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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

É Hora de Salvar o Rio Jaguaribe e Responsabilizar os/as Culpados/as por Crime Ambiental.



No dia 30 de janeiro de 2013 representantes da Assembleia Popular (AP) e moradores/as do Bairro de São José realizaram visita ao trecho do Rio Jaguaribe que foi aterrado pelo Manaíra Shopping. Entre as entidades presentes eu gostaria de destacar a presença de representante da Associação dos Geógrafos e do Conselho Regional de Serviço Social 13ª Região- Paraíba (CRESS/PB), esta última representada por mim (Tárcio Teixeira- Presidente da entidade). Como, após a visita que relatarei nesse texto, não tivemos reunião da AP ou do CRESS/PB, assinarei essa nota como Dirigente do PSOL, Tesoureiro do Partido na Paraíba e membro da Comissão Nacional de Ética.

Esse texto é importante para reflexão coletiva sobre nota paga (Manaíra Shopping/ Roberto Santiago) publicada nos jornais grande circulação no dia 31 de janeiro de 2013, no dia seguinte a visita realizada por diversas organizações sociais ao Rio Jaguaribe.


Nota publicada pelo Manaíra Shopping: Confundir ou Esclarecer?

No dia seguinte a visita das entidades ao Rio Jaguaribe, o Manaíra Shopping publica nota em jornal dizendo que a “acusação de estar aterrando o Rio Jaguaribe é absolutamente falsa” e que pessoas leigas acusaram irresponsavelmente o Manaíra Shopping”. A nota diz ainda que o objetivo da obra é “evitar a inundação das casas ribeirinhas da comunidade São José”. Antes de apresentar o que vimos na visita ao Rio Jaguaribe (em fotos, textos e vídeos) eu gostaria de alertar para os seguintes aspectos relativos ao documento publicados pelo representante do Shopping como provas de uma suposta inocência:

1. porque na publicação do “Documento 1”* (Termo de parceria público-privada em 2012) é cortada exatamente a parte do texto que iria dizer as bases de elaboração da Parceria Público-privada?;

2. porque no “Documento 2” (Termo de parceria público-privada em 2005), diferente do primeiro, não é publicada a clausula referente ao Objeto do Termo?;

3. porque nenhum dos dois relatórios de vistoria (“Documento 3” e “Documento 6”), publicados em nota paga pelo representante do Shopping, foram assinados pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, mas pelo órgão estadual e por uma empresa privada? Seria pelos mesmos motivos que publicaram os ofícios enviados pelo Governo do Estado ao Ministério Público em dezembro de 2012 e não sobre as denúncias feitas já em 2013?

* A numeração desses documentos é a referência dada na nota publicada pelo Shopping Manaíra.


Visita ao Rio Jaguaribe: A VERDADE DOS FATOS.

Devem ter percebido que preferi refletir com vocês sobre a (des)informação da Nota do Manaíra Shopping e não partir diretamente das possíveis (e verdadeiras) acusações, mas vamos aos fatos.

A visita dos/as membros da AP realizada ao Rio Jaguaribe (30/01/2013) foi feita por pessoas que não possuem interesse econômico algum no debate posto, mas por militantes sociais com conteúdo técnico e político que querem contribuir na defesa do Meio Ambiente. O representante da Associação dos Geógrafos ficou de elaborar uma nota técnica sobre a visita, mas adiantou aos presentes na atividade que as informações que tentam justificar a ação em curso no Rio são falsas, apenas jogo de palavras para distanciar as pessoas da verdade.

O curso e o espaço do Rio – Vejam nas fotos que o Rio Jaguaribe, no pouco espaço que resta, busca seu espaço na área que hoje é ocupada pelo Shopping. Grande parte do Rio foi aterrado (Aterrar- “Encher de, ou cobrir com terra” MiniAurélio) ou estamos falsificando as fotografias?
 
 


O lixo – Por vezes o povo ribeirinho é culpado pela sujeira do Rio, as fotos (e vídeo) mostram canos do Shopping despejando resíduos durante todo o dia e em quantidades absurdas e, ao mesmo tempo, é possível verificar a limpeza do lado das residências.

Vídeo - http://www.youtube.com/watch?v=5jjVDCs4SQM
Vídeo - http://www.youtube.com/watch?v=xwi72e8Y4jY



O aterro – Não sou engenheiro ou geógrafo, mas felizmente tenho minha visão perfeita e mostro aqui um pouco do que vi, mais da metade da área do Rio tomada por areia e barro. O que vi em alguns momentos parece mesmo cimento, de tão dura a substância que cobriu o Rio.



 





O povo versos os carros (a vida ou os motores?) – A nota do Shopping tenta dizer que quer salvar as pessoas, preservar as casas da comunidade ribeirinha; vejam o tamanho do monte de terra jogado sobre o Rio, uma faixa de areia bem mais alta que as casas, o que acaba colocando o rio para longe do ESTACIONAMENTO do Shopping e forma um verdadeiro MURO que, quando chegar as chuvas, vai levar o Rio para dentro da casa das pessoas. UM CRIME AOS DIREITOS HUMANOS, O PODER ECONÔMICO NÃO PODE PREVALECER.




Contra fatos não existem argumentos, os órgão de fiscalização precisam tomar alguma providência. Um Rio do porte do Jaguaribe não é algo de uma fronteira municipal ou estadual, mas de todo o planeta; gestores/as públicos das diferentes esferas, órgão de fiscalização e sociedade civil devem lutar pelo Jaguaribe e em defesa do povo ribeirinho, tão atacado na atualidade com desculpas da chegada do “progresso”, argumentos falsos vindo de séculos passados.

Onde hoje é um shopping já foi um mangue; onde hoje tem um Rio é preciso seguir sendo um Rio.

 Todos/as em defesa do Rio Jaguaribe e pela responsabilização dos/as envolvidos/as em Crimes Ambientais.

Tárcio Teixeira- Tesoureiro do PSOL/PB e Membro da Comissão Nacional de Ética do PSOL.

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