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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eleições 2010: um balanço inicial!


Fui votar às 8h da manhã e passei 58 minutos na fila. Os idosos tiveram o Estatuto do Idoso rasgado pelo TRE, preferencial só com 65 anos e não 60 com diz a lei (ao menos entendo assim), estes sofreram bem mais que eu com as filas. Ainda antes de entrar no prédio, fui recebido por um candidato “Sujão” que arremessava os “santinhos” pela janela do seu “carro alegórico”, antes fossem “Rosas” como sugeria o nome do candidato da coligação de Cunha Lima. Na saída uma definição do que muitos chamam de Cidadania, uma senhora perguntou à outra se ela já havia votado e a resposta da colega diz muito: “já perdi o meu valor!”.

O descrédito de uma campanha chata e fria marcou uma eleição de projetos administrativos e sem o devido debate político, este feito por poucos candidatos majoritários e alguns proporcionais. O resultado disso, em nome do descrédito, é que o congresso ganha o reforço do Palhaço Tiririca para tentar fazer piada com o povo e ainda o de Romário para tentar driblar os trabalhadores, sem contar que quase o Netinho nos faz sambar.

Governadores reeleitos, essa é outra marca dessas eleições! Será o balanço positivo de governadores em todo Brasil? Ou seria o uso abusivo da máquina pública? Eu fico com a segunda opção, estando os votos sendo comprados pela legalidade dos parcos programas assistenciais ou assistencialistas.

Plínio de Arruda Sampaio consegue 881.432 votos e garante o debate político no 1º turno, trazendo temas importantes como Reforma Agrária e Auditoria na Dívida Pública. Agora, em todo o país, o 2º turno será uma eleição de promessas administrativas e a mesma política econômica, uns votarão e farão campanha pelo menos pior, outros contra alguém, e ainda existem os que farão campanha Contra o Pagamento da Dívida Externa e por Reforma Agrária! Por outro lado, o 2º turno é prova que os trabalhadores brasileiros estão prontos para resistir, colocam-se contra a reforma da previdência ou entrega da Petrobras preparada pelos governos do PSDB (Fernando Henrique/Serra) ou PT (Lula/Dilma).

No cenário institucional nacional, seguindo a resistência popular, o PSOL fez dois Senadores (Randolfe- AM e Marinor- PA) e manteve três Deputados Federais no Congresso Nacional. Nas Assembléias Estaduais foram reeleitos os Deputados Estaduais Marcelo Freixo (Lutando contra o narcotráfico no RJ) e Carlos Giannazi. Tivemos ainda a importante eleição da Companheira Janira Rocha e o Deputado Estadual mais bem votado no Pará, quase 20 mil do segundo lugar (contagem ainda em andamento). Não será fácil retirar direitos! Fincou-se a resistência!

Seria muito bom saber que o 00,00% de Cássio Cunha Lima é o resultado final, mas na real o judiciário deixou para depois a decisão do Senado na Paraíba, podendo assim decidir levando em conta a correlação de forças pós eleições em todo o país. Não sou mais tão inocente para acreditar na suposta Independência do Judiciário.

Ainda quanto aos Senadores da Paraíba, não poderíamos esperar mais que o resultado apresentado, vitória da máquina eleitoral. O que muitos não esperavam era que os candidatos do PSOL, Marcos Dias e Edgar Malagodi, rompessem a barreira dos 20 mil votos e garantisse um debate político no guia eleitoral e nos debates rádio e televisão, consolidando assim novas lideranças e alternativas políticas na Paraíba.

Quanto a Assembléia Legislativa da Paraíba, vai seguir a palhaçada de antes independente de quem ganhar, basta olhar a composição de, salvo engano, 20 (PMDB, PT, PSC, PR, PSL, PP, PTN e PT do B) para “Maranhão Roussef” e 16 (PSB, PSDB, DEM, PTN, PDT e PPS) para “Ricardo Cunha Lima”.

Nelson Júnior, candidato ao governo pelo PSOL, mesmo contra toda a máquina (pública e privada) garantiu o debate político nas eleições estaduais e obteve com muita dignidade e coerência política a marca de 12.459 votos, sendo o terceiro candidato mais votado, levando as eleições ao 2º turno e consolidando um trabalho aberto na campanha de Marcos Dias nas eleições para prefeito de João Pessoa. O PSOL consolida-se como ferramenta de luta na Paraíba! Triste é olhar para o 2º turno e não perceber diferença política entre “Ricardo Cunha Lima” e “Maranhão Rousseff”, apenas as administrativas obviamente. Admito minha alegria em saber que o PSOL está consolidado na Paraíba como alternativa política e que os trabalhadores buscam mudança.

Fico feliz ao saber que em Alagoas Collor não foi eleito, na Paraíba Efrain foi reprovado eleitoralmente, no Ceará Tasso Jereissati, em Pernambuco Jarbas Vasconcelos, entre tatos outros em todo Brasil. De outro lado vemos no topo das listas Bruno COVAS, Ana ARRAES, EFRAIN filho, RENAN Filho, Jaqueline RORIZ... Poderíamos escrever ainda bem mais que cinco parágrafos como nomes dos “filhotes de Rosimery”, mas acredito que já entenderam o recado!

Sempre acreditei que a eleição é um mecanismo importante, felizmente não é o único, assim como não é a mais eficaz para a classe trabalhadora. Saber da existência de outros mecanismos é o motivo para manter sólida a expectativa por mudança, só a luta muda a vida. Todo apoio aos/as lutador@s sociais que ainda resistem!

(Tárcio Teixeira)

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