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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Ocorre Troca de Corpos no Clementino Fraga e a Culpa é do Serviço Social?


Não posso responder pelo Conselho Regional de Serviço Social 13ª Região- Paraíba (CRESS/PB), pois estou afastado do cargo de Presidente desde dezembro passado para concorrer a reeleição pela Chapa “Seguir na Luta, Forte e Independente”; mas, como temos feito nos últimos anos, não posso deixar de intervir em um processo que atinge nossa profissão como um todo.

Primeiramente gostaria de prestar toda minha solidariedade aos familiares de Josinaldo e de Josildo, sem dúvida a troca dos corpos causou muitos transtornos e tristeza. Não tenho dúvida de que estamos tratando aqui de vítimas do caos instalado na saúde na Paraíba e em todo Brasil.

Digo, sem pestanejar, que na saúde é onde encontramos o maior problema ligado ao Serviço Social, falta de condições de trabalho e existe muito assédio moral e imposição de atribuições não privativas da profissão. Os “Parâmetros para Atuação de Assistentes Sociais na Saúde”, construído pela categoria e publicado pelo CFESS em 2010, afirma que:

A equipe de saúde e/ou os empregadores, frente às condições de trabalho e/ou falta de conhecimento das competências dos assistentes sociais, têm historicamente requisitado a eles diversas ações que não são atribuições dos mesmos, a saber: [...] convocação do responsável para informar sobre alta e óbito; comunicação de óbitos [...] (p. 46-47)

Entendo, mesmo que por uma questão de humanidade, o óbito como a parte mais difícil para os/as profissionais da saúde. Em torno dele (do óbito) estão envolvidos todos os profissionais, porque a direção do hospital tem “jogado” toda a responsabilidade para o Serviço Social? Vamos fazer algumas reflexões:

  1. O Serviço Social tem formação para explicar a causa da morte de alguém? Claro que não, outros profissionais da saúde devem esclarecer os/as familiares a causa da morte;
  2. Quem preencheu o formulário referente ao óbito e/ou deu encaminhamento aos devidos procedimentos não conferiu se o nome na documentação era o mesmo do corpo? Não é óbvio isso?;
  3. Quem é responsável por atestar o óbito? Sei que não é o Serviço Social, além disso, a documentação dos/as pacientes encontram-se também nos prontuários referente ao paciente, não apenas na documentação do Serviço Social;
  4. Quem é responsável pela liberação do corpo? Uma coisa é certa, não é, ou não era para ser, o Serviço Social.

O que percebemos no fato da troca dos corpos ocorrida no dia 23 de fevereiro no hospital Clementino Fraga deve ser assumido pela Direção do Hospital como de responsabilidade da unidade de saúde e, posteriormente proceder com a investigação para apurar as irregularidades; jamais execrar publicamente nossa profissão sem garantir o devido direito de defesa.

Somos Assistentes Sociais, profissionais tão importantes como qualquer outro. Não vamos tolerar ser tratados/as como o lado mais fraco no qual toda responsabilidade recai sobre nós. Exigimos respeito.

Tárcio Teixeira
Assistente Social do Ministério Público da Paraíba

Licenciado da Presidente CRESS/PB

Um comentário:

Oi gente, comentem e façam sugestões! Abraço.