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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feliz 2014! Que Venha 2015!

Escrevo esse texto de final de ano ao som do frevo, sinal de que tivemos um ano bom, de muita energia e coletividade. Tive um ano feliz com minha família, que terminou maior com a chegada do Gael (23/12/14), meu mais novo sobrinho. Começamos 2014 em uma dura disputa pela reeleição no CRESS/PB, processo no qual tivemos nosso trabalho reconhecido, @s Assistentes Sociais da Paraíba escolheram nosso coletivo com um percentual de votos superior ao processo eleitoral de 2011. A vitória do PCCR d@s servidores/as do MPPB foi um marco importante de outra coletividade que faço parte. Os planos com minha companheira estão seguindo de acordo com o planejado.

Cada uma das coletividades que faço parte daria um texto específico e de muitas linhas, mas o “Vida Vivida” (nosso blog), em seu cotidiano, já conta muito dessa história, assim como a página do Conselho Regional de Serviço Social da Paraíba (www.cresspb.org.br) conta a história de lutas e conquistas d@s Assistentes Sociais da Paraíba, uma jornada muito superior a nossas bandeiras corporativas.

Em meio a tantas coletividades, uma teve um alcance maior que os limites da minha família, profissão ou militância em setor A ou B, estou falando da dura tarefa de ser candidato ao Governo da Paraíba pelo PSOL, momento no qual nossa individualidade acabou quase que inexistindo para atender a demanda de muit@s, inclusive de quem não votou em nossa candidatura.

Assim como o frevo a todo momento testa o corpo e a mente, eu fui testado entre julho e outubro, eram perguntas escorregadias, os mais variados temas, abordagens contributivas e oportunistas, longas agendas, centenas de quilômetros, muito estudo, pensamento relâmpago, olheiras e 05kg a menos. No caminho, perceber a mudança de alguns jornalistas “independentes” ao escrever ou falar sobre nós, de adversários mudando a forma de tratar e de populares e dirigentes que passaram a não só elogiar, mas apresentar demandas para as entrevistas, guias e debates, deixava claro que estávamos no caminho certo. Deixamos de ser uma incógnita e passamos a ser parte direta do processo eleitoral, graças, não só ao esforço individual, mas, principalmente, pelo trabalho coletivo superior ao PSOL.

Passou a eleição e percebi que muita coisa mudou, a carga daquele processo não ficou em outubro, veio como na marca da nossa campanha, “para além das urnas, por direitos e liberdade”.  Em 2015, farei o possível para não cometer os mesmos erros de um passado recente, quanto tentei resolver sozinho tarefas que são coletivas. A “coragem” (prefiro disposição e disponibilidade) que alguns dizem que eu tenho, seguirei tendo, mas por entender que ela é decorrente de uma (ou várias) coletividade.

Aprendi muito em 2014, enfrentei - de igual para igual - um político cassado e um possível cassado, mas, independente da condição moral, não posso negar a capacidade intelectual dos candidatos que foram ao segundo turno das eleições na Paraíba; felizmente posso fazer outra afirmativa, depois desse processo estou mais capacitado, mais preparado, com o estômago mais protegido para seguir nossa jornada na política, com a honra de seguir sem atrelamento a financiadores privados de campanha ou aos conchavos com Assembleia Legislativa ou para formação de secretariado e outros órgãos do governo. Sigo nos diferentes coletivos, sendo mais um na luta por uma Paraíba igualizaria.

Sei que em 2015 seguirão os testes, as pressões e os ataques aos nossos direitos. Sei que em 2015 seguiremos “para além das urnas, por direitos e liberdade”. Assim como os diversos instrumentos formam uma forte orquestra de frevo, em 2015 nossas diferentes coletividades avançarão no caminho de uma unidade vitoriosa enquanto Classe.

Obrigado por ter feito parte do meu 2014, por termos feito - junt@s - o nosso 2014.

Feliz 2015!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Governadores do Nordeste e a Política na Paraíba, Autoridades sem Povo!*

*Tárcio Teixeira
Ex candidato ao Governo da Paraíba.

Considero, no mínimo, um abuso a Paraíba sediar o “Encontro dos Governadores Eleitos do Nordeste” e fazer desse um evento para autoridades e fechado para população. Nossa Paraíba abrigar um evento de tamanha magnitude e não ter sequer um debate com a sociedade civil é um claro recado do Governador Ricardo Coutinho de que fará um governo ainda mais fechado que o primeiro, limitado ao debate entre prefeitos e deputados e distante da população e das organizações da sociedade civil.
Os governadores pretendem construir uma carta com alternativas para o Nordeste em uma tarde, ou nos bastidores que antecedem o evento, mas algo elaborado de cima para baixo, sem o devido debate com a sociedade, não trará alternativas para população, mas para seus financiadores de campanha; deve ser por esse motivo que evento será no Centro de Convenções, obra construída pela maior doadora da campanha de Ricardo Coutinho, a Via Engenharia, que o apoiou com R$2.600.000,00 (Dois Milhões e Seiscentos Mil Reais) no último processo eleitoral.
Independente do que essas autoridades (os governadores do Nordeste) debaterão em terras paraibanas, precisamos ficar atentos aos últimos acontecimentos locais, pois aqui não temos nem a Carta da Paraíba, nem políticas públicas de qualidade. Aqui as eleições nem terminaram e já percebemos novos acordos e/ou sequência dos conchavos eleitorais.
Durante o processo eleitoral denunciei que empresas que doaram mais de meio milhão de reais para campanha do Governador Ricardo Coutinho (PSB) foram, diretamente ou por meio de empresas do mesmo grupo, favorecidas com 15 anos de renúncia fiscal, tudo isso em pleno processo eleitoral. O responsável legal pela isenção foi Renato Costa Feliciano, então Presidente do Conselho Deliberativo do FAIN (Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Industrial) e, coincidência ou não, filho de Ligia Feliciano (PDT), hoje Vice-governadora eleita na chapa com Ricardo Coutinho.
Nas últimas eleições alguns desavisados ficaram abismados ao ter a notícia de que o PT, que havia feito dura oposição ao Governo Ricardo/Cássio, formaria chapa na eleição de 2014 com o PSB, o que foi materializado com Lucélio Cartaxo (PT) candidato ao Senado e Coutinho (PSB) para Governador, com uma Feliciano (PDT) de vice. Nos debates entre candidatos realizados em Cajazeiras, Patos e Campina Grande, o então candidato a reeleição falava de Maranhão (PMDB) e esquecia do candidato do PT, percebi rapidamente a aliança para o segundo turno, mas também estava claro que o toma lá dá cá tomaria proporções maiores no pós eleição e assim vem sendo.
Lembro da matéria[1] do WSCOM que questionava o fato de imóvel do Deputado federal Damião Feliciano (PDT), marido de Ligia Feliciano (vice de Coutinho) e pai de Renato Feliciano (aquele das isenções), ter ficado ileso da determinação da Superintendência do Patrimônio da União (SPU) na praia do Bessa, mesma determinação que deixou a ONG Guajirú sem sede e as tartarugas marinhas sem proteção. O respeitado portal fazia o questionamento, entre outros motivos, porque teria sido o Deputado o responsável por indicar Daniella de Almeida Bandeira para ser a Superintendente da SPU na Paraíba. A triangulação vai se consolidando.
Na última semana, a Daniella de Almeida Bandeira, a mesma que ocupava a SPU na Paraíba, foi anunciada por Luciano Cartaxo (PT), irmão do Cartaxo derrotado para o Senado, como a nova Secretária de Meio Ambiente de João Pessoa. Coincidência ou não, no mesmo período, dezenas de portais, rádios e jornais, começam a anunciar (quase como certa) a nomeação de Lucélio Cartaxo (PT) para gerir a Companhia Docas da Paraíba, ainda o anunciam como possível candidato a Prefeito de Cabedelo.
Até onde vão os cruzamentos entre as novas e as velhas oligarquias? Até onde vale a troca de cargos, de apoios e de domicílio eleitoral? Até onde vai a relação entre os Cartaxo, os Feliciano e os Coutinho? Uma coisa é certa, nós, povo ou organizações da sociedade civil, ficamos a margem desse processo, vendo o financiamento privado de campanha no centro do debate político; ou estaríamos falando de competência técnica?
Só uma curiosidade para concluir, a Via Engenharia, empresa que tem o nome presente na Prestação de Contas Eleitoral da campanha do Cartaxo, do Coutinho e do Feliciano, é também a empresa que fez o teto que acolherá as autoridades do Nordeste. Empreiteiras, meio ambiente e política, o que sairá (ou vem saindo) dessa mistura?