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sábado, 22 de dezembro de 2018

Feliz Natal? Feliz Ano Novo? Para quem?


Claro que desejo um feliz natal e um feliz ano novo para minha família, meus amigos, minhas amigas e para população que vem sendo usurpada em seus direitos e sofrendo diante da postura dos poucos que controlam a política em nosso país e só a usam para o enriquecimento próprio e de seus líderes econômicos. A pergunta é: teremos um feliz natal e feliz ano novo?

Digo sem medo de errar, e triste com essa afirmação, que este já o período natalino mais triste dos últimos 14 anos. Faço essa afirmação por experiência empírica, minha e de outras pessoas próximas. Esse é o natal com o maior número de pessoas morando e/ou vivendo nas ruas; pedindo nos sinais, calçadas e entradas de supermercados; recorde em desempregados/as e devedores/as que, por esse motivo, estão sendo ameaçados de perder suas casas e/ou impedidos/as de concluir seus cursos superiores. Este é o natal onde a fome volta a bater mais forte na porta de ampla maioria da população do nosso país.

Se eu estou na lista acima? Não, nem quero voltar a fazer parte dela. Há 27 anos eu estava morando com minha mãe, minha irmã e meu irmão, em um quarto e sala emprestado (melhor que a realidade de muitos/as, não nego isso); apenas minha mãe trabalhando; sem creche ou algo do tipo; naquela época um “caçador de marajás” querendo desmontar uma constituição cidadã que acabava de nascer. Há 16 anos eu tinha acabado de terminar o curso de Serviço Social em uma universidade privada (com apoio de familiares e “bolsa empréstimo”); minha filha estava perto de nascer eu saía de um contrato professor substituto, mais precarizado que os contratos atuais, para vender sanduíche na madrugada; ainda era ajudante de pedreiro do meu sogro na construção da casa, no loteamento Gilberto Freire,  onde fui morar em meu primeiro casamento; aqui já era um sociólogo que entregava todo patrimônio público e falava em enxugar o Estado (enxugar para o povo pobre, claro). Não, não quero voltar 27 ou 16 anos atrás, hoje vivo bem mais confortável, o que não significa ficar confortável ao saber da miserabilidade de muitos das ameaças futuras.

Nos meus poucos 41 anos já vi servidor/as público achando ser rico e tendo seus salários achatados; mais na frente os vi servidores/as respirando um pouco mais aliviado e novamente vejo a ladeira descendo (agora eu sendo parte desse quadro). Infelizmente nem todos/as colegas servidores/as olham para política macro, muitos/as restringem seu olhar em um Messias e pagam para ver.

Não gostaria que se repetisse a velha crítica do/a Servidor/a contra o/a Trabalhador/a de CLT, exigindo a flexibilização, o fim da Justiça do Trabalho e do Ministério do Trabalho, achando sempre que o problema é o outro. Também não gostaria de acompanhar o contrário, o/a Trabalhador/a de CLT querendo acabar com os supostos privilégios dos/as servidores/as. Ambos sendo usados/as pelos governantes, que dividem os/as trabalhadores/as e retiram direitos de ambos, sem nenhum pingo de preocupação com os/as desempregados/as, assim como muitos/as celetistas e servidores/as não tiveram.

Não vivemos momentos bons para os/as trabalhadores/as, mas além de acreditar na força da luta dos/as trabalhadores/as, em especial daqueles e daquelas que não se deixam dividir por migalhas ou favorecimentos unilaterais, também acredito nas energias, por meio delas canalizo meus pensamentos e ações para que tenhamos muita força para conquistar um feliz natal e um feliz ano novo!

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