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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Eduardo Varandas e a Comenda Cidade Verde.


Fui informado pela Vereadora Sandra Marrocos que no dia 25 de abril ela entregaria a Comenda Cidade Verdade ao Procurador do Trabalho, o “Excelentíssimo” Eduardo Varandas. Fiquei a perguntar se Sandra não achava contraditório ela ser a pessoa responsável por essa homenagem, digo isso pelo fato dela ter sido uma das responsáveis pelo processo de terceirização/privatização das políticas públicas em João Pessoa e o seu partido (PSB) na Paraíba inteira. Sem dúvidas que Sandra sabia de tudo, mas ao mesmo tempo a Vereadora reconhece a luta do Procurador contra: a exploração do trabalho infantil; a exploração sexual infato-juvenil; e contra o trabalho escravo. Resumindo, foi uma mais que justa homenagem, eu tive a honra de participar.

A Vereadora do PSB foi a mestre de cerimônia, sua forma de rasgar o protocolo tornou a homenagem mais agradável, sem perder a seriedade do evento claro. Caso eu tivesse a oportunidade de falar, sem dúvidas seria enquanto servidor do Ministério Público da Paraíba (MPPB), eu diria o quanto fiquei triste ao saber que ele não é a pessoa responsável por fiscalizar o ponto eletrônico do MPPB. Além de não ter tido a oportunidade de falar, o clima da festa era outro completamente diferente: o reconhecimento de um homem que luta pelo cumprimento da lei e contra as desigualdades desse sistema injusto.

Ao cantarmos o Hino Nacional um trecho ficou em minha cabeça até agora: “Verás que um filho teu não foge à luta”. Frase que fez lembrar a bravura desse “Excelentíssimo” que não se curva aos poderosos.

O Procurador começou seu discurso dizendo que não iria falar de terceirização da saúde (Sandra deve ter sentido uma mistura de vergonha e alívio) ou qualquer outro tema do seu cotidiano profissional, resolveu falar do Ser Humano Eduardo em forma de poesia.

Como hipocrisia não rima como poesia, o homenageado afirmou: “Esses pronomes de tratamento (excelentíssimo) mais nos afastam que nos aproximam” (Eduardo Varandas). Permitam então que eu siga assim... O Eduardo seguiu em poesia afirmando o quanto o amor é simples e o quanto somos responsáveis por nossos atos, falou do ser sensível que sofre a pressão do cotidiano de uma Procuradoria. Como há muito tempo não seguro minhas lágrimas, as palavras do Eduardo permitiram lavar meus olhos após duas semanas de duras decisões que tive de tomar diante de alguns “Excelentíssimos”.

Imaginem, se antes eu admirava o Excelentíssimo Procurador Eduardo Varandas, o que dizer então da minha admiração pelo Eduardo.

Como tudo tem uma razão de ser, ninguém brota do nada, havia Dona Socorro no caminho, a mãe de Eduardo. Mulher que, como toda mãe, não permite os filhos passarem a vida sem um “mico” aqui e outro ali. Virei fã de Dona Socorro, começou dizendo da sua alegria de saber que as pessoas “podiam vender suas redes na Câmara, já que lá fora estava proibido” (Socorro Varandas). Nesse momento os olhos se encontravam e as “legendas apareciam nitidamente”: estaria ela falando dos conhecidos bombados da prefeitura de João Pessoa?

Dona Socorro não ficou nisso, disse o que todos esperam da humanidade ao afirmar que: “nós temos a obrigação de sermos honestos” (Socorro Varandas). Fecho concordando com Eduardo, na travessia do deserto, os que querem mudar o mundo, passam fome e sede por entender que precisam plantar e regar as sementes para o futuro que se avizinha.

Parabéns Eduardo Varandas!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ocupação Movimento Terra Livre - Roger - 100 famílias.


Repassando material do movimento Terra Livre. Tárcio Teixeira.


Por favor, vejam a nota abaixo. Estamos com cerca de 100 famílias acampadas junto ao movimento Terra Livre. 
Ontem tivemos a primeira rejeição e "pedido" de saída do terreno, vindo por parte do Diretor do Pq. Arruda Câmara (Bica).
Hoje, foi a vez da policial do CPTRAN ter nos "pedido" para sair . E ameaçou atirar em quem pulasse no terreno do Pátio para pegar troncos caídos, velhos, para construir os barracos. Não bastasse isso, ela disse "depois que atiramos, morreu morreu, se ficar ferido, levamos pro hospital". Pra oprimir mesmo os moradores...

Estamos ainda sem ligação de água por lá. O alimento tem sido arrecadado no entorno da comunidade, mas ainda é insuficiente a todos os ocupantes. Faltaram lona e alguns outros materiais para muitas famílias terminarem seus barracos.

Precisamos do apoio das associações, movimentos, entidades, para que estejam quando possível presentes na ocupação. Além disso, precisamos da ajuda com cestas básicas, e auxílio financeiro para materiais da ocupação (fios, canos, lona, etc).

O terreno se localiza no final da Rua Conceição Cabral, perto da entrada do presídio do Roger (atrás do Piollim e ao lado do pátio do Ceptran).

Nós vamos resistir! 

Terra Livre - PB.



----- Mensagem encaminhada -----
De: Terra Livre - campo e cidade




Nota à sociedade
Ocupamos porque não temos casa !
 
 
            Nós, 100 famílias do Movimento Popular Terra Livre que ocupamos desde sábado (21/4) um terreno público no Roger, somos cidadãos de João Pessoa e morávamos de aluguel, em casas de parentes ou em áreas de risco.
         Não temos condições econômicas de pagar o aluguel cobrado na cidade, muito menos de comprar um imóvel. O mercado imobiliário sufoca o povo pobre.
         Os planos habitacionais dos governos são insuficientes, deixando milhares de famílias em uma fila interminável. Alguns de nós esperaram a vida toda por uma providência da Prefeitura. O Minha Casa Minha Vida ajuda as construtoras, mas não a população carente que mais precisa.
 
A ocupação é uma saída concreta para nosso problema.



Queremos construir a nossa casa pacificamente e contamos com o poder público para nos dar condições para garantir nosso direito.

Coordenação Estadual Terra Livre

domingo, 15 de abril de 2012

Dilema da Mediocridade.

A mediocridade é uma qualidade que pode levar o ser humano da estagnação para inveja em um estalar de dedos. O autoflagelo é uma das marcas que os acompanha. Aparências podem esconder a tristeza, os problemas familiares e maquiar uma suposta nobreza de caráter. Olhar a dificuldade alheia e alegrar-se pode ser uma das formas do medíocre maquiar seu flagelo.

O maior ensinamento de minha mãe foi algo milenar: “Amar ao próximo como a si mesmo” e “não faça aos outros o que você não quer que façam a você”. Após esses ensinamentos a vida acabou fazendo com que eu percebesse que entre as pessoas existe a luta de classes.

Minha curta jornada não permite a submissão de pedir intermediários para o que é meu direito; da mesma forma os fofoqueiros e olhos grandes não levarão meu direito ao submundo do silêncio. Aprendi que o público é para ser tratado publicamente. Aprendi a transformar meu torcicolo em energia limpa contra as meras aparências que favorecem as dores do mundo. Aprendi que o medíocre tem um fim em si, mesmo que fantasiado de meras aparências...

Forte Abraço
Eu Sou Tárcio Teixeira 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A dialética da vida cotidiana.



É muito estreita a relação entre o individual e o coletivo, da mesma forma entre o público e o privado. São inúmeros os coletivos: a família, o trabalho, os amigos, o político. Esses diferentes espaços possuem alcances os mais diversos, tanto em termos quantitativos quanto qualitativo. O limite do ser humano impossibilita separar os diferentes coletivos em caixinhas específicas. Não sei vocês, mas eu não consigo atender um caso de violência e chegar sorrindo em casa, da mesma forma não é confortável ficar em meu espaço de trabalho sabendo das atividades que existem no Conselho o qual faço parte. Quem descobrir como desligar e ligar os diferentes coletivos pode patentear a ideia e preparar o bolso para ficar rico.

As conexões são muitas e causam os mais variados impactos na vida das pessoas, de forma prática: o coletivo político o qual faço parte aguarda ansioso a solicitação feita ao meu espaço profissional para que eu seja liberado nos moldes das normas em vigência; minha filha precisa estudar dois turnos e minha companheira dividir inúmeras ações comigo devido meus caminhos profissionais e políticos. O tempo e o ritmo das pessoas, e das instituições, são os mais diversos e precisam de uma ação para em seguida ser possível uma reação, a vida não é exata mas requer alguns cálculos.

Uma coisa é certa, não podemos justificar nossos fracassos em um determinado coletivo devido as ações – ou inércia - de/em um outro. Concessão, direito e negociação perpassam os diferentes grupos em nossa vida pública e privada, sair da zona de conforto não é nada agradável, mas é necessário para avançarmos quando estamos diante de um conflito de interesse.

Assim como preciso de mais tempo para ir a praia ou ler um livro, o que tenho feito muito pouco, minha filha e minha companheira precisam de minha dedicação (e eu da delas); assim como o órgão que trabalho precisa das minhas atividades profissionais, as/os assistentes sociais que represento esperam uma intervenção firme e frequente de nossa parte. Raramente saímos sem algum elo fragilizado no decorrer de nossa jornada, não raras as vezes que esperamos e cedemos, da mesma forma não são raros os momentos que endurecemos, nos ferimos e mudamos nossa realidade.


“Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira.” (Cecília Meireles)