é. Sou contra é que em um dia tão marcante para nossa cidade, na marca dos seus 434 anos, Cartaxo escolha os católicos em detrimento dos Evangélicos, dos Mórmons, das religiões de Matriz Africana e Indígena, das outras dezenas de denominações religiosas existentes na cidade, ou mesmo dos Agnósticos e Ateus.

Talvez alguns digam: “mas é festa das Neves, é da religião católica”, vamos considerar que não fosse o aniversário da cidade, que fosse “apenas” a Festa das Neves, o mesmo valor é gasto com outras religiões? Os sem religião são considerados? A resposta é não para as duas questões.

Em tempo de sanha conservadora é fundamental defender o Estado Laico, a religiosidade é algo individual, em uma democracia é inadmissível uma maioria de uma determinada religião seja imposta diante de outras. O Estado Laico é muito caro para uma democracia, precisa ser defendido.

O Cartaxo tenta fugir, ou melhor, esconder suas posições, fica jogando para seus subordinados o trabalho sujo, querendo ser o bom moço da história, mas já ficou claro que essa farsa não cola, se duvidar foi o próprio prefeito, mesmo sem gostar da música, escolheu Fagner para fechar com chave de ouro a festa dos católicos, afinal de contas o cantor é (ou foi?) Bolsonarista.

Só tenho uma coisa para dizer, não fique triste Parahyba, você é Nordeste e daremos a volta por cima; desejo Ética, Democracia e Respeito para você, sua linda!