Siga o Blog por E-Mail.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Carnaval: alertas e despedidas.



Como tenho feito nos últimos anos, faço um breve texto de “despedida” antes do Carnaval (sempre com letra maiúscula), período do ano que visto o manto de São Carnaval e, como ele não tem e-mail ou celular, desligo do mundo por esses quatro ou cinco dias.

Quando resolvemos morar em João Pessoa, passamos a brincar de forma intensa as prévias carnavalescas em nossa cidade, muito massa por sinal. Além do texto que fiz sobre as virgens (vai no final desse para os interessados/as), gostaria de trazer um pouco do que vi nas prévias, inclusive sobre o “mundo do trabalho”.

Alguns dizem que o Carnaval é uma ferramenta de dominação e exploração, penso que um pouco disso também, não teria como ser algo separado do capitalismo, vivemos nesse sistema cruel que “transforma” pessoas em mercadoria. O que não consigo é entender como alguns ignoram os diversos outros aspectos da mágica chamada Carnaval, ele também é cultura, renda extra, fantasia, liberdade, reencontros, rua sem bilheteria (Olinda... Quero Cantar...), até o transporte público torna-se mais democrático (olha o pulo da catraca aí gente).

No Carnaval minha agenda é a dos blocos, curto meu individualismo em meio a coletividade; não marco encontro, não ligo o despertador, olho muito pouco para o relógio e são raras as vezes que marco compromisso nesses dias sagrados.

Alguns criticam a falta de novidade nas ladeiras de Olinda, discordo! A criatividade renova cada Carnaval, as músicas ecoam de forma diferente, os metais e a percussão jamais são tocados da mesma forma. Mas vamos lá, se querem dizer que ele é sempre igual, que seja, assim poderemos dizer que todos os anos o Carnaval é fantástico e que em time que ta ganhando não se mexe.

Depois conto para vocês como foi o Carnaval, agora vou às prévias.


Encontro de gerações: Melhor Idade e Muriçoquinhas

Na segunda, dia seguinte as Virgens de Tambaú (ver texto no final), fui pular no Bloco da Melhor Idade, não tinha muita gente como nos anos anteriores, mas a animação dos/as presentes era a mesma, com um grande reforço: uma apresentação do Urso Panda, campeão do Carnaval Tradição 2012.

Os pulos discretos dos/as foliões da melhor idade trazia uma nostalgia gostosa dos tempos que não vivi (uma frase que só o Carnaval permite), segui no ritmo dos/as presentes até chegar as Muriçoquinhas com seu pique eletrizante, saí das machinhas para o frevo rasgado.

Na chegada das Muriçoquinhas ao Busto de Tamandaré, seu estandarte cumprimenta o estandarte da Melhor Idade, este último bate em retirada para seguir seu baile em outro espaço e ficam os/as novos/as foliões com suas espuminhas (essa parte é irritante :).

Ao olhar do Busto toda extensão da Epitácio Pessoa fiquei pensando: será que quando essas e as outras gerações de Muriçoquinhas ficarem adultas seguiram em marcha para Quarta de fogo? Se a resposta for positiva, o Galo que se cuide ;)


Terça do Doid@ é Doid@

Esse bloco vai crescer, é muito doido/a nesse mundo querendo mudar o mundo. Esse povo é tão doid@ que este doido brincou o Doid@ é Doid@ sem ir ao Doid@ é Doid@.


Quarta-feira de Fogo - Diversão e Exploração do Trabalho.

Confesso que pensei que perderia minha noite, não sabia que a costureira precisava ficar com meu manto para fazer o novo; fui para folia muito chateado quando percebi que minha fantasia não estava em casa. Minha quarta-feira de fogo começou a mudar apenas quando encontrei Mano, amigo da época dos Correios, e sua família, boa energia para direcionar energias positivas para divertida noite junto aos estandartes das Muriçocas.

No Carnaval converso muito com os/as vendedores/as de cerveja, dão ótimas dicas e sabem de muita coisa que se passa; os/as trabalhadores/as da limpeza urbana é outro time que tenho grande admiração (os/as amigos/as mais antigos sabem disso :).

Vocês devem ter percebido que do Palco das Muriçocas até a Epitácio Pessoa não se via vendedor/a com seu isopor de cerveja, sabem porque? Perseguição aos trabalhadores/as. Conversei com alguns deles a decepção era tremenda, eles achavam que seria diferente o trato da gestão municipal com os ambulantes, muitos perderam mercadorias e equipamento de trabalho, pois não tem condições financeiras de pagar o resgate (multa) do material sequestrado (apreendido). O vereador e organizador das Muriçocas, Fubá, precisa urgentemente exigir explicações aos responsáveis por essa medida absurda e cobrar a liberação do material apreendido sem pagamento de multa.

Ainda sobre os/as trabalhadores/as, perceberam o pessoal da limpeza urbana em peso durante o Bloco? Pois bem, fui conversar com os colegas e descobrir que aquilo era ampliação da jornada de trabalho, estavam lá para catar as latas de alumínio; deve ter sido esse o motivo para não avistarmos os/as trabalhadores/as que trabalham com reciclagem em meio ao Bloco. Ficam três perguntas: os/as catadores/as foram empregados pela EMLUR? Os/as trabalhadores/as da EMLUR estão recebendo hora extra? Quem ficou com as latas coletadas pela Prefeitura de João Pessoa?


Quinta no Mangue

Hoje tem ato em defesa do Rio Jaguaribe, 15h, em frente ao Shopping Manaíra. Vai ser um belo bloco em defesa do Rio. Vejam texto publicado em nosso blog sobre o assunto.

É isso aí povo, nos vemos nas ladeiras de Olinda ou quando eu voltar para nossa linda e acolhedora João Pessoa.


Forte Abraço e Viva São Carnaval!


Anexo

Virgens de Tambaú: alegria até no atraso.


Só no Carnaval tem dessas coisas. Domingo estive no desfile das Virgens de Tambaú, além das horas de atraso, quando definitivamente a banda estava pronta e virada tocando as músicas, foi a vez do motorista; acreditem, o motorista do primeiro trio sumiu.

A cantora toda empolgada gritava “pode arrastar seu motorista, agora é só folia”, ao perceber que a folia seguia, mas o trio não saía do canto, foi a vez do cantor (já em um tom mais firme) gritar: “pode arrastar motorista”. Depois dos constantes apelos eu resolvi parar de contar os chamados pelo motorista.

Após aproximadamente 30 minutos o motorista apareceu, digo, um motorista apareceu, não tenho com afirmar se era o motorista contratado para guiar o primeiro trio da festa que entrava na boleia. Alguns teriam se perguntado onde teria ido o motorista, outros dito palavrões, alguns até jogariam objetos no trio; mas no Carnaval não, todos/as dançavam e/ou pulavam com toda e qualquer música que tocava.

Passados os contratempos iniciais, o álcool já subia para cabeça de muita gente, acho até que um pouco já circulava em meu cérebro; mas não o suficiente para distinguir entre as belas e as nem tão belas virgens. Encontrei amigos de militância, figuras ilustres da política paraibana, amigos de profissão e outras milhares de virgens que não conheço.

Olinda que desculpe a afirmativa, mas as Virgens de Tambaú dão um show nas Virgens do Bairro Novo. Sem existir competição as meninas (e os meninos, já que as mulheres também participam da brincadeira) desfilavam na avenida de forma alegre e descontraída. A festa não tem idade ou sexo, apenas seres humanos em puro lazer. Por mais que possa ter ocorrido algum incidente homofóbico (o que ainda não tive conhecimento), no geral a festa foi tranquila.

Antes de terminar, para não dizer que foi tudo tão tranqüilo assim, a Gaby Amarantos deu um show na avenida, um verdadeiro arrastão quando o trio comandado por ela descia a ladeira. Para minha sorte, ela cantou “Ex Mai Love” na frente do local que eu estava, muito divertida a música, apesar de muitos dos meus mais chegados não gostarem; difícil foi caminhar no sentido contrário enquanto seguia o rumo da parada de ônibus.

Quiçá, em um futuro breve, a liberdade de vestir e de ser dure mais um simples e perfeito Carnaval.

Vou parar aqui, preciso ir ao Bloco da Boa Idade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Oi gente, comentem e façam sugestões! Abraço.