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sábado, 29 de setembro de 2012

“nada deve parecer impossível de mudar" (Bertold Brecht)


Não sou muito de confessar minhas tensões ou meu cansaço, mas neste segundo semestre tenho dividido minhas energias entre: meu partido, contribuindo com a candidatura de Renan Palmeira para Prefeito de João Pessoa (PSOL 50), Comissão de Ética Nacional e (recentemente) com a tesouraria estadual; o Conselho Regional de Serviço Social, cumprindo minhas obrigações enquanto presidente; minha jornada de trabalho no Ministério Público da Paraíba; e, obviamente, minha vida pessoal, acordar 5h30 para fazer café da manhã, arrumar a lancheira e esperar o transporte escolar, entre outras tantas. Não tem sido fácil esse segundo semestre!

Alguns perguntam de onde tiro energia para tantas atividades, outros porque eu não dedico meus dias para fazer as leituras desejadas e conhecer locais que tenho vontade; ainda existem os que não entendem como gastar dinheiro com uma militância que já compromete tanto o tempo de nossas vidas... Não podemos negar que, em alguns poucos momentos, essas perguntas/vontades surgem em nosso íntimo.

Não fosse conhecer a realidade na carne, ter aprendido desde pequeno que o coletivo é mais importante que o individual e que não podemos ser controlados pelo dinheiro; não tenho dúvida que meu destino poderia ser o de dizer que não tenho tempo para tanta dedicação, pois pensaria apenas em meu inglês (que não faço), academia (que não faço), doutorado (sem previsão alguma), passeios (bem reduzidos), relacionamento... É como um filme, como descobrir a “Matrix”, tudo passa a ser diferente em nossas vidas, percebemos o quanto somos fantoches da vida que pensávamos ser nossa e, por isso, precisamos tomar conta de nossas rédeas e contribuir para que outros possam tomar, verdadeiramente, seu próprio caminho.

Porque não ceder? Parece ser o mais natural, o mais comum... Eu poderia fazer uma lista enorme de motivos, mas quero apenas dizer que nosso mundo é carregado de mazelas, mas não podemos perder de vista que já vivemos a escravidão, passamos por Reinados (por uma época) inquestionáveis, pessoas foram queimadas e guilhotinadas, fomos impedidos de falar e de votar, passamos época na qual o analfabetismo era infinitamente superior, períodos em que as políticas públicas não existiam. Até pouco tempo, eu devia ter uns 8 ou 9 anos, eu via no Sertão (com letra maiúscula) do meu Ceará sacos de leite da merenda escolar vendidos nas prateleiras de algumas bodegas e, em menos tempo ainda, a corrupção era tida como natural... Hoje é igual? Obviamente que NÃO! E mudou por bondade dos governantes e elites do nosso país? NÃO, mudou com muito sangue e esforço de muitos que dizem que “nada deve parecer impossível de mudar" (Bertold Brecht)!

Hoje, após acompanhar Renan (PSOL 50) em debate entre os candidatos a Prefeito de João Pessoa, fui com meu companheiro de partido almoçar em centro comercial próximo a TV, depois fomos no “Sabadinho Bom” (evento cultural da nossa cidade)... ENERGIZANTE a caminhada! As pessoas dizem as mais diversas frases: “eu não ia votar em ninguém, mas vejo que nem tudo é igual”; “sei que não é fácil enfrentar esses que sempre governaram, mas siga forte, estamos com você”; “eu voto com você, sua juventude e coragem contagia”; “você fala muito bem, ideias boas e diferentes para nossa cidade”... O sentimento da nossa militância e dos que nos cumprimentam já é de vitória!

Não vou aqui detalhar a campanha eleitoral ou demais conquistas que percebo na Paraíba (ou em outros espaços que passei), não são conquistas minhas ou suas, mas nossas, d@s trabalhadores/as e do povo sofrido da nossa cidade. Quero apenas dizer que se estamos onde estamos, se hoje vivemos melhor que em outros momentos históricos; é fruto da força social transformadora, fruto de homens e mulheres que abdicaram de algumas importâncias para suas vidas e assumiram outras importâncias para nossas vidas!

Sigamos buscando energia nas vitórias coletivas da humanidade, “nada deve parecer impossível de mudar”!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Texto Enviado por e-mail para ASMPPB.


Amig@s, eu havia enviado esse texto apenas para o e-mail da ASMPPB, como mais uma vez não tive respostas e divers@s colegas servidores/as perguntam sobre o assunto, resolvi publicar esse texto... ainda bem atual! Boa leitura...



Colegas Servidores/as do MPPB

Há um bom tempo não faço debate raivoso em minha militância, principalmente no debate corporativo com meus colegas de trabalho, agir dessa forma não só dificultaria o bom andamento das reivindicações da classe como também criaria um clima muito ruim aos que vivem uma mesma instituição durante uma longa vida profissional. Obviamente que a afirmação anterior não significa esconder as diferenças existentes, mas fazer de forma educada e pública, possibilitando que a categoria, democraticamente, conheça o posicionamento de sua entidade e, consequentemente, possa construir o seu futuro e contar com seu apoio.

É do conhecimento de boa parte dos/as assistentes sociais da Paraíba e servidores do MPPB que demos entrada em um Mandado de Segurança para que nos seja garantido o direito de ser liberado para acompanhar o Conselho Regional de Serviço Social da Paraíba. Escreverei aqui do papel que entendo de uma associação nesse processo, evitando desencontro de informações, não entrarei em detalhes os quais não tenho protocolo, mesmo tendo alguns pontos muito interessantes ao debate, irei desconsiderar o que foi dito por telefone, pois não tenho como fortalecer meu procedimento de uma maneira tão informal.

Ainda em junho publiquei no facebook da ASMPPB um pedido para que a Associação se posicionasse sobre o assunto, os colegas entenderam que não tinham material suficiente para tomar uma posição, então, durante minhas férias, fui na 2ª Vara da Fazenda Pública, tirei cópia do procedimento e protocolei a entrega na sede da nossa entidade de classe. Fiz isso ainda na primeira quinzena de julho, se não estou enganado, no dia onze.

Aprendi que uma entidade de classe não deve omitir sua posição sobre assuntos que envolvam seus associados, aprendi ainda que uma suposta neutralidade sempre favorece alguém, seja intencionalmente ou não. Não posso concordar que o debate político seja posto de lado em nome do jurídico, os processos sociais caminham juntos, não fosse isso as entidades de classe não fariam debate político concomitantemente ações judiciais. Obviamente que não vou tirar essas conclusões da nossa Associação, não acredito que nossa direção vá esperar o judiciário decidir para tomar sua posição ou para dizer que a justiça já tomou a decisão e não podemos fazer nada, caso fosse isso, uns diriam que estão lavando as mãos para o assunto e afirmando que esse assunto não diz respeito aos servidores do MPPB. Apesar de discordar de alguns encaminhamentos dados pela Associação dos Servidores do MPPB, acredito que existem pessoas que não lavarão as mãos e tornarão pública sua posição, mesmo que seja um posicionamento contrário ao meu pleito.

O direito a justiça é algo imensurável para o sistema democrático no qual vivemos, assim como a livre expressão das posições políticas; jamais nossa associação deixaria de tomar posição devido um servidor buscar juridicamente um direito que, na nossa avaliação, vem sendo negado. Caso o sistema jurídico venha a negar nosso pedido, iremos recorrer, mas essa não é a questão, nosso objetivo é fortalecer a entidade e mostrar para todos/as os/as servidores/as que podemos contar com nossa Associação nos momentos difíceis.

Todos Juntos, somos fortes!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

SENTIMENTOS SOCIALIZADOS (Palmas-TO e 30 anos do CRESS/PB)


Rio Tocantins
Vida em quilômetros de água
40 graus
Queimadas
Fogo
Morte

O Sol refletindo a Vida
A Fumaça refletindo a Morte
Muitos vivendo a Vida
Outros esperando a morte

As Nuvens
O Sol
A Fumaça
A Vida
A Morte


Por quatro dias estive ao lado do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e dos Conselhos Regionais de todo país, foram debates acalorados para aprovar bandeiras e construir ações organizativas e de lutas para as entidades representativas dos/as assistentes sociais do Brasil.

De 06 à 09 de setembro, pude rever pessoas que há décadas não via; encontrei pessoas de antigos e novos carnavais; estive com companheiras/os do nosso cotidiano de luta; não conheci a cidade onde eu estava, mas conheci dezenas de pessoas maravilhosas. Das belezas naturais de Palmas-TO, eu tive a oportunidade de conhecer a Lua cor de mel, presente em todos os dias do Encontro Nacional CFESS/CRESS.

Na volta para casa, com a mente e o corpo desgastados, cinco e quinze (09 de setembro de 2012), em meio a poltronas apertadas, cabeças espremidas e uma minúscula janela, eu via (do céu) o por do Sol; sua beleza imitava o mel da Lua que poucos perceberam nesses quatro dias; o Astro Rei deitava em meio a fumaça das queimadas ocasionadas pela participação do homes e pelos 40 graus que aqueciam nossas cabeças; em seguida ele escondia sua beleza em meio a vegetação local, permitia aparecer uma Lua que só vejo da mesma cor quando cheia em nosso Sertão nordestino.

Volto para casa fisicamente esgotado e, ao mesmo tempo, emocionalmente energizado para seguir nossa luta cotidiana. Sexta (14 de setembro de 2012) viveremos um importante rito de passagem para os/as assistentes sociais da Paraíba, o Conselho Regional de Serviço Social 13ª Região- Paraíba (CRESS/PB) fará 30 anos, teremos uma homenagem a primeira Presidente do CRESS/PB, a presença de outras presidentes e um debate para fortalecer nosso cotidiano profissional (www.cresspb.org.br).

Transformemos o fel das nossas batalhas cotidianas no mel da Lua e do por do Sol, fortaleçamos nossas lutas e façamos ainda mais forte e participativo nossos próximos 30 anos!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Eleições: Povo Corrupto e Descrente?



Minha profissão permite um contato constante com o povo pobre da nossa Paraíba, por outro lado, minha condição de militante social, atualmente como Presidente do Conselho Regional de Serviço Social 13ª Região- Paraíba, faz com que eu esteja em constante relação com esse mesmo povo, com diversos lutadores sociais e, ao mesmo tempo, com as ditas autoridades da nossa região.

Não vou aqui tentar dizer de que lado estão os lutadores sociais, ou mesmo dizer que ordem defendem as ditas autoridades; quero deter minha atenção ao povo, afinal de contas, quando algo dá errado, dizem que a culpa é do povo.

Um cidadão atento ao processo eleitoral verá algumas pessoas nas ruas relacionando o número dos candidatos a valores em dinheiro, para alguns, verdadeiros corruptores na busca de candidatos corruptos que comprem seus votos; para outros, apenas cidadãos desacreditados com o processo eleitoral, certos de uma traição pós-eleições, na busca de uma vitória, mesmo que imediata.

Existem ainda os cidadãos que sequer olham para o candidato, nem mesmo fazem a leitura de seus programas. Estes colocam todos no mesmo balaio, seja o candidato de esquerda, da direita, do centro, de cima ou de baixo; não percebem a possibilidade da novidade, ignoram a possibilidade de ser um cidadão honesto como ele; acabam seguindo o caminho da abstenção e favorecendo o mais do mesmo; terminam por chamar um dos seus de ladrão.

Seria nosso povo corrupto e descrente? Longe deste autor pensar algo desse tipo, eu diria simplesmente que são pessoas alertas e em busca da sobrevivência; sabedores do conhecimento popular de que “gato escaldado tem medo de água fria”; pessoas que, aos poucos, bem aos poucos mesmo, percebem que são a verdadeira autoridade.