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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Governadores do Nordeste e a Política na Paraíba, Autoridades sem Povo!*

*Tárcio Teixeira
Ex candidato ao Governo da Paraíba.

Considero, no mínimo, um abuso a Paraíba sediar o “Encontro dos Governadores Eleitos do Nordeste” e fazer desse um evento para autoridades e fechado para população. Nossa Paraíba abrigar um evento de tamanha magnitude e não ter sequer um debate com a sociedade civil é um claro recado do Governador Ricardo Coutinho de que fará um governo ainda mais fechado que o primeiro, limitado ao debate entre prefeitos e deputados e distante da população e das organizações da sociedade civil.
Os governadores pretendem construir uma carta com alternativas para o Nordeste em uma tarde, ou nos bastidores que antecedem o evento, mas algo elaborado de cima para baixo, sem o devido debate com a sociedade, não trará alternativas para população, mas para seus financiadores de campanha; deve ser por esse motivo que evento será no Centro de Convenções, obra construída pela maior doadora da campanha de Ricardo Coutinho, a Via Engenharia, que o apoiou com R$2.600.000,00 (Dois Milhões e Seiscentos Mil Reais) no último processo eleitoral.
Independente do que essas autoridades (os governadores do Nordeste) debaterão em terras paraibanas, precisamos ficar atentos aos últimos acontecimentos locais, pois aqui não temos nem a Carta da Paraíba, nem políticas públicas de qualidade. Aqui as eleições nem terminaram e já percebemos novos acordos e/ou sequência dos conchavos eleitorais.
Durante o processo eleitoral denunciei que empresas que doaram mais de meio milhão de reais para campanha do Governador Ricardo Coutinho (PSB) foram, diretamente ou por meio de empresas do mesmo grupo, favorecidas com 15 anos de renúncia fiscal, tudo isso em pleno processo eleitoral. O responsável legal pela isenção foi Renato Costa Feliciano, então Presidente do Conselho Deliberativo do FAIN (Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Industrial) e, coincidência ou não, filho de Ligia Feliciano (PDT), hoje Vice-governadora eleita na chapa com Ricardo Coutinho.
Nas últimas eleições alguns desavisados ficaram abismados ao ter a notícia de que o PT, que havia feito dura oposição ao Governo Ricardo/Cássio, formaria chapa na eleição de 2014 com o PSB, o que foi materializado com Lucélio Cartaxo (PT) candidato ao Senado e Coutinho (PSB) para Governador, com uma Feliciano (PDT) de vice. Nos debates entre candidatos realizados em Cajazeiras, Patos e Campina Grande, o então candidato a reeleição falava de Maranhão (PMDB) e esquecia do candidato do PT, percebi rapidamente a aliança para o segundo turno, mas também estava claro que o toma lá dá cá tomaria proporções maiores no pós eleição e assim vem sendo.
Lembro da matéria[1] do WSCOM que questionava o fato de imóvel do Deputado federal Damião Feliciano (PDT), marido de Ligia Feliciano (vice de Coutinho) e pai de Renato Feliciano (aquele das isenções), ter ficado ileso da determinação da Superintendência do Patrimônio da União (SPU) na praia do Bessa, mesma determinação que deixou a ONG Guajirú sem sede e as tartarugas marinhas sem proteção. O respeitado portal fazia o questionamento, entre outros motivos, porque teria sido o Deputado o responsável por indicar Daniella de Almeida Bandeira para ser a Superintendente da SPU na Paraíba. A triangulação vai se consolidando.
Na última semana, a Daniella de Almeida Bandeira, a mesma que ocupava a SPU na Paraíba, foi anunciada por Luciano Cartaxo (PT), irmão do Cartaxo derrotado para o Senado, como a nova Secretária de Meio Ambiente de João Pessoa. Coincidência ou não, no mesmo período, dezenas de portais, rádios e jornais, começam a anunciar (quase como certa) a nomeação de Lucélio Cartaxo (PT) para gerir a Companhia Docas da Paraíba, ainda o anunciam como possível candidato a Prefeito de Cabedelo.
Até onde vão os cruzamentos entre as novas e as velhas oligarquias? Até onde vale a troca de cargos, de apoios e de domicílio eleitoral? Até onde vai a relação entre os Cartaxo, os Feliciano e os Coutinho? Uma coisa é certa, nós, povo ou organizações da sociedade civil, ficamos a margem desse processo, vendo o financiamento privado de campanha no centro do debate político; ou estaríamos falando de competência técnica?
Só uma curiosidade para concluir, a Via Engenharia, empresa que tem o nome presente na Prestação de Contas Eleitoral da campanha do Cartaxo, do Coutinho e do Feliciano, é também a empresa que fez o teto que acolherá as autoridades do Nordeste. Empreiteiras, meio ambiente e política, o que sairá (ou vem saindo) dessa mistura?

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