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terça-feira, 25 de setembro de 2018

O 29 de Setembro de 2018 que Mudou Nossas Vidas.



29 de setembro de 2018, eu estava lá. Elas deram uma lição de como defender o Brasil. As mulheres mostraram ao mundo que não podem passar por cima delas e seguir como nada tivesse acontecido. Naquele dia elas retiraram a pele de cordeiro que cobria o lobo, deixaram seus dentes e garras expostas ao mundo. Naquele ano eu era candidato ao Governo da Paraíba. A história não perdoou os candidatos que não se posicionaram sobre o assunto; não perdoou os candidatos que não disseram #EleNão; não perdoou os candidatos que o defenderam, estes sofreram as consequências.

Poucos dias antes desse 29 de setembro histórico para o povo brasileiro - digo histórico pelo fato de ter mudado a história das eleições daquele ano - eu estava em Guarabira, na nossa Paraíba, lá eu tive a sorte de participar de uma prévia organizada pelas mulheres na cidade. Sim, foi sorte, fui para cidade para uma pauta da campanha de governador e ganhei esse presente. Na saída do ato eu estava arrepiado, olhos alagados e voz embargada ao tentar falar para Adjany (guerreira amiga que fazia parte da chapa comigo naquelas eleições) o que eu pensava sobre aquela atividade, sobre o ato que viria a ser “apenas” uma prévia do que muitos de nós não imaginávamos o que seria o sábado seguinte em todo Brasil.

Em Guarabira eu vi uma relação intergeracional que não via há tempos. Vi uma juventude ativa, não “apenas” animando ato como em muitas ações contra o Golpe de 2016. Vi pessoas que não eram militantes ocupando as calçadas, saindo para as varandas e janelas de suas casas. Ouvi músicas e palavras de ordem horizontalizadas. O microfone não tinha don@, todas e todos tinham voz, e ninguém ocupou o espaço para aparecer ou fugir do tema, as falas foram claras: #EleNão.

No ato de Guarabira eu vinha de uma noite de duas horas de sono dentro de um carro. Tinha saído de quase 00h do debate da TV Diário do Sertão, em Cajazeiras, e chegando na casa do companheiro Belarmino, em Guarabira, perto das 6h. Praticamente só tive tempo de tomar café e ir para entrevista no Portal Mídia, mas, independente do peso do dia, terminei com a bateria carregada, ali minha bola de cristal, ou melhor, minha análise de aproximação da realidade, disse: as Mulheres mais uma vez darão a linha, o dia 29 de setembro vai mudar nossa história, vai marcar nossas vidas; só senti energia parecida no Fora Collor, primeiro ato que participei na vida, e nos levantes de 2013, quando setores da esquerda não souberam ser horizontal e perderam o bonde da história, felizmente as Mulheres não cometeriam o mesmo erro.

O dia 29 de setembro foi mais do que eu pensei. Os que estavam paralisados pelo medo, passaram a comprar o debate; os que estavam com falas derrotistas, viram a vitória como possibilidade; os que não conseguiam mais argumentar, não abandonaram mais nenhum debate.

No dia 29 de setembro todos viram as garras e os dentes do lobo, que não era “apenas” um nome, mas um conjunto de ideias que conseguiam esconder até então: o auxílio-moradia de quase 1 milhão de reais, mesmo tendo casa em Brasília; os 200 mil recebidos da JBS (lava-jato) e não devolvido para empresa, mas para o Partido que devolveu o mesmo valor ao #EleNão; o voto do #EleNão com Temer na EC95, que congelou gastos públicos com Segurança, Saúde e Educação; o voto do #EleNão com Temer na deforma trabalhista; as declarações contrárias ao direito das domésticas; as declarações de que seu ministro da cultura seria Alexandre Frota; que seu posto Ipiranga iria aumentar imposto para os mais pobres e reduzir para os mais ricos. Naquele dia, a pauta que garantia o apoio dos mercadores da fé ao #EleNão não faziam mais sentido diante da luz que espantava as trevas, as pautas identitárias se afirmaram, não regrediram uma linha de lá para cá, mas muito ainda existe para conquistar.

Os desdobramentos daquele 29 de setembro de 2018 teve impacto nas eleições e na vida de tod@s. Fico feliz de ter ficado do lado certo, de não ter tentado ser neutro, de não ter tido medo de perder voto, como perdi alguns, de não ter deixado de defender o que acredito, de ter seguido a luta das mulheres, de ter tido a firmeza de ir aos debates e entrevistas e ter dito: #EleNão, #EleNunca.

Obrigado, companheiras!