Siga o Blog por E-Mail.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

#OcupaMINCPB: Ocupar, Transformar e Ser Transformado

Primeiramente, Fora Temer!

Não lembro de ter ficado tão emocionado em minha vida militante como fiquei no dia 22 de junho de 2016, quando o #OcupaMINCPB deixava o prédio do IPHAN para ocupar as Praças e as Ruas. Nem mesmo nos grandes atos de 2013 fiquei tão emocionado, foi como se nos 34 dias de ocupação eu tivesse de fato conhecido e reconhecido minhas/meus companheir@s de 2013.

Não vou escrever sobre a importância nacional do #OcupaMINC, já muito bem compreendida pela militância; sobre o distanciamento intencional de algumas organizações ou indivíduos dit@s “organizad@s”; ou sobre aspectos que eu levantaria de forma violenta no meu tempo de militância puramente analógica, como diria meu amigo e dirigente Edilson Silva. Dedicarei os poucos próximos parágrafos aos aspectos positivos do que entendo ser a nova esquerda digital e horizontalizada.

Quando falo sobre @s verdadeir@s dirigentes de 2013, é que naquele ano alguns abandonaram o “barco” pelo simples fato de não “dirigirem” o processo, como se a criticidade coubesse apenas em suas organizações ou não pudessem permitir que outras organizações tomassem corpo naquele processo. Parte da esquerda abandonou 2013 por não dialogar com sua horizontalidade e seus questionamentos ao governo, cada um/a foi inventando (a palavra é essa) uma justificativa para “abandonar o navio”.

No #OcupaMINCPB não teve espaço para verticalidade, nem mesmo na hora de dialogar com o “chefão” do IPHAN na Paraíba ou com a guarda municipal sobre o toldo na frente da ocupação, nos momentos mais tensos a solução foi diálogo e respeito ao outro.

Ninguém cobrava d@ outr@ mais do que @ outr@ poderia fazer. Dormi apenas três dias no ocupe, mas muitos que não dormiram nenhuma noite contribuíram muito mais que eu. Não existia tarefa mais importante que a outra. Do varrer ao cozinhar, do lavar banheiro ao coordenar uma reunião, do ir para Brasília ao articular a programação, cada um/a tinha sua importância, ninguém era chamado de pelego por não fazer isso ou aquilo, ninguém era chamad@ de pelego por defender suas opiniões.

Nesses 34 dias não teve espaço para quem queria aparelhar, ditar uma linha, defender o indefensável; ninguém era mais ou menos cobrado por ocupar cargo “X” ou “Y”, por militar nessa ou naquela área; por ser menos ou mais conhecido. Vi, reconheci e permiti que nov@s (uns jovens e outros nem tanto) militantes fossem meus/minhas dirigentes.

Tive a honra de articular com @s companheir@s do Movimento Raiz a Ida do Célio e da Erundina para visitar o Ocupe, ambos fizeram falas infinitamente superior as realizadas em auditórios, foram falas cheias de vida, de rua, de energia, de ocupe. Conheci guerreir@s de outras nacionalidades, de outras regiões, de outras cidades. Não fui cobrado nem tentei dirigi, mas fui convidado e tive espaço para compartilhar. Erámos mestres/as, doutores/as, graduad@s, sem formação acadêmica, guardadores de carro, assistentes socias, advogad@s, malabares, músicos, nada disso nos diferenciava ou ampliava a cobrança, cada uma ia até onde seu limite permitia.

Mulheres, Negr@s e a comunidade LGBT eram parte do Ocupe, a horizontalidade do diálogo e das decisões não dava espaço para que o racismo, o machismo e a homofobia, todos presentes em nossa sociedade, desse a linha na ocupação.

Podemos até tentar, mas ainda não fazemos ideia da grandiosa tarefa e da importância do #OcupaMINC na luta pelo #ForaTemer, na luta em defesa da democracia e dos direitos. O Ocupa não desocupou o prédio, simplesmente resolveu ocupar as praças e as ruas, seu papel de unir e fortalecer a luta contra o Golpe para além das organizações partidárias é uma realidade. Por mais que alguns tentem negar ou reduzir esse momento, aí está a nova esquerda, sem amarras, sem burocracia, com liberdade.

Assim como em 2013, mais precisamente no último ato, durante a licitação que entregaria a rodoviária para as empresas privadas (ato que faz eu responder processo até hoje), no 34º dia do #OcupaMINCPB, quando olhei para o lado, durante reunião da Frente Povo Sem Medo, vi @s que não abandonaram o barco em 2013 ao lado d@s que fizeram o Ocupe.

Para fazer escorrer minhas lágrimas e inchar meus olhos, entrou em cena o Boi da Loca, após um belo som, o vocalista começou a lembrar da luta dos nossos ancestrais, da loca como espaço de ocupação e resistência, do Boi saindo da morte ao encantamento. Não sei se as belas palavras, não sei se minha sensibilidade, não sei se a energia da mistura de angustia e esperança expressa em nosso corpos, mas eu não consegui tirar os olhos do vocal e parar de chorar.

Minha cabeça jamais será a mesma. A visão do gado dos congressos da velha esquerda virou esperança, virou a ocupação das locas, virou o Boi Encantado.

Sei que é só o começo. Companheir@s que fizeram e seguirão fazendo o #OcupaMINC, Obrigado!

#ForaTemer


#NenhumDireitosAMenos

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Oi gente, comentem e façam sugestões! Abraço.