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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Transporte: Caro e Ruim do Litoral ao Sertão (João Pessoa / Tavares)



Ao tempo que Clarinha (de apenas 9 meses) agarrava o peito da mãe, puxava os cabelos da irmã (que devia ter uns 2 anos) e empurrava minha barriga com seus pés minúsculos como aquelas duas poltronas que encaixávamos nossos 4 corpos. Esse foi apenas o começo da viagem que fiz para realizar algumas inspeções pelo CRESS/PB (Conselho Regional de Serviço Social da Paraíba), com o amigo Flávio Nery, nas cidades vizinhas ao município de Tavares.

Além de todas as cadeiras lotadas, algumas até bem lotada, aproximadamente 20 pessoas em pé completavam o desrespeito do transporte público intermunicipal que, assim como na capital, cobram valores absurdos para viagens super desconfortáveis.

Em meio aos gritos de “Clarinha você tá machucando”, eu olhava para Paulinha (Irmã de Clarinha) e lembrava das inúmeras viagens que fiz ao lado de meus irmãos e primos espremendo minha mãe, tias e/ou mesmo estranhos nas “mesmas” cadeiras desconfortáveis que na noite passada (07/05/2013) passei 8 horas para viajar de João Pessoa até Tavares.

Confesso que dei risada ao lembrar do passado espremido e de poucos recursos. Tenho certeza que todos/as temos um pouco de “A Vida É Bela” em nossas vidas, criando fantasias para passar horas e horas com nossos filhos em meio ao sufoco cotidiano, aqui não falo só de transporte público.

Depois de muitos quilômetros, uma cadeira ficou vaga e eu deixei Clarinha, Paulinha e a mãe delas nas duas cadeiras e mudei de lugar; logo que sentei percebi que a cadeira “era de balanço” e a cada freio ou curva brusca (que não era poucas) meu corpo era jogado para frente.

Evitando que vocês desistam de conhecer essa bonita região do nosso estado, não descreverei os odores das marmitas ou salgadinhos abertos no percurso, assim como não desenvolverei as muitas linhas que dariam os telefonemas da senhora que descobriu no ônibus um primo de sabe-se lá quantos graus.

Fora as viagens feitas na infância, e a relatada nessas poucas linhas, só lembro de algo parecido em uma percurso feito de Brasília para Natal ao lado de uma amiga muito especial; mas estas (viagens) dariam outros muitos textos e contos com os focos mais diversos.

Não falarei das incontáveis incertezas que eu catava durante as centenas de quilômetros percorridos, mas concluirei com algumas certezas que quero compartilhar: só a luta muda a vida (e a qualidade/preço do transporte); é possível sorrir e aprender nas estradas da vida!


Tárcio Teixeira - Tavares, Jurú, São José de Princesa, Manaíra, Princesa Isabel, Água Branca e Imaculada, 07/08/09 de abril de 2013.


Um comentário:

  1. Olá Tárcio, li o texto e fiquei imaginando sa censa da su viagem. Já vivenciei muitas situações parecidas, nas inúmeras viagens de CG ou JP pro sertão (Olho Dágua. Parabéns pelo blog. Glete

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