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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A República no País das Maravilhas.


Alice (aquela do país das maravilhas), enquanto encolhia e crescia na expectativa de caber na minúscula porta que achou por trás da cortina, dizia: “Antigamente, quando eu lia contos de fadas, eu achava que essas coisas não aconteciam na vida real. E aqui embaixo parece que estou bem no meio dessas histórias [...]”

Em um determinado momento histórico a República era algo distante como um conto de fadas, nem por esse motivo deixamos de lutar por ela, esse é dos motivos de hoje termos a linda a figura de Marianne representando a República, imagem vinda da Revolução Francesa, marco histórico para nossas vidas. Sem grandes debates semânticos ou maiores cuidados com as palavras: Res publica, para o Latim; Coisa do Povo, para o Português. Hoje, 15 de novembro de 2012, alguns comemoram a Proclamação da República, prefiro comemorar a CONQUISTA da República.

Há pouco tempo, muito curto para história da humanidade, para arrancarem nossas cabeças não precisavam de muito subterfúgio, assim foi com Tiradentes e tantos/as outros/as; no País das Maravilhas, provavelmente, ele, assim como alguns de nós, seria sentenciado pela Rainha de Copas com seus gritos de “cortem-lhe a cabeça”; mas, para não irmos aos contos de fadas, vejam algumas linhas da sentença que levou Joaquim para os braços da morte:

[...] e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Villa Rica aonde em lugar mais publico della será pregada, em um poste alto até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos, e pregados em postes pelo caminho de Minas no sitio da Varginha e das Sebolas aonde o Réu teve as suas infames práticas e os mais nos sitios (sic) de maiores povoações até que o tempo também os consuma; declaram o Réu infame, e seus filhos e netos tendo-os, e os seus bens applicam para o Fisco e Câmara Real, e a casa em que vivia em Villa Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique e não sendo própria será avaliada e paga a seu dono pelos bens confiscados e no mesmo chão se levantará um padrão pelo qual se conserve em memória a infamia deste abominavel Réu [...] (http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=612)

Quantos outros tivemos nossas cabeças cortadas? Quantos de nós não vimos nosso “corpo sem ela pela primeira e última vez” (Raul Seixas)? Obviamente que Tiradentes não estava sozinho, nem era esse seu objetivo, contudo, o controle ideológico e o aparato repressivo faziam com que boa parte do nosso povo passasse por dilemas típicos de Alice: “Não estou bem certa senhora [Lagarta]... Quero dizer, nesse exato momento não sei dizer quem sou... Quando acordei hoje de manhã, eu sabia quem eu era, mas acho que já mudei muitas vezes desde então...”.

Não era o fato de comer ovos que fazia de Alice uma cobra, como imaginava a pobre pomba ao proteger seus ovinhos; os dilemas cotidianos, muitas vezes, limitam nossas expectativas a espera das migalhas do cogumelo mágico que nos possibilite caber na realidade das elites do nosso país.

Conquistamos a república e fizemos revoluções!

Hoje, homens e mulheres podem votar, o racismo é crime, podemos dizer o que pensamos, já derrubamos presidente; sim, derrubamos ditaduras e presidente, não vamos cair na falácia de responsabilizar a imprensa e tirar o poder do povo. Estamos vivendo um dos maiores julgamentos da história do nosso país, por mais que doa em alguns, hoje, corruptos estão sendo condenados; não se limpa da corrupção presente com um passado de luta, ou acreditam que não houve mensalão e que seria tudo criação da imprensa burguesa?

Calma, pêra lá... não estou dizendo com isso que vivemos um mar de rosas, nem mesmo que vivemos a coisa do povo; digo “apenas” que o hoje é melhor que o ontem e que o amanhã PODE ser melhor que o hoje.

Quando não sabemos para onde ir, qualquer caminho serve, já dizia o Gato apenas com seu sorriso sarcástico aparecendo; mas nós sabemos o nosso caminho, ele não se limita na conquista da República ou na condenação de mensaleiros do PT ou PSDB; nosso caminho só tem uma meta, a tomada do poder!

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