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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Institucionalidade (o Estado) Mata Mais Um Adolescente na Paraíba

Hoje fui para rua escrever esse texto, não consegui ficar em casa, nem conversar com minha esposa consegui, a dor não cabia entre quatro paredes; fugi, não espere cronologia ou coerência textual nas próximas linhas.

Há mais de uma semana tento escrever meu texto de final de ano, mas a realidade, com sua dinâmica avassaladora, teima em impedir meu balanço anual. Hoje foi a notícia de mais uma morte no CSE (Centro Socioeducativo) ou “novo CEA”, já que não percebe-se mudança alguma no cotidiano da nova unidade o povo mantém o mesmo nome; foi a segunda morte em menos de um mês da inauguração da unidade que impediu que eu terminasse meu texto.

Harmonia é o nome de uma das alas do CEJ (Centro Educacional do Jovem- FUNDAC), harmonia é o que menos se tem visto no “novo CEA”, unidade que leva o nome de Edson Mota (http://www.tarcioteixeira.com/2012/03/quem-matou-edson-motta-servidor-da.html), tenho certeza que se esse companheiro estivesse vivo estaria muito triste com o que tem ocorrido, não sei se podemos chamar isso de homenagem.

Hediondo, é como alguns/mas denominavam um homem que eu muito admiro, mesmo sem nunca ter dito isso para ele; o único motivo para essa denominação era sua postura dura diante da verdade (o que não significa culpa, como alguns confundiam), pois o que conheci foi um profissional que respeita(va) meu campo de atuação; um Promotor que acredito mesmo eu não acreditando,desde minha adolescência, na independência dos poderes e na “ordem estabelecida”; autoridade que ainda em 2012 entrou com uma Ação Civil Pública na busca de garantir os direitos dos/as que estão sob a responsabilidade do Estado.

Haicai nenhum conseguiria explicar a “coincidência” da autoridade que fiz referência anteriormente sair da área da infância logo após impetrar com Ação Civil Pública e não ter as mínimas condições de seguir com seu trabalho; não vou expor essa personalidade a quem tanto respeito, sei que ele pode até não concordar e não gostar dessas linhas, mas tenho o hábito de trazer ao público temática que precisam ser debatidas.

Haver conquistado meu afastamento do MPPB para atuar como Presidente co CRESS/PB não distanciou minha prática no campo da defesa dos direitos da Criança e do Adolescente, muito menos entre os/as adolescentes e jovens em conflito com a lei; até mesmo porque sei que são mais vítimas que algozes; não estou com isso dizendo que lá (nas unidades de internação) estão apenas santos e/ou inocentes; estou dizendo “apenas” que são pequenos perto dos que usam helicópteros para o tráfico ou os que fecham Delegacias, Ouvidorias de Polícia e Operação Manzuá e acabam (já que não posso comprovar a intenção) favorecendo o crime organizado.

Hematomas surgem todos os dias na mente de colegas assistentes sociais que trabalham na área da educação, elas/es sim sabem o que passam esses/as adolescentes antes de chegar ao CEA, CEJ, CES, Casa Educativa ou qualquer outro nome que seja dado para essas unidades que tudo parece, menos Centros Sócio-Educativos. É fundamental lembrar que sempre existe um adulto envolvido, não podemos instituir a política dos berçários de segurança máxima, a redução da maioridade penal não resolve o problema, mas políticas públicas; ou melhor, uma sociedade humana, com o H que iniciou todos os parágrafos desse texto, apenas essa, é capaz de avançar para uma sociedade sem prisões.


Humanidade não é apenas mais uma palavra com H solta no dicionário, a humanidade não é essencialmente má, apesar de tentarem impor ideologicamente essa farsa, somos (Humanidade) mais e podemos mais!

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