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sexta-feira, 22 de abril de 2016

O Espaço, O Mundo, O Balcão, O Forró, O Carnaval.

Há algum tempo eu não saía sozinho para observar a noite, não poderia ter sido em dia melhor, um forró no Espaço Mundo. O forró permite uma diversidade visual tremenda, observei bastante, ri muito e dancei pouco forró. Em nossa João Pessoa essa diversidade tem um algo mais, no Rock você encontra o cara do Regae, no Samba você encontra a garota do maracatu e assim segue. No forró de quinta-feira tinha de tudo, muito bacana.

Cheguei exatamente na hora que começou “Os Fulanos”. Cumprimentei @s conhecid@s. Pedi uma Heineken e uma porção de pastel. Sentei no melhor lugar, em um banco alto no balcão. Passei a curtir o som e as pessoas, gente é muito massa, e quando não é aquela coisa igual, o mesmo cabelo, a mesma roupa, o mesmo “plástico”, aí é ainda melhor.

No Espaço tinham pessoas como eu, sozinhas no balcão sem chamar ninguém pra dançar; outras sozinhas e chamando todo mundo para dançar, sem ligar para fora ou crítica dos passos; tinha ainda os grupos, os profissionais, que vinham treinados da academia, e os largados, curtindo a noite que era construída ali, a cada momento.

Tive sorte nesse meu retorno solitário para observar a noite, dois grupos libertários e um solitário dançarino foram se arrumando exatamente ao meu lado, no melhor lugar do Mundo, no balcão.

Difícil descrever a figura coreografada que dançava com as melhores dançarinas da festa, não se limitava ao seu grupo da academia; não era dos mais belos para os padrões globais, assim como eu não sou, mas chegava educadamente, declinava a mão como nos filmes que relatam os bailes da Monarquia, ajustava uma das mãos dela sobre a dele e a outra em sua cintura e começava uma dança que segurou meu olhar, até eu perceber que eram os mesmos passos e os mesmos gestos, do rodopio no chão ao olhar treinado e nada sensual.

O solitário ao meu lado esquerdo dançava MUITO, em minha simples opinião, ele ia da pirueta ao coladinho, caladinho curtia a noite coladinho.

O grupo que também estava do lado esquerdo, uma dupla para ser mais preciso, era bem diverso, a garota era chamada a todo momento para dançar e ia sem olhar cor, altura ou roupa de quem a convidava; o seu amigo, que vestia preto (camisa de rock) e usava uma trança bem bacana, caída até a cintura, ficava no melhor lugar do Espaço, no balcão, apenas observando, sem dançar nada; ao menos até a sua amiga o tirar para dançar, prefiro não descrever a dança, limito a afirmar que eles se divertiram, e eu também.

Achei que ia ficar como na adolescência, sem ninguém chamar para dançar, mas não foi bem assim, o grupo que estava ao meu lado direito, e que era muito divertido, já observava o meu olhar e minhas risadas diante do animado salão, uma das belas do grupo, de cabelo espaçoso, rosto fino e sorriso fácil, resolveu fazer um convite e arriscar uma dança, até que deu certo, não pisei no pé dela.

Mais para ficar ainda melhor, melhorou! Chegou uma figura, um quadrilheiro, que não parava um só segundo, daquelas figuras super empolgadas (do mesmo grupo do meu lado direito) que de repente pegou no meu ponto fraco, dançou um forró puxado para o frevo, daí para frente eu via o Carnaval.

Ainda fui convidado para dançar mais uma vez, por outra figura de sorriso largo, como o espaço do seu corpo na dança e sua bela boca.

Como no Carnaval, o rapaz do rock tomou coragem e chamou sua amiga para dançar, ela, com um sorriso que eu lia na legenda um “gostou né?!”, aceitou, e tomaram conta do salão. No mesmo clima resolvi fazer meu primeiro convite da noite, a dançarina era do mesmo grupo do sorriso, com um vestido colorido e um cabelo que era ainda mais abrilhantado com uma bela flor que completava seu sorriso largo.


Sem segundas, terceiras ou quartas intensões, observei a noite, tomei uma gelada, ri muito, dancei sem levar nenhum fora e não acordei tão quebrado para esse dia que só acaba agora.

2 comentários:

  1. Que ótimo, Tarcio!Gosto muito do modo em que você escreve. Também gosto de escrever, mas guardo meus escritos para mim, ainda não tive coragem de criar um blog. Quero que saibas que sou um leitor fiel de seus textos. Os acompanho com a mesma frequência em que os você posta. Boa sorte na luta e na vida!

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