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segunda-feira, 16 de março de 2015

13 ou 15 de março: o que você defendeu? o que disseram por você? o que irão escutar!


Obviamente que existem polêmicas (e muitas) entre os atos de 13 e 15 de março, tanto que trato delas no conteúdo do texto publicado no dia 12 desse mês (http://www.tarcioteixeira.com/2015/03/15-ou-13-de-marco-uma-falsa-polemica.html). Quando disse ser uma falsa polêmica “que não nos cabe” foi por um único fato, nem o PSOL, nem eu, nem você, somos obrigados/as a decidir entre dois dias em meio a 365 dias de autonomia e diferenciação diante dos ataques do Governo Dilma e da oposição de direita que já governou nosso país.

Os atos realizados em João Pessoa seguiram a linha da análise que eu fazia entre companheiros/as de militância, a participação nos atos foi muito menor que as manifestações que realizamos em 2013. Realidade que foi repetida na maio parte do país, onde os atos também não superaram junho de 2013. A maior diferença ficou em São Paulo, onde o ato foi muito maior, possivelmente pelo fato de ter tido uma participação importante da grande mídia em sua convocação/mobilização. 

As polêmicas aumentaram e dizem respeito ao rumo de todo país!


Avaliando o dia 15 de março

Alguns conhecidos/as, amigos/as e parentes estiveram no ato do dia 15 de março, e não foram para defender a volta da ditadura ou pedir impeachment, mas para dizer não a corrupção instalada no sistema político brasileiro, defender a Petrobras e dizer que a população deve ter maior participação no atual sistema político. Ou vão dizer que as centenas de milhares de pessoas presentes nos atos do dia 15 de março são os pelegos/as, corruptos/as e defensores da ditadura?

Apesar da vontade de muitos/as, não é apenas a boa intenção de presentes no dia 13 ou no dia 15 que define o direcionamento dos atos, a direção dada pelos organizadores/as pode dizer muito mais, fiquemos atentos. Eu jamais participaria do dia 15 tendo entre seus agitadores os principais dirigentes do DEM (ACM Neto; José Agripino; Ricardo Caiado; Efraim- presente no ato de João Pessoa), do PSDB (Aécio Neves; Cássio Cunha Lima – Governador Cassado por uso indevido do dinheiro público; Fernando Henrique Cardoso – responsável pelas entrega do patrimônio público brasileiro) e do PP (Jair Bolsonaro – defensor da Ditadura e contra as liberdades individuais). Assim como o PT e o PMDB, todos esses partidos estão com nomes citados na lista da operação Lava Jato, eles são mudança e contra a corrupção? Entendo que não.

Alguns desavisados/as inocentes podem dizer que esses partidos são livres para expressar solidariedade a seja o que for a “causa”, que o que importa é que não são organizadores dos atos. Por esse motivo fui pesquisar entrevistas e postagens dos dirigentes dos “Revoltados Online”, “Vem pra Rua” e “Brasil Livre”, organizações que convocaram, deram entrevistas, e estiveram presentes nos carros de som do dia 15 de março dando a linha das manifestações. De pronto achei a foto de alguns deles ao lado do Ronaldo Caiado[i] (Senador do DEM, do falecido ACM/PFL) entregando propostas; uma entrevista (“Isto é” ) na qual outro diz que o evento não é apartidário, mas “suprapartidário” (com quais partidos? Livre da Lava jato e da Privataria?); ainda tem representante que defendeu militarismo e limitação de cinco partidos no Brasil (Extrema direita, direita, centro, esquerda e extrema esquerda). Mudar não é andar para trás!

Em junho de 2013 fui cercado por cinco bombados gritando e querendo criar confusão, gravei a cara deles (Dirigentes do DCE de uma faculdade privada), saí de perto e fui pesquisar cada um deles, quatro tinham filiação partidária, e não por acaso eram ao DEM e ao PSDB. Uma coisa é o que os de “boa fé” dizem, outra é a intenção das direções dos atos, posição central que vai parar na "boca" da grande mídia e nas manobras do Congresso Nacional.

Devemos defender nosso país, mas com a clareza que defender o verde e amarelo da nossa bandeira e/ou vermelho da histórica (e internacional) luta dos/as trabalhadores/as, não é o mesmo que defender o vermelho da bandeira do PT ou o verde e amarela das marcas do DEM e do PSDB, ou mesmo o verde e amarelo das camisas da CBF presentes nos atos (alguém falou em corrupção?). Defender o Brasil é defender a democracia e a liberdade! Defender o Brasil é não cair/seguir nos erros do PT, PMDB, DEM, PP, PSDB. Nossa pressão deve ser por uma Reforma Política que amplie a participação popular e por mais direitos.

Passei o domingo vendo os atos pela internet e pela TV (aberta e fechada). As matérias de televisão, com maior participação da Rede Globo, como que percebendo a fragilidade dos atos da manhã (comparando com 2013 e com o dia 13), correu para potencializar os atos da tarde (com maior foco para São Paulo); ou foi dada a mesma cobertura nos atos de dois dias antes? Ou foi por acaso potencializar as “informações” para o estado mais importante dirigido pelo PSDB? Ou vão dizer que acreditam na neutralidade profissional da grande mídia?

Acreditam em coincidência? Nem eu! Não é a intenção da maioria dos presentes nos atos, mas os organizadores pensaram em uma data marcante. O dia 15 de março é um marco histórico da Ditadura em nosso país. Três ditadores tomaram posse no dia 15 de março. A Marcha da Família com Deus e Pela Liberdade foi realizada em 15 de março de 1964, um marco para instalação da ditadura de 64, ato este que, diga-se de passagem, tentaram reeditar em 2014 e foi um fracasso.

Não quer acreditar em algumas coisas que digo sobre os organizadores do 15 de março, então conheça um pouco sobre eles em outras fontes, basta clicar nos links da nota de rodapé[ii] ou fazer uma breve busca no google.

Avaliando o dia 13 de março

O primeiro grande erro foi fazer um ato em defesa do Governo, quem acompanhou os debates nacionais para organização do ato, viu as bandeirinhas e as palavras de ordem pró Dilma, sabe do que estou tratando. O segundo grande erro, realizar esse ato dois dias antes do dia 15 na tentativa de demostrar forças no apoio ao Governo. O rumo do Governo Dilma (PT), cercado de corrupção (vinda de outros governos) e retirando direitos dos trabalhadores/as, é indefensável por parte da nossa classe. Sem medo de errar, e parte do PT sabe disso, digo que o ato do dia 13 potencializou o ato do dia 15 de março em um claro rechaço aos rumos tomados pelo PT em nosso país.

Nem João Goulart saiu vitorioso no 13 de março, não foi uma boa escolha o embate de calendário, Dilma nem de longe, nem de bem longe, é um Jango.

Quem quer tapar o sol com a peneira vai dizer que fulano ou beltrano estava no ato para defender a Petrobras e os direitos; eu não tenho dúvida disso, muita gente foi com essa pauta, mas estou falando da intencionalidade do ato e das direções que estiveram e/ou souberam de como esse ato foi organizado nacionalmente. É possível defender a Petrobrás e lutar por direitos sem fazer as devidas criticas ao Governo? Sejam ou não militantes de alguma organização, alguns que estiveram no ato do dia 13/03 e muitos que não participaram, perceberam que foi um ato pró Dilma.

O dia 13 de março poderia ter sido outro, para isso a linha do ato precisaria ser mais ampla, sem os velhos métodos de tentar hegemonizar o movimento. Era preciso perceber a necessidade de pressionar o Governo para recuar: nas medidas provisórias que retiram direitos dos/as trabalhadores/as; nos ataques a saúde pública (EBSERH e abertura para mercado internacional); no desmonte da demarcação das terras indígenas; no crime ambiental chamado Belo Monte. O debate da Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político precisava ter aparecido junto a denúncia dos/as envolvidos/as na corrupção, cobrando medidas que afastem os/as envolvidos/as dos cargos que ocupam no Governo e no Congresso Nacional, forçando para que partidos como DEM, PMDB e PSDB façam o mesmo. Com essa pauta a resposta das ruas seria outra.


Nem 13, nem 15, queremos Democracia e Liberdade

Nossa bandeira não deve ser a defesa da Dilma (PT) ou a entrada do seu Vice (Michel Temer/PMDB), do Presidente da Câmara (Eduardo Cunha/PMDB- citado na Lava Jato), presidente do Senado (Renan Calheiros/PMDB- Preciso dizer algo mais?). Qual motivo dessa lista? São os que podem assumir em caso de impeachment.

Não podemos ser dirigidos/as por Governistas ou Opositores, devemos ser dirigidos por nossas bandeiras, nossa direção deve ser a Liberdade, a Democracia, uma Reforma Política que amplie a participação popular e não uma que consolide a ideia do bipartidarismo entre PT e PSDB, que já provaram não governar para o povo.

Nossa direção deve ser a Luta Por Direitos, nela temos unidade!





[i] "Tudo pronto. A caminho da Avenida Paulista. Vou aproveitar que estou em São Paulo para exames pós-operatórios para acompanhar meus filhos e amigos que moram aqui. Ao lado de minha esposa Gracinha, vamos exercer nossa cidadania! Chega de corrupção. Chega de PT! Que grande dia!!!” - Ronaldo Caiado (DEM). (postagem no Facebook, no dia do ato do dia 15 de maio- Que moral tem o DEM?).

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