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domingo, 23 de junho de 2013

Junho Vermelho: Novas Organizações Para Velhos Ataques.

Movimento Passe Livre e Movimento Sem Teto chamam ato em São Paulo

JOÃO PESSOA - Novo ato em 27 de junho, 15h (no Lyceu)


Tárcio Teixeira*

Começo esse texto afirmando que as Manifestações que tomam conta das ruas do nosso país são de claro viés progressista, dito de outra forma, estamos mobilizados contra uma minoria conservadora que tenta impor seu modelo para maioria da população do nosso país. O Gigante, o Povo Brasileiro, não acordou agora, derrotou ditadura e manteve-se em luta, basta lembrar das lutas pelo Passe Livre, Contra a Corrupção, Contra a Privatização das Políticas Públicas, pela Lei da Ficha Limpa, pela Criminalização da Homofobia, pelo Casamento Civil Igualitário, contra o machismo e o racismo, por Reforma Agrária, por Moradia, por 10% do PIB para Educação Pública, entre dezenas de outras bandeiras progressistas defendidas por nós que fazemos nosso país.

As novas formas de organização social que potencializaram essas lutas e aglutinaram centenas de milhares de pessoas com todas essas bandeiras partiram de uma luta em curso pela Redução das Passagens e pelo Passe Livre. Unidade essa que possibilitou grande mobilização social, bonita, forte e já com vitórias iniciais.

No dia 20 de junho, do alto do trio da organização do evento, eu olhava para baixo e parecia que eu estava dentro de um computador, mais precisamente do Twitter ou Facebook; dezenas de pessoas com seus cartazes representando as dezenas de posts publicados ou compartilhados, garantindo ali a unidade de uma grande luta que apenas começou. Estamos vivendo mais um importante acúmulo das forças sociais em nosso país.

Longe da realidade os que acham que aquelas pessoas são alienadas e despolitizadas, ultrapassados os que pensam que darão a linha com seus modelos pré-históricos, sem noção a direita infiltrada no ato achando que dará a linha conservadora aos milhões foram ás ruas contra o conservadorismo em todo país. Ultrapassamos a fase analógica da sociedade, vivemos em uma sociedade digital, o que de forma alguma significa virtual, vimos de forma muito concreta o estágio atual da nossa sociedade nas ruas.

Esse movimento é também contra a estrutura social aí posta e por novas formas de participação popular, entre outras bandeiras mais globais. Os partidos de direita não tem autoridade para levar suas bandeiras aos atos, todos percebem quais partidos estão permitindo e/ou defendendo a cura gay ser imposta; os que precarizam e privatizam a saúde e a educação pública, aqueles que se envolvem em mensalão e privataria e os aumentam as passagens de ônibus.

Ao contrário do que as Redes de Televisão tentam impor, os partidos de esquerda estão sendo bem recebidos, o Movimento só não aceita que sejam impostas suas bandeiras e forma de organização. Discordo da forma como trataram os partidos nos últimos atos, mas tenho claro que não foi um gesto anti-partido (mas de autonomia) e que havia pessoas infiltradas fazendo o jogo político do conservadorismo.

No ato em João Pessoa ficou claro a presença da milícia, de policiais infiltrados e da direita clássica que tentava causar problema na atividade. Quando descemos do carro de som e evitamos problemas no ato, fui cercado por pessoas que se diferenciavam em muito dos que ali estavam, jovens bombados com uma postura conservadora que veio em clara postura de agressão, um deles se apresentou como membro do DCE da Maurício de Nassau, tive a curiosidade de procurar na internet e vi que suas fotos, fui ainda no página do TER e percebi nomes bem próximos aos que parece no Face filiados ao DEM e PSDB, eram estes que gritavam sem partido, ficando claro os objetivos no entorno do trio e a postura diante dos demais; não entramos no jogo dessas pessoas e saímos de perto com muita habilidade. Uma pessoa que conheço, e é da Gestão do Governador Ricardo Coutinho, de imediato disse não se trata de direita ou esquerda, não acho que ela saiba o que estava dizendo, acredito nessa garota e ela vai perceber onde se meteu. A direita conservadora e minoritária dilui-se no ato.

Nas redes sociais também existem infiltrados de ultra-direita, basta verificar o perfil, as fotos e as (principalmente) opções de curtir. Lá (nas redes sociais) os que postam violência entre os manifestantes ou buscam confundir as pessoas são facilmente identificados, uns não possuem quase amigos, não possuem fotos e/ou entre as curtidas da maioria desses conservadores de direita existe páginas que defendem golpe militar. Aqui trata-se uma ínfima minoria facilmente identificada pelos militantes sociais em luta.

Não foram os partidos que colocaram o povo na rua, seria muita pretensão, mas esses que sempre estiveram nas lutas sociais precisam aprender com as novas formas de organização do mundo digital que encolhe as distâncias e permite conexões mundiais da luta política. Uma era de novidade onde o novo e o tradicional ainda estão em processo de conexão entre as metodologias de mobilização social horizontal.

Sejam os/as novos ou os/a antigos militantes, nenhum deles tolera repressão ou que as liberdades individuais sejam tolhidas. Quando a Presidente Dilma (PT) envia a Força Nacional para cinco capitais do nosso país, o Alckmin (PSDB) age da forma altamente violenta como fez com os manifestantes em São Paulo (ou com a população de Pinheirinhos), ou Ricardo Coutinho (PSB) derrama infiltrados no Movimento, nossa luta fica ainda mais forte e unitária.

As primeiras vitórias concretas partiram da pauta inicial do Movimento Passe Livre que segue em luta, foi a redução das passagens em todo país; mas a pauta hoje é muito maior e progressista, seguiremos mobilizados. O Governo Federal (PT/PMDB) percebeu isso, ficou claro no pronunciamento Dilma, a Presidente só não apresentou nenhuma medida concreta e fez declarações claras de apoio a FIFA.

Tudo indica que as lutas sociais estão apenas começando, é uma fase de grande acúmulo político no sentido de outras formas de organização popular e institucional. Conservador e progressista, direita e esquerda não se definem no limite de bandeiras partidárias, mas em sua postura cotidiana e pautas defendidas, seguem algumas das principais bandeiras levantadas nas manifestações:

Transporte Público – Redução das Passagens, Passe Livre para Desempregados/as e Estudantes, Qualidade no Transporte Público.

Em defesa da saúde e da educação – Basta de privatização, em defesa do SUS e dos 10% do PIB para educação pública.

O petróleo é nosso, não deixemos seguir o processo de privatização.

Em Defesa da Soberania Nacional, pelo fim dos limites impostos pela FIFA.

Todos/as contra a Corrupção – Retirada imediata da PEC 37 da pauta de votação; Voto aberto no Congresso Nacional; Punição de mensaleiros e julgamento da Privataria Tucana; Revogabilidade dos mandatos; Reforma política com maior participação popular.

Contra Criminalização dos Movimentos Sociais.


* Não texto não foi debatido com outras pessoas, é apenas uma reflexão inicial que eu gostaria de compartilhar nesse importante momento de luta social em nosso país.
* Tárcio Teixeira (Presidente do Conselho Regional de Serviço Social da Paraíba, Membro da Comissão Nacional de Ética do PSOL, Tesoureiro do PSOL/PB e Assistente Social do Ministério Público da Paraíba).

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