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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Clara Estrela, Mulher Sertaneja do Semiárido Brasileiro

Após o Congresso Estadual do PSOL, onde definimos meu nome como pré-candidato ao Governo da Paraíba, resolvemos (eu e minha companheira, da vida e da luta política) que merecíamos uma paradinha de 48h. Fomos para um festival e, entre música, cinema e debates, vimos o filme “Clara Estrela”, um documentário sobre a vida de Clara Nunes, virei fã.

Por muito tempo ouvi Clara Nunes como uma grande interprete, e “só”. Com “Clara Estrela” descobrir uma lutadora do povo, virei fã. Não é por acaso que eu - assim como milhões de brasileiros/as - conheça apenas a interprete, a ideologia dominante não quer propagandear uma mulher empoderada,  que vem do Povo, da Umbanda e que fala da Cultura Popular, é perigoso para ordem dominante, especialmente nos tempos nebulosos que vivemos.

Algumas conexões pessoais aproximam Clara (permitam uma breve intimidade) e eu: primeiro que ela é de Leão, assim como uma das guerreiras que mais amo, minha mãe, que também enfrentou e enfrenta cotidianamente o machismo presente em nossa sociedade; depois que somos (eu, clara e minha mãe) sertanej@s do semiárido brasileiro, região que rasga mais de mil cidades brasileiras, com uma grande identidade comum. Outra coincidência, essa nada positiva, é que essa grande mulher morreu com quatro décadas, ainda jovem, mesma idade que eu tenho.

Clara Nunes não cabia em sua pequena cidade, ganhou o Brasil, ganhou o mundo, mas sem esquecer suas raízes (familiar, classe, cidade...). Cantou o Brasil inteiro, cantou o mundo. Em “Clara Estrela” vimos a Estrela cantar a África, o Brasil, o Ceará, Pernambuco e a Paraíba, esteve ao lado  de importantes nomes, inclusive o nosso Sivuca.

Clara ganhou o Brasil e o mundo, queria que o mundo fosse de todos/as. Passou um recado belíssimo, não importa de onde você seja, não importa de onde sua arte seja, importa essa grande integração, importa o respeito e a valorização. Conheci uma mulher à frente do seu tempo, uma mulher à frente do nosso tempo.

Estou longe de ser uma Clara, precisaria nascer algumas vezes, mas estou feliz por ser do semiárido, sertanejo, nordestino, brasileiro, latino-americano. Escolhi a Paraíba para passar o restante dos dias da minha vida, aprendi a amar esse nosso lugar, mas o lugar onde nasci, o lugar onde cresci, os lugares onde passei e as pessoas com quem vivi, também são partes do que sou, assim como aprendi com Clara e ela hoje também é parte desse todo que a cada dia é um novo ser.