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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feliz 2014! Que Venha 2015!

Escrevo esse texto de final de ano ao som do frevo, sinal de que tivemos um ano bom, de muita energia e coletividade. Tive um ano feliz com minha família, que terminou maior com a chegada do Gael (23/12/14), meu mais novo sobrinho. Começamos 2014 em uma dura disputa pela reeleição no CRESS/PB, processo no qual tivemos nosso trabalho reconhecido, @s Assistentes Sociais da Paraíba escolheram nosso coletivo com um percentual de votos superior ao processo eleitoral de 2011. A vitória do PCCR d@s servidores/as do MPPB foi um marco importante de outra coletividade que faço parte. Os planos com minha companheira estão seguindo de acordo com o planejado.

Cada uma das coletividades que faço parte daria um texto específico e de muitas linhas, mas o “Vida Vivida” (nosso blog), em seu cotidiano, já conta muito dessa história, assim como a página do Conselho Regional de Serviço Social da Paraíba (www.cresspb.org.br) conta a história de lutas e conquistas d@s Assistentes Sociais da Paraíba, uma jornada muito superior a nossas bandeiras corporativas.

Em meio a tantas coletividades, uma teve um alcance maior que os limites da minha família, profissão ou militância em setor A ou B, estou falando da dura tarefa de ser candidato ao Governo da Paraíba pelo PSOL, momento no qual nossa individualidade acabou quase que inexistindo para atender a demanda de muit@s, inclusive de quem não votou em nossa candidatura.

Assim como o frevo a todo momento testa o corpo e a mente, eu fui testado entre julho e outubro, eram perguntas escorregadias, os mais variados temas, abordagens contributivas e oportunistas, longas agendas, centenas de quilômetros, muito estudo, pensamento relâmpago, olheiras e 05kg a menos. No caminho, perceber a mudança de alguns jornalistas “independentes” ao escrever ou falar sobre nós, de adversários mudando a forma de tratar e de populares e dirigentes que passaram a não só elogiar, mas apresentar demandas para as entrevistas, guias e debates, deixava claro que estávamos no caminho certo. Deixamos de ser uma incógnita e passamos a ser parte direta do processo eleitoral, graças, não só ao esforço individual, mas, principalmente, pelo trabalho coletivo superior ao PSOL.

Passou a eleição e percebi que muita coisa mudou, a carga daquele processo não ficou em outubro, veio como na marca da nossa campanha, “para além das urnas, por direitos e liberdade”.  Em 2015, farei o possível para não cometer os mesmos erros de um passado recente, quanto tentei resolver sozinho tarefas que são coletivas. A “coragem” (prefiro disposição e disponibilidade) que alguns dizem que eu tenho, seguirei tendo, mas por entender que ela é decorrente de uma (ou várias) coletividade.

Aprendi muito em 2014, enfrentei - de igual para igual - um político cassado e um possível cassado, mas, independente da condição moral, não posso negar a capacidade intelectual dos candidatos que foram ao segundo turno das eleições na Paraíba; felizmente posso fazer outra afirmativa, depois desse processo estou mais capacitado, mais preparado, com o estômago mais protegido para seguir nossa jornada na política, com a honra de seguir sem atrelamento a financiadores privados de campanha ou aos conchavos com Assembleia Legislativa ou para formação de secretariado e outros órgãos do governo. Sigo nos diferentes coletivos, sendo mais um na luta por uma Paraíba igualizaria.

Sei que em 2015 seguirão os testes, as pressões e os ataques aos nossos direitos. Sei que em 2015 seguiremos “para além das urnas, por direitos e liberdade”. Assim como os diversos instrumentos formam uma forte orquestra de frevo, em 2015 nossas diferentes coletividades avançarão no caminho de uma unidade vitoriosa enquanto Classe.

Obrigado por ter feito parte do meu 2014, por termos feito - junt@s - o nosso 2014.

Feliz 2015!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Governadores do Nordeste e a Política na Paraíba, Autoridades sem Povo!*

*Tárcio Teixeira
Ex candidato ao Governo da Paraíba.

Considero, no mínimo, um abuso a Paraíba sediar o “Encontro dos Governadores Eleitos do Nordeste” e fazer desse um evento para autoridades e fechado para população. Nossa Paraíba abrigar um evento de tamanha magnitude e não ter sequer um debate com a sociedade civil é um claro recado do Governador Ricardo Coutinho de que fará um governo ainda mais fechado que o primeiro, limitado ao debate entre prefeitos e deputados e distante da população e das organizações da sociedade civil.
Os governadores pretendem construir uma carta com alternativas para o Nordeste em uma tarde, ou nos bastidores que antecedem o evento, mas algo elaborado de cima para baixo, sem o devido debate com a sociedade, não trará alternativas para população, mas para seus financiadores de campanha; deve ser por esse motivo que evento será no Centro de Convenções, obra construída pela maior doadora da campanha de Ricardo Coutinho, a Via Engenharia, que o apoiou com R$2.600.000,00 (Dois Milhões e Seiscentos Mil Reais) no último processo eleitoral.
Independente do que essas autoridades (os governadores do Nordeste) debaterão em terras paraibanas, precisamos ficar atentos aos últimos acontecimentos locais, pois aqui não temos nem a Carta da Paraíba, nem políticas públicas de qualidade. Aqui as eleições nem terminaram e já percebemos novos acordos e/ou sequência dos conchavos eleitorais.
Durante o processo eleitoral denunciei que empresas que doaram mais de meio milhão de reais para campanha do Governador Ricardo Coutinho (PSB) foram, diretamente ou por meio de empresas do mesmo grupo, favorecidas com 15 anos de renúncia fiscal, tudo isso em pleno processo eleitoral. O responsável legal pela isenção foi Renato Costa Feliciano, então Presidente do Conselho Deliberativo do FAIN (Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Industrial) e, coincidência ou não, filho de Ligia Feliciano (PDT), hoje Vice-governadora eleita na chapa com Ricardo Coutinho.
Nas últimas eleições alguns desavisados ficaram abismados ao ter a notícia de que o PT, que havia feito dura oposição ao Governo Ricardo/Cássio, formaria chapa na eleição de 2014 com o PSB, o que foi materializado com Lucélio Cartaxo (PT) candidato ao Senado e Coutinho (PSB) para Governador, com uma Feliciano (PDT) de vice. Nos debates entre candidatos realizados em Cajazeiras, Patos e Campina Grande, o então candidato a reeleição falava de Maranhão (PMDB) e esquecia do candidato do PT, percebi rapidamente a aliança para o segundo turno, mas também estava claro que o toma lá dá cá tomaria proporções maiores no pós eleição e assim vem sendo.
Lembro da matéria[1] do WSCOM que questionava o fato de imóvel do Deputado federal Damião Feliciano (PDT), marido de Ligia Feliciano (vice de Coutinho) e pai de Renato Feliciano (aquele das isenções), ter ficado ileso da determinação da Superintendência do Patrimônio da União (SPU) na praia do Bessa, mesma determinação que deixou a ONG Guajirú sem sede e as tartarugas marinhas sem proteção. O respeitado portal fazia o questionamento, entre outros motivos, porque teria sido o Deputado o responsável por indicar Daniella de Almeida Bandeira para ser a Superintendente da SPU na Paraíba. A triangulação vai se consolidando.
Na última semana, a Daniella de Almeida Bandeira, a mesma que ocupava a SPU na Paraíba, foi anunciada por Luciano Cartaxo (PT), irmão do Cartaxo derrotado para o Senado, como a nova Secretária de Meio Ambiente de João Pessoa. Coincidência ou não, no mesmo período, dezenas de portais, rádios e jornais, começam a anunciar (quase como certa) a nomeação de Lucélio Cartaxo (PT) para gerir a Companhia Docas da Paraíba, ainda o anunciam como possível candidato a Prefeito de Cabedelo.
Até onde vão os cruzamentos entre as novas e as velhas oligarquias? Até onde vale a troca de cargos, de apoios e de domicílio eleitoral? Até onde vai a relação entre os Cartaxo, os Feliciano e os Coutinho? Uma coisa é certa, nós, povo ou organizações da sociedade civil, ficamos a margem desse processo, vendo o financiamento privado de campanha no centro do debate político; ou estaríamos falando de competência técnica?
Só uma curiosidade para concluir, a Via Engenharia, empresa que tem o nome presente na Prestação de Contas Eleitoral da campanha do Cartaxo, do Coutinho e do Feliciano, é também a empresa que fez o teto que acolherá as autoridades do Nordeste. Empreiteiras, meio ambiente e política, o que sairá (ou vem saindo) dessa mistura?

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O Fundamental I, A Política para os Ricos e a Compra de Votos.


Uma aluna da minha companheira, sabendo que eu fui candidato ao governo da Paraíba, olhou para ela e disse: “a senhora deve morar naquelas casas bem grandes”, segundo a estudante do Fundamental I, “as mulheres desses homens moram em casas assim”. Posso não ter sido tão fiel com as palavras dessa criança, mas é o sentimento de boa parte do povo do nosso país, de que política é para rico!
Não vou nem entrar no debate sobre o machismo quando ela fala "as mulheres desses homens", já é muito difícil caber na cabeça da menina que aqui em casa não tem piscina, nem jardim, nem elevador e que andamos de ônibus ou em um 1.0. Espero que ela tenha entendido a explicação e que um dia isso seja diferente, vi muito isso durante a campanha, alguns dizendo na cara dura que todos/as os políticos são iguais, outros que tem é que vender o voto mesmo e, uma outra parte, acreditando que é possível fazer diferente em um processo eleitoral.
Em Cajazeiras, ao lado de Gobira, e João Pessoa e Campina, nos espaços da minha militância, foram os espaços nos quais os aspectos mencionados foram menos presentes, penso que: no primeiro caso devido a o companheiro Gobira ser um sapateiro e ter o espaço que teve no PSOL; no outro, entendo ser devido as pessoas conhecerem mais sobre o Tárcio e saber que eu era candidato em oposição a tais práticas.
Verdade que nosso partido não tem nenhuma relação com as oligarquias locais, que fizemos uma campanha com menos de um por cento dos recursos do governador eleito, que o salário de Assistente Social (minha profissão) não possibilita bancar uma campanha eleitoral, mas nada disso foi motivo para impedir alguns dos casos que vou contar nesse texto, mas farei sem dizer o nome da cidade, assim evita um carimbo negativo diante de um fato pontual.
Em uma das cidades que passei, eu precisava ser empreiteiro ou mestre de obras para ganhar voto, não faltou gente pedindo para levantar muro; em outra, um rapaz chegou afirmando sua honestidade e completou dizendo que bastava eu dizer onde ele precisava levar os títulos; já nas atividades culturais, vez por outra chegava alguém pedindo para eu pagar uma dose de cana, um vinho ou uma cerveja. Antes de negar, eu dizia que nossa campanha era diferente, que nossa militância não se mistura com esse tipo de crime, alguns diziam que estavam brincando, outros ficavam com vergonha, mas ainda tinham os sem vergonha que diziam: “assim você não ganha nada”.
É importante que se diga que muitas pessoas não percebem ilegalidade nesse processo, o vício é tão presente que alguns pensam que “a política é assim mesmo”; como a garota que pensa que a política é para rico, afinal de contas voto não é barato e eu não sei levantar muro. Outra coisa, esse pensamento sobre a política não é “coisa de pobre” ou miserável, como teimam em dizer outros que querem seguir se enganando, como se não tivesse nada com isso; é coisa de rico que espera ganhar uma licitação ou ser livre de impostos; de partidos que trocam votos ou tempo de TV por secretarias, ou cargos em governos; e é de alguns conhecidos que não pedem “favor” mas dizem: “se não for assim você não vai chegar a lugar nenhum”. Importante que se diga, nos últimos três casos estamos falando de pessoas com formação, que não pensam ser assim a política, mas que fazem ser assim o atual processo eleitoral.
Alguns olham em meus olhos e dizem que “o povo não quer mudança, vota nos mesmos”, geralmente quem diz isso culpa os pobres e vota nos mesmos. Eu vejo que a maioria de nós, povo, ou melhor, classe trabalhadora, queremos mudança sim, basta olhar a ampliação dos votos na oposição de esquerda, ou a ampliação dos votos brancos e nulos e das abstenções; melhor, basta olhar para ampliação das mobilizações sociais por direitos e por liberdade em todo planeta.
Caso eu entendesse que a política vive no limite do processo eleitoral, não estaria nela, assim como a criança do começo do texto, eu sei que não teria condições de pagar. Entendo a política como a disputa ideológica e econômica entre as classes sociais, a eleição é parte desse processo, assim como são as manifestações por direito e a disputa pela democratização da comunicação, para citar poucos exemplos.

Alguns preferem focar na visão do nada muda, no “é assim mesmo”, eu fico com aqueles/as que acreditam que a transformação vem do Fundamental I ao EJA, na educação formal e na luta por direitos. Foi acreditando nisso que tivemos quase nove mil votos para Governador da Paraíba, todos livres, sem comprar sequer um voto, sem pagar sequer a passagem para que a pessoa fosse votar, até na democracia eleitoral o passe livre ajudaria.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

2016, um Perto Longe que Não Mudará Nossa Rota!

Em outros textos que escreverei vou tratar das diferentes formas de abordagem que sofri durante o processo eleitoral, das visitas que realizei, das diferentes formas que as pessoas viam nossa candidatura (ou mesmo a minha pessoa) e sobre o que é fazer uma campanha em um partido como o PSOL. Sim, foram muitos “causos” que vivi nos últimos meses, mas tratarei sobre eles em outra oportunidade, nos próximos parágrafos vou tentar fazer apenas uma breve reflexão (e esclarecimento) sobre umas das frases que mais tenho escutado após o último 05 de outubro: “não desista, você foi muito bem e vai chegar lá”.

O “lá” onde eu vou chegar é bem distinto; para alguns, eu já estou lá, no para além das urnas, na luta por direitos; para outros, a maioria dos/as que fazem questão de falar comigo, o lá é o processo eleitoral de 2016. O “não desista” vem sempre acompanhado de um “seja candidato”. Não são apenas populares que trazem essa palavra de incentivo, mas também jornalistas, militantes e amigos/as.

Sei que mesmo entre os que falam nesse sentido (“não desista”), existem os que não seguem conosco, mas reconhecem a importância que tivemos no processo eleitoral. Essa importância, especialmente nos debates entre os candidatos, permitiu que saíssemos desse processo maior que a quantidade de votos que alcançamos, afinal de contas, tivemos uma das eleições mais polarizadas da história da Paraíba, teve mais gente votando em oposição a outro candidato que em apoio ao candidato que votou; além desses que votaram contra o presente (Ricardo) ou contra o passado (Cássio), existem as quase 700mil pessoas que não foram votar ou votaram branco ou nulo, em uma clara grita contra o atual sistema político.

Voltando ao “lá”, são duas teses que chegam até meus ouvidos: uma que eu devo sair candidato a Vereador de João Pessoa, pois ajudaria muito para eleger o primeiro parlamentar do PSOL na Paraíba, principalmente com a chapa que estamos montando para 2016; outra que diz para eu ser candidato a Prefeito, pois fortalecerá a chapa proporcional e consolidará um nome para o futuro.

Uma afirmação eu faço, assumirei uma das duas tarefas que recebo de populares e apoiadores, serei candidato em 2016, mas ainda é cedo para decidir a que. Decisão essa que não tomarei só, assim como não limitarei o debate ao interior do PSOL, farei essa conversa de forma horizontal, com aqueles/as que buscam alternativas na luta por direitos e acreditam em uma outra forma de fazer política.


2016 bate em nossa porta, mas enquanto eles, os que fazem as velha política, já começam suas composições e gestões mais em nome dos conchavos eleitoreiros que pensando na população, afinal de contas é para isso que servem as pré-candidaturas deles (Veneziano- PMDB, Manoel Junior- PMDB, Cartaxo- PT, Estelizabel- PSB, Romero- PSDB); nosso campo não vai parar no tempo pensando em eleição, seguiremos onde sempre estivemos, na luta por direitos. Se tivermos que chegar “lá”, que seja com nossos princípios.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Eleições, Regionalidade e Preconceito: Senti na pele!

O ódio pregado no processo eleitoral foi além do político, os/as candidatos/as que optaram por abrir um campo de guerra são responsáveis pelo clima de preconceito no país chegar a tal estágio; claro que a xenofobia não é coisa nova no Brasil, assim como não é o racismo, o machismo e a homofobia. Contudo, não são eles, os/as candidatos/as, os/as maiores responsáveis pela suposta divisão entre Norte e Sul; a grande mídia propagandeou isso com muita força, uma grande mentira, já que Dilma não seria eleita sem os votos do Sul e Aécio não teria a quantidade de votos que teve sem os votos do Norte.

O que a grande mídia e os partidos que representam a velha política em nosso país tentaram fazer foi, na verdade, esconder que o debate é de classe social, sim trabalhadores/as e burguesia disputando no campo ideológico; tentaram não expor de forma clara a relação de classe no processo eleitoral, ao contrário do que fez o nosso PSOL; os/as representantes direto da burguesia, ou seus aliados pontuais, sabiam que o debate de classe poderia ampliar a unidade da classe trabalhadora em um novo projeto de sociedade que não se limitaria ao processo eleitoral, então, optaram por regionalizar o debate pelo mapeamento das urnas; agora correm para corrigir isso, felizmente.

Nasci em Iguatú, no sertão do Ceará, pouco tempo depois de minha mãe ficar viúva (eu ainda com três anos) fomos morar em Recife. Não escolhi onde nascer, nem onde crescer. Apesar de amar esses dois estados, Pernambuco e Ceará, o motivo dessa viagem não foi diferente dos motivos que levaram os 13 irmãos de minha mãe a “pegar a estrada”; também não são motivos diferentes dos que levaram outros/as milhões de nordestinos a viajar de norte a sul em busca de melhores condições de vida, seja do alimento, seja da formação, seja do clima.

Após adulto eu pude escolher, escolhi viver o restante dos meus dias em nossa Paraíba, mais precisamente em João Pessoa, onde já tenho os mesmos sete anos que tenho de Ceará, minha terra natal; aqui conheço mais cidades do que conheci em Pernambuco e no Ceará, ao todo conheço 75 cidades da Paraíba, todas as regiões do nosso estado. Estou dizendo isso não apenas para declarar meu amor ou justificar minha escolha, mas para dizer que também tentam nos dividir no interior do Nordeste, já sofri preconceito por não ter nascido na Paraíba.

Nas primeiras eleições para o Conselho Regional de Serviço Social da Paraíba (CRESS/PB) que concorremos (2011), em uma disputa acirrada, tendo na outra chapa diversos representantes do Governo (estadual e municipal), fui “acusado”, se de ser pernambucano, imaginem se soubessem das minhas raízes sertanejas, sem dúvida o preconceito seria maior. Por mais que falemos do preconceito, só quando o sentimos de forma direta que, de fato, passamos a entender o quanto ele é dolorido. Neste fato específico, elaborei um texto muito duro e essa "acusação" não voltou a ocorrer de forma tão pública, nem nas eleições de 2011, nem nas eleições de 2014, quando fomos reeleitos/as para gestão 2014/2017 do CRESS/PB.

Nas eleições para Governador da Paraíba, quando eu estava como candidato, sofri o mesmo tipo de preconceito, poucas vezes de forma direta, é verdade, mas sofri; foi em ligação para rádio, por mensagem no meu facebook e nos comentários maldosos que chegavam aos nossos ouvidos. Não dei corda para isso, mostrei nosso conteúdo, o quando estudamos e conhecemos a Paraíba e os problemas que vivemos enquanto povo; que são os últimos gestores que estão destruindo e entregando nossa Paraíba, não eu, um nordestino que escolheu viver e contribuir com esse povo que, enquanto classe, percebeu de que lado estou.

Tenho muito orgulho de ser Nordestino, na verdade, tenho orgulho de ser brasileiro, de ser latino-americano; mas meu maior orgulho é saber que sou de um mundo onde todos/as somos seres humanos em relação com a natureza; o que nos divide é a questão de classe, a politicagem e as guerras em nome da dominação do poder econômico, não podemos lutar pela melhora de um povo em detrimento de outro, como se fossemos daqui ou dali. Somos todos/as cidadãos do mundo.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Acabou a Eleição, Agora é Autonomia e Luta Pelo Plebiscito Oficial.

 Acabou a Eleição, Movimento Não é Governo.


Entendo que o caminho de propagandear um Golpe, que não existe, não seja o melhor caminho para esquerda, quem for bater nessa tecla corre sérios riscos de ser desmoralizado pela realidade em um curto espaço de tempo. O fato é que a Oposição de Direita, ou uma Direita Conservadora que apoia o Governo do PT/PMDB, saiu mais unida dessas eleições e estão fazendo política com isso.

Por outro lado, setores como o PSOL (que quase dobrou sua bancada na Câmara dos Deputados e chegou a 12 Deputados Estaduais em todo Brasil) e os que votaram em branco (1.921.819), nulo (5.219.787) ou optaram pela abstenção (30.137.479), representa uma gigantesca oposição ao atual Sistema Político. Temos ainda os muitos milhões de votos no PT que, na verdade, foram votos em oposição ao PSDB. Ganhou o Governo, a Direita, ou a possibilidade de uma nova virada histórica? Entendemos que a última opção!

Em outras palavras, acabou a eleição e o momento atual é outro, não adianta querer esticar o processo eleitoral, a luta agora é outra. É hora de garantir a autonomia dos Movimentos Sociais para avançar nas diferentes pautas da esquerda brasileira, em especial a Reforma Política e a enorme batalha para conquistarmos o Plebiscito Pela Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.

Os/as Candidatos/as e o Pós-eleição, Quem Segue Defendendo a Pauta?

Inegável que a Reforma Política tomou conta das ruas. Enquanto candidato ao Governo do Estado da Paraíba, defendi o Plebiscito Popular Pela Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, todos os guias de rádio da semana da coleta dos votos (01 a 07 de setembro) e dois guias de televisão foram dedicados a essa luta. Outros/as candidatos/as Majoritários/as até disseram defender o mesmo durante as eleições, a exemplo de Dilma e Ricardo Coutinho.

Passaram-se as eleições e vi o Governador da Paraíba dizer que não precisa ser necessariamente uma constituinte exclusiva, que pode ser um referendo ou um plebiscito; em uma linha bem parecida foi a Presidenta Dilma, que segue falando em Plebiscito, mas já sem tratar de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, o que ela não fez de forma efetiva em junho de 2013 e não vem fazendo de forma alguma no pós-eleição. Eu, a companheira Luciana Genro (Candidata a Presidente pelo PSOL) e o PSOL/PB estamos defendendo a mesma pauta que defendíamos durante as eleições, na luta por direitos e em defesa do Plebiscito pela Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, agora oficial.

O PSOL e Algumas Pautas Importantes

Sou do PSOL, um partido coerente da Oposição Socialista, fico feliz que a base da militância perceba que defender o Plebiscito não é defender o Governo, mas a necessária Reforma Política, Reforma que não será feita a depender do Governo composto por PMDB e outros.

Alguns governistas, ou carguistas, que não possuem base na realidade para defender determinadas posturas do Governo PT/PMDB e outros, costumam usar o velho jargão “a esquerda que a direita gosta” para criticar o PSOL, uma tentativa de desqualificação que não se sustenta na realidade.

Quem votou com o PT na Lei Geral da Copa, na Lei Anti-drogas (internação compulsória), na não garantia dos 10% do PIB para Educação Pública e na entrega dos Hospital Universitários, para ficar em alguns poucos exemplos, não foi o PSOL, mas o PT, a oposição de direita ao Governo, inclusive o PSDB, e a Direita que faz parte do Governo PT/PMDB.

Na linha de manutenção dos princípios, o PSOL foi um dos poucos partidos que votou contra o decreto parlamentar que derrubou o Decreto da Presidência que tratava do Sistema Nacional de Participação Social (SNPS), mas não parou aí, menos de 24h depois da Câmara derrubar o Decreto Presidencial, o PSOL apresentou o PL 8.048/2014[1] que institui a Política Nacional de Participação Social e SNPS, fazendo apenas alguns ajustes no que antes delegava mais poder para Presidência que para as organizações da Sociedade civil.

Não fazemos política com o estômago, mas com princípios e diretrizes. Deixamos argumento da governabilidade ou da correlação e forças no Congresso para os/as que querem manter a ordem e entendem que lá é o local da transformação social. Estamos contribuindo com o movimento pelo Plebiscito Oficial por entender que esse é o papel dos/as que lutam por direitos, pressionar pela transformação social, independente da sigla partidária ou cargo de gestão que ocupe, mas garantido autonomia aos que lutam e não querendo colar movimento social a governo.

Plebiscito ou Referendo? Seria essa a pergunta? Até onde vamos?

Plebiscito ou referendo? pergunta errada, na minha singela opinião. Essa pergunta pode levar algumas pessoas a responder plebiscito sem refletir que plebiscito. Vejamos onde podem querer nos levar: a proposta da OAB, CNBB e outras dezenas de entidade é boa, mas ela não pode ser transformada em perguntas para um Plebiscito que depois seguirá para o Congresso elaborar as leis. O Plebiscito que mobilizou milhões de pessoas foi pela Constituinte Exclusiva e Soberana, vamos instalar a Constituinte, lá debateremos e faremos as leis com base na pauta das ruas; por esse motivo nossa jornada deve ser pela aprovação do “Projeto de Decreto Legislativo - PDL 1508/2014 que propõe um Plebiscito oficial sobre a convocação de uma Constituinte, Exclusiva e Soberana do Sistema Político, ou seja, uma assembleia de representantes do povo, livremente eleita, que promova as mudanças necessárias no nosso sistema político.” (http://www.plebiscitoconstituinte.org.br/noticia/nota-p%C3%BAblica).

Faço essa breve reflexão para sabermos até onde vamos, estamos tomando corpo enquanto movimento, precisamos ficar preparados/as para dizer não aos possíveis acordos em Brasília, o PMDB já anunciou que vai elaborar uma proposta de reforma política para apresentar antes do fim da atual legislatura no Congresso, outros parlamentares já apresentaram uma PEC que não alteram seus interesses. Não podemos recuar para qualquer Plebiscito, queremos apenas um, o Plebiscito pela Constituinte, Exclusiva e Soberana do Sistema Político.

Contradições existem em qualquer espaço de unidade de ação, mas entendemos que a pauta do movimento deve ser colocada a frente dos objetivos de partido A ou B, de movimento X ou Y. O PSOL é oposição de esquerda ao Governo PT/PMDB e estamos nos envolvendo ainda mais nesse processo de organização pelo Plebiscito Oficial por entender que ele é maior que o Governo ou qualquer uma de nossas individualidades. Ainda temos muito o que debater[2], muito o que fazer, sigamos!



[1] http://www.psol50.org.br/site/noticias/3040/apos-camara-anular-decreto-psol-apresenta-projeto-sobre-participacao-popular
[2] Além dos debates extremamente coerentes que estão sendo realizados pela organização do Plebiscito, entendo que precisamos ampliar a relação entre o Judiciário e o Ministério Público no que diz respeito a Reforma Política, não existe Reforma sem reestruturação de todos os poderes, é fundamental a democratização e o acesso a justiça no debate da reforma política.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Assistentes Sociais e Estudantes de Serviço Social:

Carta Aberta Sobre Nossa Candidatura ao Governo do Estado.

Antes de ser candidato ao Governo do Estado da Paraíba tive várias conversas e reuniões com dezenas de colegas Assistentes Sociais e estudantes de Serviço Social. Quem estava na gestão 2011/2014 do CRESS/PB, assim como @s integrantes da chapa “Seguir na Luta, Forte e Independente” (hoje gestão 2014/2017), fizeram parte da minha decisão de aceitar ser candidato ao Governo da Paraíba; o mesmo diálogo foi feito com a categoria. Mesmo sabendo que @s representantes do Governo, que querem mudar a linha de luta do nosso CRESS/PB, usariam esse meu direito democrático de forma pejorativa, eu fui honesto com a categoria e jamais escondi que seria candidato e ampliaria a luta por nossos direitos.

Assim fiz por entender que precisávamos de um porta-voz em um momento tão importante para Paraíba, permitindo fortalecer as bandeiras dos Movimentos Sociais e d@s Assistentes Sociais. Saí candidato por ter tido respaldo de estudantes e profissionais e por ter a certeza de que minhas/meus companheir@s seguiriam de forma positiva a gestão do nosso CRESS/PB. Agradeço plenamente a tod@s que fizeram (e fazem) as duas últimas gestões do Conselho, o trabalho de vocês foi segurança para eu ter a certeza de que poderia ser candidato ao Governo da Paraíba, eu sabia que nosso Conselho estaria em boas mãos.

Desespero de Algumas

Nesse período eleitoral diversas pessoas falaram da postura desrespeitosa de alguma(s) colega de profissão sobre nossa candidatura, não tive a mínima preocupação em responder. Por mais que alguns/mas não sejam honest@s o suficiente para dizer a verdade, @s Assistentes Sociais da Paraíba sabem quem ocupa cargo nas diferentes esferas de governo e os verdadeiros motivos de críticas vazias e raivosas. Tod@s viram o quanto nossa candidatura foi importante para ampliar nossas bandeiras.

@s Assistentes Sociais/Estudantes e as Eleições

Sabemos que milhares de Assistentes Socais estão atuando no Serviço Público, a ampla maioria da categoria; sabemos ainda que a maior parte desses contratos são precários. Essa situação levou muit@s colegas de profissão a fazer a mesma forma de campanha que fizeram no CRESS/PB, na “boca miúda” para evitar perseguição.

Eram amig@s dizendo não poder comentar ou curtir no facebook, dizendo existir uma tal “visita qualificada”, que nada mais é que a obrigação para fazer campanha, mesmo sem acreditar ou defender determinado candidato ligado a diferentes gestões públicas. Essa nefasta forma de fazer política, digna das piores legendas brasileiras, vimos nas eleições do CRESS/PB e nas eleições para o Governo da Paraíba. Podem até ter silenciado alguns/mas, mas não impediu o voto ou o diálogo dessas pessoas com seus familiares e amig@s.

Diante da tamanha perseguição eu considero que o envolvimento da categoria foi fantástico. Quando falamos de estudantes, não tenho nem o que falar, estes enviaram ainda mais frases de apoio e multiplicaram a campanha.

Nossas Bandeiras

Foram dezenas de debates, entrevistas e notas publicadas durantes essa campanha. Não fiz uma campanha corporativa ou transformei nossa candidatura em uma caricatura de uma tecla só. Felizmente, a amplitude da nossa categoria, permitiu falar de diversos temas e, sempre, fortalecer o Serviço Social.

As dezenas de bandeiras defendidas pelo CRESS/PB, muitas vezes ficam travadas na lentidão do judiciário ou na burocracia das administrações públicas. No debate eleitoral levamos dezenas de nossas bandeiras para amplitude maior que o tamanho da nossa entidade e abrimos espaço para ampliar nossas reivindicações. O debate não pode ser simplesmente legal e/ou administrativo, mas da luta política e do enfrentamento em nossas unidades de trabalho.

Nos últimos três meses, enquanto candidato, denunciamos a perseguição de Assistentes Sociais na saúde e a falta de condições de trabalho para atender a população. Apresentei o caso da proibição no acesso a área vermelha do Trauma e os desvios de função nas diferentes áreas de atuação. Questionei o não repasse para previdência social do desconto feito na folha de pagamento de muitos trabalhadores e, fui além, entrei até no descaso do judiciário (mesmo não sendo ação do Governador) em não convocar concursad@s e pressionar Assistentes Sociais de fora do quadro para elaborar laudos pareceres sociais.

A necessidade de concurso público foi diversas vezes levantada por nossa candidatura, questionamos a falta de transparência em processos seletivos e o fato de Secretárias como a da Mulher e Diversidade Humana e a Desenvolvimento Humano não realizarem concurso; ampliamos esse debate apresentando a necessidade de equipes especializadas, também, na Educação e Segurança Pública.

Deixamos claro nesse debate eleitoral: o conteúdo da nossa formação profissional; a importância do Serviço Social; e a presença da categoria nas diferentes políticas públicas e na luta por direitos. Tod@s sabem nosso tamanho e nossa força!

Próximos passos

Fizemos um debate #ParaAlémDasUrnas, falamos a todos os momentos da necessidade da luta #PorDireitoseLiberdade, caminho esse que tod@s temos a certeza de ser o caminho a seguir. Estamos recebendo muitas declarações de apoio para seguir nossa caminhada, também, em processos eleitorais futuros. Fico feliz com o reconhecimento, caso esse seja o entendimento da maioria d@s que fizeram (ou querem fazer) parte da nossa campanha, ou farão nas próximas, podem ter certeza que aceitarei o desafio; mas o próximo período não é de eleição, não entendo ser o momento de debatermos cargos para disputa futura, o momento é de lutar por direitos.

Na mesma semana que acabou o primeiro turno, eu retornei para minhas atividades no Conselho Regional de Serviço Social da Paraíba (CRESS/PB) e para meu trabalho no Ministério Público da Paraíba. Não estou liberado do trabalho para o CRESS/PB, nenhum d@s conselheir@s estão, mas isso não impedirá de seguirmos nossa luta em defesa d@s Assistentes Sociais e d@s usuári@s das diferentes políticas públicas.


Obrigado pelo apoio, aos públicos e aos silenciosos.

Junt@s, sigamos nossa caminhada por direitos!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A Paraíba, as Eleições e o Segundo Turno.


Sei que “nossos” 8.849 votos podem ser decisivos no Segundo Turno, mas o segundo turno é uma decisão do povo da Paraíba, não minha. Teve quem votasse em nossa candidatura pelo trabalho no CRESS/PB, outros por nosso questionamento ao atual sistema político, alguns pela nossa participação nos debates; mas todos/as votaram pela clareza de que somos diferentes dos que aí estão historicamente desgovernando nossa Paraíba.

Passamos as eleições apresentando propostas, inclusive, algumas delas foram incorporadas por outras candidaturas, a exemplo do Hospital de Trauma no Sertão e do Metrô; mas também debatemos política, fomos incisivos ao dizer que Ricardo e Cássio fizeram de forma unitária o último desgoverno na Paraíba e são responsáveis pela atual situação do estado; ambos carregam escândalos bem parecidos, ambos atacaram servidores; se um é representante direto das oligarquias, o outro tem “os Efrain” (do DEM) e “os Feliciano” entre seus aliados; se um entregou a energia elétrica em Campina Grande, o outro entregou o Hospital de Trauma; ambos ameaçam a CAGEPA.

Não seria justo com a maioria das pessoas que votaram em nossa candidatura que, no segundo turno, eu indicasse voto em um ou outro candidato; seria uma posição contrária a tão horizontalidade clamada pelos levantes de junho de 2013. Tal posição também não ajudaria no debate com as 192.482 pessoas que votaram nulo, com as 107.143 que votaram branco, muito menos com as 500.260 pessoas que não foram votar; estamos falando de 800 mil pessoas que somadas as que queriam votar em nossa candidatura (ou mesmo branco e nulo) e não fizeram pelo terrorismo eleitoral*, ultrapassam a marca tanto de um como do outro candidato que foi para o Segundo Turno. Essas pessoas não são neutras, estão do lado de um programa de verdadeira mudança, do lado do povo, estão dizendo para todos/as ouvirem que querem mudança na política, não mudar o candidato, mas a forma de fazer política.

Nessa eleição o PSOL/PB teve a votação mais qualitativa da sua história. Tivemos 02 candidatos a Deputado Federal entre os 25 mais bem votados, Gobira em 15º, com 48.157 votos, e Renan Palmeira em 25º, com 8.240 votos. O partido ainda teve a expressiva votação de Seu Ciço para Deputado Estadual (5.723 votos) e os 11.502 votos do companheiro Nelson Junior para o Senado. Olhando para João Pessoa, os candidatos do PSOL ultrapassam os 26 mil votos, consolidando as lideranças do partido para luta por direitos e para eleições futuras.

Somos contrários as pressões que vimos nas Prefeituras e no Estado para que as pessoas votassem em fulano ou beltrano, achamos um verdadeiro crime a perseguição e o monitoramento pelas redes sociais e/ou nas relações pessoais devido a disputa eleitoral. Não, não vamos seguir o mesmo caminho, o voto é livre e quem esteve conosco nesse processo tomará a decisão democrática que achar mais justa, não serei eu a dizer em quem votar ou não votar.

Forte Abraço. Sigamos #ParaAlémDasUrnas #PorDireitoseLiberdade.

Tárcio Teixeira


* Terrorismo Eleitoral: Pressão para que as pessoas não votassem em sua primeira opção, pois deveriam votar no menos ruim, ou no menos corrupto, ainda no primeiro turno. Essa pressão foi feita das formas mais distintas, enganando as pessoas ao dizer: que seria possível ganhar no primeiro turno; pelo emprego precário que as pessoas ocupam, ou liberação de militantes; pela falácia de mudança que um ou outro apresenta, mudança essa que tem mais relação com o financiamento de campanha de um ou de outro (bancos e industrias x construção civil e comércio) que com a forma de dialogar com a população.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Eleições na Paraíba, Segue a Revolta do Povo e Nossa Vontade de Lutar.

Agradecimento

Mais de 8 mil pessoas, 8.849 para ser mais preciso, saíram de casa para votar em nossa candidatura ao Governo da Paraíba. Essas pessoas merecem não só meus agradecimentos, mas meu compromisso público de que seguirei firme em meus ideais e em minha prática cotidiana na luta por direitos, nossa campanha é #ParaAlémDasUrnas, é #PorDireitoseLiberdade.

Antes de seguir com uma análise mais detalhada, apesar de muitas pessoas para agradecer, quero pedir licença para três agradecimentos especiais: para Áurea Augusta, esposa que amo e compartilho minha vida pessoal e política; aos companheir@s do PCR, que dedicaram energia ao nosso lado, trazendo para as eleições a frente formada nas ruas; e ao Thyago Xavier, amigo da luta por direitos que esteve ao meu lado na maior parte da campanha.

Analisando os Números na Paraíba

Essa foi uma das mais qualitativas votações da história do PSOL/PB. Tivemos 02 deputados federais entre os 25 mais bem votados, Gobira em 15º, com 48.157 votos, e Renan Palmeira em 25º, com 8.240 votos. O partido ainda teve a expressiva votação de Seu Ciço para Deputado Estadual (5.723 votos) e os 11.502 votos do companheiro Nelson Junior para o Senado.

Olhando para João Pessoa, os candidatos do PSOL ultrapassam os 26 mil votos, consolidando as lideranças do partido para luta por direitos e para eleições futuras. A mesma realidade marca Cabedelo, com o companheiro Marcos Patrício; Santa Rita, com José Silva; Pedras de Fogo, com Misael do Ovo;Princesa Isabel, com Dr. Rivaldo; Patos, com Daniel Pintor e Silvano Morais; e Cajazeiras, com Gobira. Em Campina Grande o PSOL deu um claro avanço no diálogo com a sociedade, o papel dos membros da coordenação da campanha, e dos nossos candidatos na cidade, deixa claro que podemos ir muito além.

Milhares de pessoas deixaram de votar em nossa candidatura na tentativa de acabar a eleição ainda no 1º Turno, uns dizendo ser um absurdo o retorno de um político Cassado e representante direto das oligarquias na Paraíba, outro dizendo não para forma autoritária e cercada de escândalos que envolvem o atual governo. Entendemos que esse caminho foi equivocado, uma pena que cederam ao terrorismo eleitoral, as eleições foram levadas ao 2º turno e nossa candidatura aparece menor do que realmente somos.

Uma análise acelerada da eleição dos filhos da oligarquia para Câmara dos Deputados, e da ínfima renovação na Assembleia Legislativa, pode aparentar que a Paraíba não quer mudança, o que não é verdade. A vontade de mudar o sistema político e dizer não para atual forma de fazer política é o maior recado das urnas na Paraíba, soma-se ao que apresentamos no parágrafo anterior os 192.482 mil votos nulos, os 107.143 mil votos brancos e as 500.260 pessoas que não foram votar.

Nossa Candidatura e o Segundo Turno na Paraíba

Saber dialogar com o desejo de mudança da população, e com a expectativa das pessoas que fizeram nossa candidatura, acaba por ampliar a cobrança sobre nossa posição no 2º turno; posição essa que tornaremos pública na quarta-feira (08/10), às 09h, pelo www.youtube.com/tarciohteixeira e em seguida com publicação de texto no www.tarcioteixeira.com.

Os Números do PSOL no Brasil

Nacionalmente o PSOL também alcançou a maior votação da história do partido. Tivemos mais de um milhão e meio de votos, um resultado que abafou a ultra direita e os fundamentalistas em nosso país, nossa companheira Luciana Genro foi brilhante em sua participação nas eleições.

Os números positivos do PSOL não param na expressiva votação da nossa presidente, ampliamos nossa bancada na Câmara dos Deputados (agora somos 05 Deputados Federais) e alcançamos a marca de 12 Deputados Estaduais em diferentes regiões do Brasil, dos quais destaco a eleição do meu amigo, e dirigente, Edilson Silva, um dos principais responsáveis por minha formação política.

Os Próximos Passos

São muitos os assuntos que eu ainda gostaria de tratar aqui, a desigualdade do processo eleitoral, o crime chamado compra de votos, as imoralidades do financiamento privado de campanha, a revolta da população com “os políticos” e mesmo a forma negativa como algumas pessoas são levadas para vala comum dos políticos profissionais, mas terei a oportunidade de seguis tratando desses assuntos em outro momento.

Não sou um político profissional, sou um Assistente Social e vivo do meu trabalho. Nos próximos dias vou resolver as pendências do processo eleitoral (prestação de contas, devolução do comitê, posicionamento sobre 2º Turno), retornar para meu trabalho no Ministério Público da Paraíba e voltar para minha militância no Conselho Regional de Serviço Social da Paraíba, entidade que representa quase 5 mil Assistentes Sociais e tem tido uma participação decisiva na luta por direitos em nossa Paraíba, rompendo os limites coorporativos e defendendo a população como um todo.

Seguirei onde sempre estive, na luta #PorDireitoeLiberdade.

sábado, 4 de outubro de 2014

#Tárcio50 - Não começou em Julho, Não acabará em outubro! Vote #Tárcio50


Não, eu não sou político, faço política. Sou neto, filho, sobrinho, primo, pai, marido, tio, amigo, assistente social, militante social. Sou gente, sou militante, sou Tárcio. Não sou um ser montado por uma equipe de marketing. Sou um ser formado na minha família e na luta por direitos.

As pessoas olham em meus olhos e dizem: “você é corajoso, disse o que queríamos dizer”. Entendo perfeitamente essa posição, debati no primeiro turno com aqueles que sempre governaram nossa Paraíba. Onde o medo impera, as pessoas olham nossa coragem; mas em nenhum momento entendi meus atos como coragem, mas como necessidade!

Não sou de berço de ouro e, mesmo hoje em melhores condições, não ensino vida fácil para minha filha. Ao mesmo tempo, nem de perto, passei as necessidades dos meus avós, minha mãe e minhas tias/tios; mas com elas/eles aprendi o valor do companheirismos, do respeito a vida e minha vontade de mudar esse mundo, mesmo quando eles não sabem, foi com eles que aprendi.

Fiz meu curso de mecânica de auto quando tinha 14 anos, estagiei na Progresso, lá aprendi o que é ter patrão, lá vivi minha primeira greve. Vendi cachorro quente puxando minha carrocinha, e sei o peso da “normatização” do Estado. Em mais de uma vez fiz greve e disse o que precisava ser dito, mesmo em estágio probatório. Nunca deixei de brincar ou de estudar, mas ainda criança ajudei minha vô vendendo dim-dim e máscaras de carnaval; nesse caso não era uma obrigação, mas eu achava o máximo; mas o que eu preferia era vender cocada para os romeiros, gente do povo que rodava quilômetros em “nome da fé”, nada mais, nada menos, que a forma que eles viam a transformação; eu aprendi, quero mudar esse lugar chamado mundo.

Voltando... além de ajudar meus avós, eu ouvia dezenas de histórias (ou estórias) e ia ficando cada vez mais apaixonado pela humanidade. O mesmo eu senti quando ajudava meus tios a noite, vendendo os melhores sanduíches do mundo. A noite é uma escola MASSA. Com esse povo, e com a rua, eu aprendi a amar a vida e a respeitar as pessoas.

Qual a relação disso tudo com o título do texto? Nós, povo, nunca ficamos calados diante das injustiças, nunca paramos nossa luta após “os outubros”; queremos muitos votos no dia 05 de outubro, mas nossa luta é #ParaAlémDoSegundoTurno, é #ParaAlémDasUrnas, é #PorDireitoseLiberdade. Eu não vim do povo, tenho muito orgulho em dizer: eu sou trabalhador, eu sou povo!


05 de outubro é apenas mais um dia na luta #PorDireitoseLiberdade, vamos junt@s #ParaAlémDasUrnas.

sábado, 19 de julho de 2014

Conselho Tarifário - R$2,35 é um roubo - Aumento da Passagem.


Sexta-feira (18/07/2014) o Conselho tarifário de João Pessoa aprovou aumento das passagens para R$2,40.

Em pleno sábado (19/07/2014) o Prefeito aprovou aumento para R$2,35; cinco centavos a mais que o valor aprovado antes dos levantes de junho de 2013!

Em 2013 diziam ser impossível baixar as passagens, era tecnicamente impossível; o povo nas ruas provou o contrário e as passagens baixaram; e agora?

Vamos tomas as ruas por nossos direitos!

Reunião do Movimento Passe Livre João Pessoa




LInk e conteúdo do evento no facebook: https://www.facebook.com/events/1592541404305941/?ref=notif&notif_t=plan_user_joined

Analisando a atual situação do transporte público em João Pessoa, mais especificamente, que agora tem a passagem à beira de custar R$2,40, ou seja, um aumento abusivo, resolvemos dizer não aos lucros exacerbados dos empresários de ônibus. VAMOS DEIXAR O CIDADÃO SEM TER ACESSO AOS PONTOS DE JOÃO PESSOA? VAMOS DEIXAR O ESTUDANTE SEM ESTUDAR POR NÃO PODER PAGAR O ÔNIBUS? NÃO!

Sugestão de pauta:

- Discussão sobre o ato na SEMOB e esclarecimentos
- Discussão sobre novos atos
- Organização de comissões


Não vamos ficar parados, vamos às ruas!
POVO QUE LUTA É POVO QUE VENCE, É POVO UNIDO!

VEM... VEM... VEM PRA RUA VEM CONTRA O AUMENTOOO!!!!

terça-feira, 8 de julho de 2014

09 DE JULHO, BRASIL ACORDARÁ MAIS TRISTE E MENOS REVOLUCIONÁRIO


Não, não estou falando da vergonhosa derrota do Brasil, nem do superfaturamento com as obras da copa ou das mortes decorrentes do mundial; com isso já estamos tristes há um bom tempo. Tive a notícia em meio ao jogo do Brasil, as lágrimas que não vinham como o jogo, chegaram automaticamente ao saber da morte de Plínio de Arruda Sampaio, um companheiro, um socialista, um revolucionário.

Em meio a Copa da FIFA, o Brasil perde um grande atacante, um grande defensor de direitos, o querido Plínio de Arruda Sampaio.

As lágrimas derramadas nesse 08 de julho não escorriam “apenas” de tristeza com a despedida do ex candidato a Presidência da República pelo PSOL; mas com a morte de um lutador social, do responsável pelo Projeto de Reforma Agrária do Governo de João Goulart, de um grande militante que enfrentou a Ditadura Militar, um companheiro que a idade não foi um limitador na sua luta por direitos.

Hoje, 08 de julho de 2014, perdemos um grande lutador; mas a importância que Plínio fez, fará nascer muit@s outr@s revolucionári@s, homens e mulheres que não colocarão limites na luta por direitos.


Plínio de Arruda Sampaio, PRESENTE!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Esposa, Feliz 08 Anos.


Bodas de Barro ou Papoula, 02 de julho de 2014, oito anos de casados; é a marcar que chegamos hoje. Não vejo esses anos como poucos ou muitos, mas de uma intensidade que quero triplicar, quadriplicar, quem sabe chegar ao ouro ou onde a vida permitir.

Claro que não foram anos de pura tranquilidade, mas sempre de amor e adequação as individualidades e atribuições coletivas que envolvem um relacionamento. Sempre que essa data vai chegando peço ajuda ao Drº Google para saber que bodas estamos completando; dessa vez resolvi avançar na busca e saber o que apareceria ao procurar Barro e Papoula, deu muito certa essa busca.

O barro é logo relacionado com a vida, estamos nós completando nossa primeira vida juntos? Caso a resposta seja sim, espero viver muitas outras ao seu lado; caso seja apenas mais um ano de uma mesma vida, que possamos sempre modelar um pouco mais nossos dias, seja entrelaçando de forma conjunta nossos dedos no barro ou separadamente, cada um ajustando uma pontinha de uma mesma estrutura.

Seria a definição do Miniaurélio, sobre a papoula, equivocada para ocasião? Acho que não, ele a define como “Erva papaverácea de cujas flores se obtém o ópio”. Amor e ópio estão diretamente relacionados, na euforia provocada pela paixão ou nos cuidados necessários ao trabalhar a redução de danos, seja em meio a saudade, seja em meio as adaptações da vida cotidiana.

Feliz oito anos companheira Áurea Augusta, que nosso barro nunca seja petrificado ou vire pó, que permaneça possível de moldarmos aos diferentes momentos de euforia do ópio chamado amor.


Te amo!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Candidato(s) Frankenstein nas Eleições da Paraíba

A população vem acompanhando enojada as últimas movimentações políticas para as eleições de 2014 na Paraíba. Os pré-candidatos ainda não escolhidos em suas convenções, e que seus partidos já estiveram no Governo do Estado como Vice ou como Governador (PMDB, PT, PSB e PSDB), não entenderam nada das manifestações de junho e contribuem para ampliar o descrédito da população com os Partidos Políticos e/ou com a Política. O comentário das ruas é um só: “isso é nojento”.

Agora em 2014 a Paraíba vive a eleição com o maio número de pré-candidatos da história: só o PT na Paraíba já teve três pré-candidat@s ao governo (Veneziano- PMDB, Nadja-PT e Ricardo-PSB), quatro se contar a especulação de compor com Cássio- PSDB; o PMDB teve três pré-candidaturas (Veneziano-PMDB, Ricardo-PSB e Vital-PMDB), quatro se contar com o presidente do PMDB/PB e cinco caso possamos incluir os diálogos com Cássio; o PSB de Ricardo e o PSDB de Cássio, que até então eram uma mesma chapa majoritária, aparecem com pré-candidaturas próprias, mas dispostos a disputar e a coligar com qualquer um dos já citados, inclusive entre eles, em caso de recuo de uma das partes. Todos esses, dizem com orgulho algo que deveriam ter vergonha, enchem o peito e afirmam: “é verdade, estamos dialogando”.

Os pré-candidatos Cássio e Ricardo, parte de um mesmo Governo até a metade desse primeiro semestre de 2014, lutam na tentativa de ganhar o PMDB como parceiro de chapa; já este último, utiliza desesperadamente de uma aliança nacional (PT/PMDB) na tentativa de ter o irmão do Prefeito de João Pessoa (é assim que Lucélio é conhecido) como representante em sua chapa Majoritária, mesmo sem Cartaxo e companhia querer.

Quando alguém pergunta sobre quem serão os candidatos em 2014, eu prefiro não tentar analisar, o que vem acontecendo em nossa Paraíba nem a ciência política explica; mas vamos lá, pensei em uma receita que pode ajudar a entender a conjuntura atual. Pegue um caldeirão bem grande e nele jogue: dois tabletes de história de amor e ódio; um pedacinho de cada legenda e pré-candidato citado; as pitadas possíveis de extrair de cada governo no qual os partidos citados estiveram como vice ou como governador; meio litro da relação entre criatura e criador; e os litros de descaso e desrespeito com a população que caibam no caldeirão. Após encher o caldeirão, sugerimos não mexer para evitar maiores constrangimentos, sem muito esforço, é só retirar as baratas tontas que correm de um lado para outro, queimadas pelo descaramento político, e a Paraíba terá um ou mais candidatos Frankenstein.

Por culpa da velha política Frankenstein, ainda presente em nosso cotidiano, a cada eleição que passa, amplia o número de abstenções e voto nulo, ao mesmo tempo amplia o número de pessoas que se distância da política, deixando o caminho ainda mais livre para essas criaturas e seus criadores. É urgente dizer não, definitivamente não somos todos iguais na política, vocês não são iguais a eles, eu não sou igual a eles, nós não somos iguais a eles. Política tod@s fazemos, mesmo a neutralidade é uma posição política. #nadadevepareserimpossíveldemudar


Tárcio
Vice-presidente do PSOL/PB e escolhido na Convenção Estadual como Candidato ao Governo da Paraíba pelo PSOL, decisão reafirmada na Convenção Nacional do Partido.

domingo, 8 de junho de 2014

Um Diálogo Com a Esquerda Brasileira: Os Levantes de Junho, a Reforma Política/Plebiscito e as Eleições 2014.

Apresentação

Não sou e não serei um nome histórico da esquerda brasileira, a realidade e os caminhos escolhidos pelo indivíduo Tárcio Teixeira não permitem tal alcance; mas tenho minhas responsabilidades como Militante da Esquerda Socialista na Paraíba, e até nacionalmente (quando integrante da Comissão Nacional de Ética do PSOL), e buscarei dialogar com os recém ingressos na militância, com aqueles que possuem uma caminhada mais curta como a minha e com os quadros/as da Esquerda Brasileira. Muita pretensão? pode ser!

Comecei a escrever esse texto há mais de três meses, foram mais linhas apagadas que escritas. Tive o cuidado de não dizer que organização X ou Y é responsável por esse ou aquele ato; por outro lado não deixarei de tratar temas polêmicos que envolvem a esquerda brasileira na atualidade.

Não farei esse texto em formato das inúmeras “notas públicas” que em nada ajudam na construção da luta por direitos ou na unidade da classe trabalhara. Tentarei não fazer um debate de que meu partido, o PSOL, é o caminho a verdade e a luz. Irei expor nas próximas linhas algumas reflexões sobre os Levantes de Junho, as táticas para Reforma Política e sobre as Eleições 2014.

Sabemos que análise política e tática nem sempre seguem o critério da realidade, isso pelo fato de alguns teimarem em distorcer os ensinamentos do grande Karl Marx. Por vezes dirigentes partidários/as “forçam a realidade” para caber nos seus desejos; trabalham com emoções e um passado distante, para envolver e direcionar seus/suas companheiros/as de organização a um caminho que não casa com a realidade. Obviamente que esses equívocos são executados por motivos diferentes: alguns por equívocos na análise, outros por crença e, alguns/mas, por puro oportunismo e mentira deslavada.


Levantes de Junho

Tenho escutado de tudo sobre as análises dos Levantes de Junho: as animadoras que apontam a “Revolução Brasileira” na esquina; as que tratam da “Ameaça da Direita” e retira militantes das ruas ao “carregar nas tintas”; e as mais honestas, ou que mais se aproximam da realidade. Eu fico com as análises do livro “Cidades Rebeldes”, publicado no calor das emoções, ainda em julho de 2013.

Obviamente que existiam aspectos da direita nos levantes de junho, assim como havia uma grande tensão típicas das crises pré-revolucionárias; mas qualquer extremo, ou mesmo muitas certezas, é demais para debater o momento atual.

Entre as poucas certezas existentes, quero elencar algumas: 1. nenhum partido ou corrente da esquerda brasileira é responsável (no sentido de fazer acontecer) pelos Levantes de Junho; 2. quem priorizou a construção partidária, ou tentou potencializar as diferenças em detrimento da unidade, acabou sendo duramente criticado e/ou saindo do processo de organização para não contaminar sua “base” (denominação criticada pelos Levantes), não contribuir com o crescimento de outras organizações e/ou preservar Governos que iam no sentido contrário dos Levantes de Junho; 3. centenas de pessoas, sem filiação partidária ou participação em movimentos, entraram no processo e cumpriram papal de dirigentes, rotulá-los de despreparados/as ou caminhar no sentido contrário da horizontalidade de Junho é, no mínimo, fechar os olhos para realidade, muitos/as deles/as estavam mais certos que nossas “históricas” organizações.

Os Levantes de Junho foram superiores as organizações da Esquerda Brasileira. Felizmente a força popular é maior que nós. Devemos ficar felizes ao confirmar que existem mais lutadores/as sociais fora, do que dentro de nossas organizações, do contrário estaríamos fadados a derrota. É um grande erro (ou oportunismo) dividir os campos entre Táticos e Esquerdistas ou Governistas e Socialistas. Nossos companheiros/as estão no PSOL, na Consulta Popular, no PSTU, na hoje reduzida esquerda do PT, no PCR, no Coletivo Fora do Eixo e em inúmeras outras organizações e militância independente.

Obviamente temos diferenças, do contrário estaríamos na mesma organização; essas diferenças podem ser potencializadas ou reduzidas; qual caminho você quer seguir? Essas diferenças, em meio aos Levantes de Junho, se desdobraram entre diferentes caminhos que hoje impactam a relação entre companheiros/as; estou falando dos/as que priorizam o Plebiscito pela Constituinte acima de tudo, inclusive de muitas lutas do povo brasileiro; os/as que rotulam de (no mínimo) governistas os/as que estão na organização do Plebiscito; os/as que querem separar esse debate de todo processo eleitoral; e os/as que entendem esse debate como parte do mesmo debate político, posição que compreendo ser a mais próxima da realidade. Quem tenta fugir do Real e esconde a militância em uma ficção romântica terá que, em um futuro próximo, assumir sua responsabilidade com a história; vontade não é – necessariamente – realidade.

Reforma Política

A Reforma Política tem ou não relação com os Levantes de Junho? Essa é outra (das poucas) certeza que tenho, a Reforma Política é uma reivindicação das ruas sim; contudo, precisamos discutir a intensidade, a ordem de prioridade e a tática que melhor mobilizará a classe trabalhadora. Ainda de caráter introdutório para esse tópico, não vou dizer que todos/as que estão priorizando a pauta da reforma política seja defensor/a do Governo PT/PMDB, apesar da pauta ter sido apresentada por Dilma na expectativa de barrar os Levantes de Junho.

Antes mesmo de Junho, uma importante parcela da Esquerda Brasileira já levantava a bandeira da Reforma Política; assim como dos 10% do PIB para Educação Pública, Passe Livre, Saúde e Segurança de qualidade, essas últimas com bem mais intensidade na vida da população.

É bem verdade que as Políticas Públicas não são, nem de perto, o caminho ou a chegada para Emancipação Humana; também é verdade que a Reforma Política, realizada em meio ao Capitalismo, também não significa Emancipação Humana; contudo, quem inicialmente levou milhares de pessoas para as ruas foi uma pauta bem objetiva, a redução das passagens, seguida de outras pautas bem objetivas da vida cotidiana; não foi a Reforma Política, apesar da dura critica dos/as manifestantes aos partidos políticos, parlamentares e governantes.

O que seguiu mobilizando a população após Junho? A luta por direitos ou o Plebiscito pela Constituinte? Não faço essa pergunta aos que constroem o Plebiscito para blindar o Governo ou dizer que Dilma estava certa, faço aos/as que constroem o Plebiscito tendo como foco a Reforma Política e a ampliação da democracia em nosso país. O Brasil segue mobilizado por pautas objetivas, é essa pauta das ruas que pode potencializar o Plebiscito e fortalecer a realização de uma Reforma Política.

Os/as companheiros fizeram o teste nas ruas sobre a pergunta do Plebiscito? E com seus amigos/as mais próximos, fizeram? A maior parte das pessoas não tem a mínima ideia do que significa: “você é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político?”. A luta cotidiana e as críticas das ruas ao Sistema no qual vivemos mobiliza bem mais que as atividades de formação sobre o Plebiscito pela Constituinte. Lembram da palavra de ordem “Paz, Pão e Terra”?

Não estou dizendo com isso que o Plebiscito não é válido, estou inclusive estudando a melhor forma de contribuir; só estou afirmando que é um grande erro priorizar essa pauta sem levá-la para as ruas juntamente com as bandeiras que lá estão. O debate do Plebiscito pela Constituinte precisa ser pautado nos atos que estão questionando aos gastos de Dinheiro Público com a Copa, nos atos dos Professores, dos Garis, dos Rodoviários, dos Metroviários, do Ocupe Estelita, Ocupe a Beira-Rio, nas ações do Fórum dos Servidores Públicos e nas demais ações de rua que tomam conta do nosso país.

Mesmo com o foco na Reforma Política, é preciso refletir sobre o que teve mais visibilidade e diálogo social com a população nos últimos meses, se as ações do Plebiscito pela Constituinte ou as ações da OAB e do Senador Randolfe junto ao STF contra o Financiamento Privado de Campanha? Não estou contra o Plebiscito, mas precisamos refletir como envolver as diferentes organizações da Esquerda Brasileira nesse processo, foram assim os últimos plebiscitos populares realizados no Brasil. Quem for pautar uma bandeira tão importante priorizando o processo de construção de uma ou outra organização política, terá um grande prejuízo no futuro, sem contar o preço da fatura cobrado pela luta de classes.

Não poderia deixar de lembrar as polêmicas em torno das consequências desse processo, a pergunta do Plebiscito, isoladamente, é comum a muitos, podendo ser inclusive da direita brasileira. A palavra de ordem “mudar o congresso” não é necessariamente libertária, pode ter um cunho conservador ao apontar que a solução do povo é o Congresso Nacional; mais ainda quando não se tem claro quem serão os constitucionalistas ou quando, em meio ao processo eleitoral, alguns que organizam o Plebiscito, começam a fazer campanha para Deputados Federais que votaram na Lei Geral da Copa, contra os 10% do PIB para Educação Pública ou não levaram as últimas consequências o debate da Reforma Política no Congresso Nacional.

Eleições, esse é outro foco do debate sobre o Plebiscito pela Constituinte. O que significará fazer uma atividade desse porte em meio as eleições para Presidente, Governador/a, Congresso Nacional e Assembleias Legislativas? Espero que seja, também, uma forma de “mudar o Congresso” e fortalecer a Esquerda Brasileira. Os/as organizadores/as do Plebiscito não podem cometer o mesmo equívoco do editorial do Brasil de Fato ao: comparar o Governo Dilma/Temer (PT/PMDB) aos Governos Populares da Venezuela, Bolívia e Equador; desqualificar as candidaturas da Esquerda Brasileira; e ao apresentar Lenin para solucionar as contradições de algumas organizações sem, ao menos, analisar o contexto de cada época.

Eleições 2014

Não acredito que os Governos do PSDB seguiriam a mesma postura do PT em temas como: o Marco Civil da Internet, da Lei Menino Bernardo, da Regulamentação do Trabalho Doméstico e mesmo a postura como debate (só debate) a proposta de regulamentação da mídia. Definitivamente, o Governo do PT não é igual ao Governo do PSDB.

Apesar de não possuir sinal de igual entre PT e PSDB, esses dois partidos ainda possuem forte unidade; votam conjuntamente contra os 10% do PIB para Educação Pública, Lei Geral da Copa e “Lei Antidrogas” (reforça o proibicionismo e autoriza internação compulsória). Não podemos esquecer que o Governo Dilma/Temer (PT/PMDB) mantém sérios traços neoliberais, a exemplo da política de privatização (Aeroportos, portos, petróleo, hospitais universitários), desmonte da Previdência Social e as novas formas de flexibilização do trabalho.

Com toda essa política implementada pelo Governo Dilma/Temer, entendo ser um equívoco muito grande igualar esse Governo aos Governos Populares da Venezuela, Bolívia e Equador, como fez o Brasil de Fato no texto “Eleições presidenciais e o papel do esquerdismo”, publicado em 03/06/2014. Estes países seguem um caminho bem diferente dos exemplos apresentados no parágrafo anterior.

O mesmo texto do Brasil e Fato, dedica sua energia ao que chamam de esquerdismo; no momento que o texto relaciona o esquerdismo e o processo eleitoral, acaba por impor ao leitor o entendimento que as candidaturas da Esquerda Brasileira não são táticas na defesa de um projeto de América Latina; felizmente os Levantes de Junho foram pela esquerda e as candidaturas do PSOL, PSTU e PCB poderão fazer um importante debate sobre América Latina e ocupar o espaço deixado pela maioria do PT.

Ao falar do Governo Dilma/Temer, tratar da importância do “desafio de reafirmar uma estratégia revolucionária e, ao mesmo tempo, combinar firmeza ideológica com flexibilidade na tática” (Brasil de Fato), é querer impor uma vontade diante da realidade que aponta para outro caminho. Quem ignora a possibilidade da derrota de Dilma/Temer nas eleições de 2014, não é o esquerdismo ou os partidos da esquerda socialista que apresentarão candidaturas de luta nas eleições de 2014, mas o Governo PT/PMDB que, apesar das diferenças do seu antecessor, optou por outro caminho que não o percorrido por outros governos na América Latina.

Não diria que os/as companheiros/as que fazem ataques as candidaturas da esquerda sejam intelectualmente fracos, mas que distorcem sua intelectualidade para caber em seus desejos (ou suas táticas) e não aparentar oportunismo diante dos/as seus companheiros/as de organização ou pessoas que os tenham como referência. Os militantes da esquerda socialista não precisam se engalfinhar no período pré-eleitoral ou eleitoral, basta que defendam de fato o que acreditam e que deixem claro até onde vai sua “flexibilidade tática”.

Estive nos Levantes de Junho e vi a vontade de mudança da população. Mudar não é andar para trás e também não é permanecer o mais do mesmo. Estou na pré-campanha do companheiro Randolfe Rodrigues e minha flexibilidade tática não cabe José Alencar ou Michel Temer na vice.

 

                        Tárcio Teixeira


                        Pré-candidato ao Governo da Paraíba pelo PSOL