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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Capibaribe

Estou em um dia de solidão

Andando pelas ruas do Recife

Curtindo o silêncio da noite

Observando os sussurros do silêncio

Passo por uma de tantas belas pontes

As águas chamam

Vejo nas águas do Capibaribe os metros cúbicos de meu amor

Chego na Conde da Boa Vista

Sinto vontade de voltar

Ando para trás como caranguejos no mangue

Mais uma vez o rio

Dessa vez imaginei o caminho de suas águas

Vi que são os limites do meu coração

Apesar do medo

Mesmo inseguro

Fechei os olhos e vi o encontro dessa maravilha com o mar

Senti meu coração livre

De volta a ponte visualizei o tamanho do aterro

Lembrei das vezes que tive minhas paixões sufocadas

Abri os olhos

Vi a noite com uma enorme lua

O Luar refletindo nas águas ilimitadas que misturam-se ao mar

Senti mais uma vez meu coração livre para amar

Ao mesmo tempo vi os barcos amarrados em suas margens

Senti a pressão de algumas âncoras espremer meu coração

Compreendo que o belo rio acolhe esses barcos com amor

Tenho clareza que as âncoras em meu coração são bem amadas

Imaginei os barcos mais frágeis que afundaram nessas águas

Não tenho medo de afundar

Com honestidade digo quem sou

O meu medo maior é quanto aos barcos frágeis

Não lanço âncoras

Mas sinto algumas serem arremessadas em meu coração

Fico tenso com os barcos que não conseguem levantar âncora

Ao mesmo tempo não consigo negar meu amor

Não consigo negar minhas paixões

As águas ilimitadas do Capibaribe

Cada metro cúbico de água

Cada barco acolhido

Cada âncora lançada

Vejo o reflexo do que sou

Vejo os não limites do amor

Vejo o reflexo do meu amor

(Tárcio Teixeira)


Ps.: A "dialética" joga âncora em nossos corações!

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