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sábado, 8 de outubro de 2011

Aos que preferem as Planilhas do Governo: um pouco da realidade!

Repassando texto que recebi de uma amiga assistente social...

Eita Tárcio, vamos comemorar sua defesa e mais essa vitória, que maravilha hoje o desembargador ter derrubado esse projeto de terceirização/privatização da saúde e a priore a Cruz Vermelha ter que se retirar do trauma, isso é uma grande vitória,eu vivi a realidade do SUS com o meu irmão interno 15 dias no trauma e quise no Monte Sinai, hospital particular conveniado com o SUS.

Vi de tudo naquele hospital, quando chegamos lá, tinha gente saindo pelo ladrão, os correndores feito de enfermarias, vi duas vezes pessoas cairem das macas altíssimas que deixaram os pacientes sem grade de proteção, e os funcionários se desdobrando para dar conta dos serviços sobrecarregados com o grande número de demissão, salvo engano mais de 200, não tinham assim como ficar assim atentos a cada paciente e provavelmente, na sobrecarga estavam cometendo descuidos, a exemplo, desse registro de pacientes caindo da cama.

Assisti a queda de um Senhor que tascou a cabeça na quina de uma parede e nós visitantes gritávamos por funcionários para acudí-lo e na demora dessa chegada dos funcionários, inclusive uma enfermeira, acho que era técnica de enfermagem que presenciou, ao ser cobrada para levantar o homem, desabafoi: Eu estou ocupada com esse outro aqui e não era má vontade não, de fato, ela estava muito ocupada e não podia largar um para socorrer outro, assim, fomos nós visitantes, familiares que fomos ajudar ao Senhor, embora em seguida tenha chegado 2 maqueiros.

Após ter alta da UTI, meu irmão foi transferido para o Monte Sinai, um hospital particular que tem convenio com o SUS, foi a pior experiência que já tive com hospital, seria mil vezes melhor ter permanecido em um hospital público, pois o particular só tem estrutura de parede, parece que o interesse é só com o repasse de verbas da rede pública. Nesse tivemos que bancar com as coisas mais elementares, tipo: água para o paciente, toalhas para o seu banho, fraldão, pois essas coisas não eram regularmente abastecidas, quando iamos solicitar recebiamos respostas evasivas.

Vou ilustrar com o episódio: meu irmão estava num dia com dor de barriga e ao ir a recepção pedir um fraldão ara trocá-lo a atendente, enfermeira de plantão me orientou que o deixasse assim mesmo sujo porque dentro de 40min. ele iria tomar banho. E eu indignada perguntei o paciente vai ficar sujo, vendo a hora pegar infecção , doenças por falta de higiene? Por 40min para economizar um fraldão? Se fosse seu irmão, sua mãe você faria isso?

Além do mais, esse hospital nos convidou a sairmos dele, alegando não ter tratamento para o caso do meu irmão, numa explícita demonstração de que só querem tratar dos casos simples, sem ter que dispender muita atenção e cuidados.

O quarto que ele estava nesse hospital "monte sinai", estava um caso de vigilância sanitária: a luz do banheiro queimada, a pia entupida, a descarga quebrada. Para dar descarga no banheiro tive que ir pedir um balde para ficar jogando água no vaso. Tivemos que dar banho nele no escuro, vendo a hora soltar os fios do soro e ele escorregar e machucar-se.

Por ocasião de emergência, numa situação que ele ficou sem conseguir respirar, pois estva em tratamento de pneumonia e estava com insuficiência respiratória, sai correndo em busca de um médico e ao me deparar com um jovem médico nos corredores, eu fiz o apelo: Doutor meu irmão está passando mal! Esse médico já de costas para mim, já andando falou algo que não entendi, e assim indaguei: Como Doutor? E ele me respondeu com o maior descaso: eu só sou um. E nessa indgna postura de um médico que fez um juramento de salvar vidas, ele não foi até hoje saber o que se passou, se o paciente morreu ou não, não mandou sequer uma enfermeira para olhar pressão, ver a urgência do caso, enfim , tomar alguma medida responsável.

Indignados com essa situação e pressionados para conseguirmos um hospital para transferí-lo de lá, nos impacientamos e convocamos a TV Cabo Branco, infelizmente ou felizmente, não sei, visto o alto grau de estresse que estava, a tv não compareceu. Por fim, nessa mesma noite tomamos a decisão de transferí-lo para um hospital particular, haja vista, que não podia voltar para o trauma e não tinhamos conseguido um hospital para transferí-lo, visto que ele já estava acolhido em um hospital conveniado com o SUS e se foi concedida a permissão para sua transferência para esse hospital, tinhamos a suposição que esse hospital estava apto para o atendimento, pois se funciona em rede, espera-se que os gestores e profissionais conheçam as competências dos serviços com os quais trabalha. Nessa transferência para o Samaritano, gastamos quase 10.000 reiais, visto que só uma tumografia particular custa 800 reais. Cada diaria 150 reais.

Nesse contexto eu percebi como a saúde de João Pessoa está doente. E assim, caro colega, é com muita alegria que assistimos essa liminar, embora caiba recurso e ainda é uma ameaça real o projeto neoliberal no SUS, com muita incisiva no âmbito local. E você como um militante que esteve a frente nesse bom combate, foi a primeira pessoa que lembrei para saldar nesse momento de VITÓRIA.

Se achar conveniente, divulgue minha carta no seu blog, pois eu tinha pensado em processar o hospital MONTE SINAI, a partir das muitas testemunhas de minha família e amigos e de gravações de nossas conversas com a direção e o médico do hospital. Mas, diante de toda a batalha para salvar a vida dele, minhas forças se esguarneceram para travar esse outro desgaste, mas minha indignação permanece, a dívida financeira permanece dividida entre meus familiares e essas coisas que ocorrem entre 4 paredes de um hospital precisam serem desmascaradas e desveladas, para que sigamos no projeto de construção da reforma sanitária que ainda não ocorreu de fato, ainda é um processo de luta de toda a sociedade.

Um abraço, muito feliz pelo acontecimento de hoje!!!
Ana Martins
Assistente Social

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