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domingo, 3 de março de 2013

Roda Punk: a Legitimidade do Rock e a Legitimidade da Política.



Fotos de Thercles Silva.
Ontem fui para o “Grito Rock”, um festival que começou sexta e vai até o sábado (03/03). Na ida para a Praça Antenor Navarro, onde acontece o evento, eu ainda estava um pouco chateado (triste e/ou decepcionado, não sei ao certo) com o “fogo amigo” que derramava calunia na internet e não respondia aos questionamentos mais que legítimos feitos em um espaço restrito de dirigentes; felizmente o rock permitiu que eu ganhasse minha noite e escrevesse as próximas linhas já bem tranquilo e certo dos caminhos a percorrer.

Um dos primeiros shows que assisti ontem foi da banda “Gata Preta”, os jovens cantavam clássicos do Rock nacional, a exemplo de “Aluga-se”, de Raul Seixas, e músicas autorais, das quais uma em especial chamou minha atenção. No mesmo espaço que ocorria o show da “Gata Preta” uma roda punk tentava se formar de maneira muito frágil, tanto que se desfez ainda nos primeiros giros; ao contrário da roda que girava de forma massiva a quilômetros por hora em outro espaço cultural do Varadouro. Aqui eu matei a charada... “Roda Punk: a Legitimidade do Rock e a Legitimidade da Política”.

No Rock não tem meio termo: ou você tem legitimidade para tocar e aglutinar seu público, ou seguirá sempre tocando para seus vizinhos, mesmo que eles não gostem. Na roda punk é a mesma coisa, não existe metade de uma roda, ou ela aglutina ou se desfaz.

Na política a legitimidade nem sempre é considerada, nem todos/as que fazem política (ou pensam que faz) tem legitimidade para tal; até mesmo porque, diferente dos clássicos do Rock, os giros políticos muitas vezes são “incompreensíveis”. Claro que o ser ou não legítimo não fica atrelado ao que acreditamos, do contrário, bastaria discordar para dizer não ser legítimo o reconhecimento de fulano ou beltrano. Contundo, existe quem “não cole” e tenha seu reconhecimento bem limitado e/ou relacionado seja: ao dinheiro, a determinado apoio político, por uma candidatura (mesmo quando não emplaca), ou simplesmente pela utilidade.

Sou fundador do PSOL e já vi algumas pessoas passarem pelo Partido querendo mudar o seu perfil (do partido), felizmente temos claro nosso estatuto e programa, assim como temos dirigentes que percebem de imediato os casos de quem ingressa com objetivos meramente individuais ou desvirtuados dos nossos princípios. Em minha curta jornada já vi gente saindo ao perceber que o PSOL tem prumo certo (de esquerda, socialista e não sectário); da mesma forma vi gente sendo convidada a sair e sendo colocada para fora por não seguir os princípios partidários, o PSOL tem lado, o lado dos/as trabalhadores/as.

Os acordos políticos também são legítimos, mas assim como as boas parcerias no mundo do Rock é preciso ter princípios claros e saber até que ponto uma articulação é tática ou estratégica. Já fiz parte uma chapa de DCE com quase 10 correntes e partidos diferentes em nome de uma disputa contra a direita clássica (PSDB, PMDB e PFL), ganhamos antes de abrir as urnas (1998); da mesma forma participei da eleição do CRESS/PB com um grupo tão unitário que não tivemos necessidade de rebaixar o programa em nome de uma possível articulação, neste caso ganhamos de um grupo que tinha entre seus componentes seis cargos comissionados do primeiro e segundo escalão do Governo do Estado da Paraíba e da Prefeitura de João Pessoa (2011). Aqui limito ao exemplo de uma das primeiras eleições que participei e da mais recente, ninguém constrói legitimidade política com factóides e sem riscos pessoais e coletivos.

Quem não sabe tocar Rock é facilmente identificado, na política pode demorar um pouco, mas sem legitimidade social o “cantor” é facilmente identificado.

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