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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Paraíba Proíbe Rolezinho nas Ruas.

São muitos os textos publicados no último mês que tratam da criminzalização da juventude nos espaços comerciais, em especial em Shopping Center, até então tido como paraíso do consumo por prometer conforto e segurança para "todos/as". Apesar dessa questão ter se tornado pauta nacional no último mês, em João Pessoa não é novo esse tipo de denúncia, basta lembrar o ato público organizado pelo Levante Popular da Juventude em frente ao Shopping Tambiá e as ações do Conselho Estadual de Direitos Humanos para denunciar atos de homofobia e criminazalização da pobreza.

Mais uma vez a Paraíba quer ser vanguarda, agora nem mesmo as ruas ou espaços alternativos podem ser ocupados/organizados pela juventude e pelo movimento cultural. Em meio aos inúmeros questionamentos e suspeitas envolvendo os elevados cachês pagos durante as festas de janeiro o Governo da Paraíba “pega pesado” com quem quer se expressar sem cobrar ingresso ou cobrando a preço de custo; já corre até o "zum zum zum" dizendo que só pode ter expressão artística se for para gerar lucro ou o cachê for superior a 300 mil reais, é verdade Prefeito? é verdade Governador?

Na terça-feira (14 de janeiro), estava havendo uma apresentação cultural massa em frente ao Bar do Contorno: uma caixa de som pequena, dois microfones, alfaia, pandeiro, zabumba, triângulo e muitos artistas. Quem conhece a região sabe que o som que rolava não era capaz de perturbar os/as moradores/as, mas bastou o ponteiro do relógio passar das 22h que chegou quatro camburões da Polícia Militar com seus piscas ligados, isso mesmo quatro, e não só mandou parar o som, como proibiu o proprietário do bar de atender os/as clientes.

No fato que estou narrando não houve, se houve não nos mostraram, aferição do volume do som; mas compreendendo como um ato público reivindicando cultura e liberdade de expressão (o que não deixa de ser) o PM dizia: “já mostramos ao líder de vocês a aferição do som”. Quando a polícia do Governador foi embora e não havia mais nada para beber ou comer, já que o bar havia fechado, as pessoas ficaram com seus pandeiros e saias rodadas dançando os ritmos de nossa região; bastou 15 minutos para a PM voltar e mandar dispersar.

Logo que cheguei no Contorno um amigo falou que sua casa havia sido invadida pela PM e fiscais responsáveis pelo órgão do meio ambiente (órgão que deveria retirar shopping de cima de rio, peso da barreira do Cabo Branco e barrar os espigões), representantes do Governo que levaram o equipamento de som e deixaram uma multa de 5 mil reais. Fiquei sabendo ainda, por outros/as colegas que estavam na festa, que o mesmo foi feito pela PM no dia anterior no Bairro da Torre e, como todos/as já sabemos, é o que ocorre todos os dias na periferia da nossa cidade.

O Secretário de Cultura da Paraíba é Contra o Forró de Plástico, mas em sua participação no Governo não tem autoridade para garantir a descentralização da cultura, muito pelo contrário, os recursos são poucos (já que o Governador tem priorizado sua propaganda) e a PM cumpre ordens que vão no sentido contrário a democratização; já o responsável pela cultura de João Pessoa, paciência, esse eu não tenho adjetivos, pois ele rompeu com importantes militantes culturais e não garante sequer o funcionamento do Conselho Municipal de Cultura, a FUNJOP foi entregue para garantir a frágil coalizão que tenta sustentar a gestão do Prefeito e a cultura foi deixada de lado.

Mentiras e joguetes ideológicos tentam criminalizar o Rolezinho nos shoppings, o mesmo ocorre com o Rolezinho nas ruas; para piorar, nas grandes festas centralizadas na praia não tem transporte suficiente e o constrangimento dos baculejos é constante, na maior parte com negros e pobres. Crime não é fazer cultura, crime não é buscar alternativas de lazer, crime é transformar tudo em mercadoria e tentar reduzir a juventude a meros consumidores ou, pior, criminosos.

Juventude é cultura, juventude é transformação; querendo ou não os que lucram, a juventude vai seguir ocupando as ruas, as praças, os shoppings, e dizendo não para toda e qualquer forma de criminalização da sua expressão cultura, raça ou orientação sexual.


Tárcio Teixeira - Pré-candidato ao Governo da Paraíba; Vice-presidente do PSOL/PB; Assistente Social do Ministério Público; Presidente licenciado do Conselho Regional de Serviço Social da Paraíba.



Outros textos sobre o assunto:

Etnografia do “rolezinho” - “O ato de ir ao shopping é um ato político” http://www.cartacapital.com.br/sociedade/etnografia-do-201crolezinho201d-8104.html

 

Capitalismo anticapitalista - “É horrível ver que nossos capitalistas brasileiros ainda têm uma visão tão míope e preconceituosa, que faz com que neguem seus próprios consumidores por conta da cor da pele ou da classe social.” -http://farofafa.cartacapital.com.br/2014/01/15/capitalismo-anticapitalista/

 


"Rolezinho" dos sem teto passa por 2 shoppings em SP - “O MTST organizou o que chamou de "rolezão popular" após a repressão aos jovens em shoppings no último final de semana. O movimento pretendia denunciar "o racismo e o preconceito" contra os jovens da periferia.” - http://www.cartacapital.com.br/sociedade/rolezinho-dos-sem-teto-8945.html/view

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