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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A Vida é Cocada Boa!

Nos últimos anos tenho buscado montar parte do quebra-cabeça que forma a vida, a minha vida, tenho visto fotos, perguntando, escutado, observado. Podemos fazer um grande esforço, mas nunca saberemos nossa história na íntegra. Na maior parte, o que temos são nossas lembranças, por vezes distorcida da realidade, e o que nos contam, com todas as variações de um telefone sem fio. Nem mesmo o impacto dessas lembranças, reais ou construídas, podemos saber em sua completude.

Esses dias minha mãe, contando uma conversa recente que teve com minha vó, perguntou se eu lembrava da história dos carros de romeiros. Claro que lembro, e lembro com alegria, só não imaginava que a vó lembrava ou que isso mexia com ela.

Eu tinha uns 7 ou 8 anos. Morávamos na saída da cidade (Mombaça), bem no caminho dos/as romeiros/as que iam para Canidé ou para Juazeiro do Norte. Quando eu avistava de longe aquele monte de Pau de Arara chegando, reduzindo a velocidade e se ajuntando, eu saía correndo para dentro da bodega: “vó, vô, chegou um monte de romeiro”.

Não sei quando isso começou, mas sei que era a forma que a vó achava para não tumultuar a bodega. Assim que os caminhões estacionavam a vó mandava lago que eu fosse com alguns pacotes de cocada para vender nos caminhões, depois eu voltava correndo com uma garrafa cheia de água e um copo, ali completava minha missão. Dessa forma os romeiros que tinham alguns cruzados a mais podiam entrar na bodega e comprar mercadorias mais caras como bolo, doce de leite e suco. Assim todo mundo era atendido e não perdíamos clientes.

A vó é e sempre foi muito criativa, eu sempre estava nos planos, além das cocadas, eu lembro da venda de dindim e de máscaras de carnaval, aquelas de papelão com elástico, as vendas eram sempre na porta de escola particular, pense numa vó esperta. Também em Mombaça - mas na casa que morei com a mãe, a Márcia e acho que já com o Felipe - lembro de sair com uma bacia coberta por um pano de cozinha, vendendo uns pães que a mãe fazia, era sucesso, venda fácil.

Eu não era obrigado a fazer essas tarefas (ao menos que eu lembre), nem deixava de estudar ou brincar por causa delas. Lembro que eu ficava um pouco envergonhado no começo, mas percebia a necessidade e gostava de ajudar. Sem dúvida que esses acontecimentos são parte desse todo que sou, ou da parte que imagino ser. Essas histórias devem ter ajudado para “os pulos” que dei diante das contas que chegaram anos depois, já vendi cachorro quente, lanche na madrugada, adesivo, ímã de geladeira, camisas, poesia. Na militância também ajudou, sempre estive entre os melhores vendedores de jornal, rifa, agenda. Cheguei a fazer uma formação para vender assinatura de jornal, mas não rolou, era um formato muito burocratizado, desisti, gosto do olho no olho.

Não sou quem sou por causa disso, claro; mas sou o que sou também por causa disso. Naquela época o país estava com uma inflação galopante; eu não entendia porque parte da minha merenda da escola (com carimbo de venda proibida) era vendida no mercadinho; os movimentos sociais e a esquerda se firmava; eleições diretas estavam prestes a acontecer… mas eu era criança e não lembro de dificuldade no período da cocada, lembro de subir no pé de manga, no pé de goiaba; de correr livremente pelas ruas; dos banhos de rio; do caldo de cana do tio Dioclécio; do delicioso alfinim puxado e esticado até chegar no ponto.

O engraçado é que comecei a digitar esse texto pensando em escrever sobre minha pré-candidatura ao Governo da Paraíba, eu ia descrever o Congresso do Partido, o ânimo da tropa, minha animação, agradecer cada militante e agradecer os apoios que chegaram junto com a divulgação de que serei candidato ao Governo da Paraíba em 2018. Agora acho até que nem precisava, que todos/as já estavam devidamente agradecidos/as. Acho mesmo que essas linhas “é coisa” de quem entra nos “enta” na próxima semana (31/10), isso completarei minha quarta década.

Na verdade, penso que essas linhas precisavam ter vindo, nas entrelinhas, e entre elas e o agora, muito passou. É esse pacote que arregaça as mangas para as novas tarefas da mesma vida que segue, mesmo sabendo que a maior parte das pessoas conheçam apenas as partes (o Assistente Social, o Pai, o Militante, o Carnavalesco, o Companheiro) e tire suas conclusões.


Tô no pique! Vamos que vamos!

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