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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O Saci Estava na Ceroula.



“Saí do mundo por cinco dias e soube que o Papa pediu exoneração, só acreditei porque vi o Saci lá na Ceroula” (São Carnaval)

Como eu disse antes da despedida, nenhum Carnaval é igual ao outro! Caso eu fosse falar das diferentes novidades que vi, das maravilhosas repetições, ou das pessoas divertidas que convivi esses dias (conhecid@s e nov@s conhecid@s), eu escreveria um ou dois contos para cada dia; mas não farei isso, vou dedicar essas breves linhas para falar sobre um ser que escuto histórias sobre ele há muito tempo, o Saci; isso mesmo, no Carnaval eu conheci o Saci.

Foi na Saída da “Ceroula” que conheci o Saci, nem venham dizer que era um cara fantasiado, respeitem a vida vivida nos últimos cinco dias, não foi conversa de corredor, eu vi; ele estava ao lado de São Carnaval. O Saci que vi era negro, usava um barrete vermelho, fumava um cachimbo de madeira e tinha apenas uma perna, isso mesmo, uma única perna.

Sabem o que é a “Ceroula”? Precisam saber para entender meu espanto ao ver aquele ser (o Saci) naquela ladeira. A “Ceroula” é um das troças mais tradicionais do Carnaval de Olinda, fundado em 1962 e conhecida pelo poder da sua orquestra e por distribuir litros e litros de batida aos foliões. Enquanto a orquestra se organizava para tocar, e o estandarte já começava a desfilar, São Carnaval, o Saci e outras (ainda) dezenas pessoas ouvíamos uma senhora cantar Coco lá de sua varanda, linda apresentação. O Coco só parou quando o frevo começou e o Saci repôs sua garrafinha de batida.

Imaginei que ali encerraria o Carnaval do Saci, afinal de contas como “encarar” o momento em que a “Ceroula” dobra ao lado da Igreja do Amparo no sentido das barracas do Axé e do Pau do Índio? Um leve lapso em meu coração carnavalesco... claro que estaria o Saci energizado por ter acompanhado cada movimento feito pelo estandarte ao cumprimenta as pessoas que enfeitaram suas casas para aguardar a chegada da “Ceroula”.

Emocionados com o percurso da animada troça e tristes com chegada da Quarta-feira de Cinzas, muit@s choravam (São Carnaval, o Saci e alguns outros foliões) ao acompanhar a queda de cada confete arremessado. As lágrimas não impediam a diversão e os gritos do Saci: “ei, você que tem duas... empresta uma perna dessa aí para eu aguentar brincar até a Quarta-feira”.

Depois curtir muito frevo ao lado da orquestra da “Ceroula” e em meio ao espremido de milhares de pessoas nas ladeiras estreitas de Olinda, segui para os Quatro Cantos e depois para as barraca dos partidos, deste dia em diante nunca mais vi o folião Saci, que com apenas uma perna sabe muito bem o que é Carnaval.

Feliz 2013! Que venha o Carnaval de 2014, falta pouco mais que 350 dias... mas enquanto isso TEMOS MUITO O QUE FAZER FORA DA MATRIX, usemos nossa criatividade e força transformadora para além do Carnaval.

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