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domingo, 31 de outubro de 2010

Mudança ou Continuidade: o que pede a Paraíba e o Brasil?

      Cheguei na Paraíba pela primeira vez em 2007! Não conheci a João Pessoa de antes, mas percebia a alegria das pessoas em comenta sobre a mudança ocorrida na cidade com a entrada do prefeito Ricardo Coutinho. Ainda não votava aqui quando vi o prefeito ser reeleito com mais de 70% dos votos, que ao mesmo tempo era assustador por uma quase unanimidade e positivo por não serem apenas votos em Ricardo, mas contra “O NADA” que existia até então.

      Nesse intervalo voltei para Recife e em menos de um ano escolhi voltar para João Pessoa e construir minha vida ao lado de minha companheira nesse Estado maravilhoso, de pessoas fantásticas. Agora de volta e votando na Paraíba, em uma seção super apertada e demorada, espero contribuir com a vontade de mudança das pessoas que aqui encontrei, por sinal, bem diferentes – para melhor - da minha primeira estada.

 
      Não acredito na democracia burguesa (obviamente reconheço seu avanço frente as ditaduras que já tivemos), mas acredito nas pessoas que nessas eleições disseram não ao atraso das calunias religiosas difamatórias, ao coronelismo ainda presente em nossos dias, ao uso descarado da máquina pública; isso tudo bem mais do que dizendo sim aos candidatos eleitos para governar o Brasil e a Paraíba.

      Nós brasileiros amadurecemos a cada dia! E mais que votos, somos pessoas que pensam e querem uma vida melhor, não de uma forma individualista, mas para todos. Acredito que nos próximos anos estaremos firmes para defender nossos direitos e dizendo não para qualquer injustiça presente e futura. Não cairemos nas desculpas de culpar os governos passados ou pedidos de trégua para ajustar a casa, desculpas históricas. Assim como não podemos permitir: a entrega da previdência pública; derrame de recursos para dívida pública; caçados no governo; caça aos servidores e seus direitos (como feito aos federais e servidores de João Pessoa); ou um governo de praças e asfalto.

      Parabéns ao que precisa ser parabenizado e força na oposição que precisar ser feita!

sábado, 16 de outubro de 2010

BRASIL: um 2º turno de mentiras e coação!


31 de outubro! Nesse dia faço 33 anos... Amigos, colegas, conhecidos, parentes, desconhecidos e seja quem mais estiver lendo... Não sejam injustos ao pedir que em uma data tão especial eu vote em Dilma ou Serra, dois projetos já conhecidos, e em nada favorável aos trabalhadores! Mereço presente melhor.

Obviamente não farei um debate principista de acusar ou desrespeitar os companheiros que decidam apoiar Dilma. As pressões sobre a militância de esquerda estão sendo algo sem precedentes. Tudo bem que nos coloquemos absolutamente contra os métodos utilizados pelo que existe de mais atrasado nesse país, o bloco DEMOcratas e PSerraDB faz uma campanha de mentiras e com o que tem de pior, ou mais atrasado, em determinadas religiões. Mas daí a nos culpar por uma possível derrota de Dilma, paciência! 8 anos de pau no lombo, ou 16 somando os de FHC ou séculos se olharmos para toda história, em algumas semanas querer pintar-se de esquerda para ganhar meu voto, e o de tantos outros, para essa aliança doida com o Capital... Paciência!

Caso venha a acontecer uma derrota do PT, não foi nada mais que por suas próprias posições: o derrame de recursos no ensino privado em detrimento de migalhas ao ensino público; ou quem sabe pela ocupação no Haiti; loteamento da Amazônia; a não realização da tão prometida reforma agrária; pode ser ainda pelos bilhões entregues ao FMI e a falácia do fim da dívida pública. Poderíamos seguir com dezenas de outras acusações, mas gostaria de lembrar apenas de mais uma, a reforma da previdência que nem FHC conseguiu realizar e lá foi o PT de Lula, destruir direitos. Sobre o outro lado, estou com a unidade possível dentro do PSOL, NENHUM VOTO EM SERRA! Chega de repressão, privatização e negação de direitos.

Viram o debate da BAND? Ninguém responde nada, só palanque e ataques bem parecidos: “vocês privatizaram todo o país” (Dilma) x “vocês privatizaram dois bancos e até o sistema de esgoto no interior de São Paulo” (Serra); “você é a favor aborto” (Serra) x “você quem regulamentou o aborto” (Dilma); “vocês são contra o bolsa família” (Dilma) x “nosso governo criou o bolsa família, vocês copiaram” (Serra); “nós fizemos X casas” (Dilma) x “não entregaram nem 1/3, já nós entregamos X casas em São Paulo” (Serra)... É o 2º turno do quem promete e acusa mais, mas a mesma proposta para política econômica, ou seja, abraçar as elites!


Aos que acreditam em uma posição tática no 2º turno, aos que votarão nulo ou branco, aos que justificarão ou estarão na praia no dia 31 de outubro, respeito a opção de voto de cada um! Obviamente acreditando que, independente desse segundo turno, seguirão na luta em defesa dos trabalhadores. Só não sou favorável ao “famoso” voto útil (útil para quem?), no menos ruim (para o mercado financeiro?), ou ao debate de quem faz mais bolsa família e promete mais (estão empatados). Assim, gostaria que também respeitassem o meu voto, ou os meus 33 anos!

Abstenção, “Recusa voluntária de participar de qualquer ato” (Dicionário Aurélio); Coagir “1. constranger. 2. Obrigar usando de violência; força” (Dicionário Aurélio). Nego (para o meu voto) a opção de recusar participar do dia 31, nesse dia votarei contra o pagamento da dívida pública, pelo fim dos latifúndios, com a reforma agrária, pela retirada das tropas brasileiras do Haiti, para que acabe o fator previdenciário e por muitas bandeiras históricas ou recentes erguidas pelos lutadores sociais. Como é impossível negociar esse programa com qualquer dos candidatos que temos no 2º Turno, VOTO NULO! Mas como falei antes, respeito os que vão votar de outra forma, COAGIDOS pela aparente falta de opção. NENHUM VOTO EM SERRA!

Forte Abraço e Feliz 31 de outubro!


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eleições 2010: um balanço inicial!


Fui votar às 8h da manhã e passei 58 minutos na fila. Os idosos tiveram o Estatuto do Idoso rasgado pelo TRE, preferencial só com 65 anos e não 60 com diz a lei (ao menos entendo assim), estes sofreram bem mais que eu com as filas. Ainda antes de entrar no prédio, fui recebido por um candidato “Sujão” que arremessava os “santinhos” pela janela do seu “carro alegórico”, antes fossem “Rosas” como sugeria o nome do candidato da coligação de Cunha Lima. Na saída uma definição do que muitos chamam de Cidadania, uma senhora perguntou à outra se ela já havia votado e a resposta da colega diz muito: “já perdi o meu valor!”.

O descrédito de uma campanha chata e fria marcou uma eleição de projetos administrativos e sem o devido debate político, este feito por poucos candidatos majoritários e alguns proporcionais. O resultado disso, em nome do descrédito, é que o congresso ganha o reforço do Palhaço Tiririca para tentar fazer piada com o povo e ainda o de Romário para tentar driblar os trabalhadores, sem contar que quase o Netinho nos faz sambar.

Governadores reeleitos, essa é outra marca dessas eleições! Será o balanço positivo de governadores em todo Brasil? Ou seria o uso abusivo da máquina pública? Eu fico com a segunda opção, estando os votos sendo comprados pela legalidade dos parcos programas assistenciais ou assistencialistas.

Plínio de Arruda Sampaio consegue 881.432 votos e garante o debate político no 1º turno, trazendo temas importantes como Reforma Agrária e Auditoria na Dívida Pública. Agora, em todo o país, o 2º turno será uma eleição de promessas administrativas e a mesma política econômica, uns votarão e farão campanha pelo menos pior, outros contra alguém, e ainda existem os que farão campanha Contra o Pagamento da Dívida Externa e por Reforma Agrária! Por outro lado, o 2º turno é prova que os trabalhadores brasileiros estão prontos para resistir, colocam-se contra a reforma da previdência ou entrega da Petrobras preparada pelos governos do PSDB (Fernando Henrique/Serra) ou PT (Lula/Dilma).

No cenário institucional nacional, seguindo a resistência popular, o PSOL fez dois Senadores (Randolfe- AM e Marinor- PA) e manteve três Deputados Federais no Congresso Nacional. Nas Assembléias Estaduais foram reeleitos os Deputados Estaduais Marcelo Freixo (Lutando contra o narcotráfico no RJ) e Carlos Giannazi. Tivemos ainda a importante eleição da Companheira Janira Rocha e o Deputado Estadual mais bem votado no Pará, quase 20 mil do segundo lugar (contagem ainda em andamento). Não será fácil retirar direitos! Fincou-se a resistência!

Seria muito bom saber que o 00,00% de Cássio Cunha Lima é o resultado final, mas na real o judiciário deixou para depois a decisão do Senado na Paraíba, podendo assim decidir levando em conta a correlação de forças pós eleições em todo o país. Não sou mais tão inocente para acreditar na suposta Independência do Judiciário.

Ainda quanto aos Senadores da Paraíba, não poderíamos esperar mais que o resultado apresentado, vitória da máquina eleitoral. O que muitos não esperavam era que os candidatos do PSOL, Marcos Dias e Edgar Malagodi, rompessem a barreira dos 20 mil votos e garantisse um debate político no guia eleitoral e nos debates rádio e televisão, consolidando assim novas lideranças e alternativas políticas na Paraíba.

Quanto a Assembléia Legislativa da Paraíba, vai seguir a palhaçada de antes independente de quem ganhar, basta olhar a composição de, salvo engano, 20 (PMDB, PT, PSC, PR, PSL, PP, PTN e PT do B) para “Maranhão Roussef” e 16 (PSB, PSDB, DEM, PTN, PDT e PPS) para “Ricardo Cunha Lima”.

Nelson Júnior, candidato ao governo pelo PSOL, mesmo contra toda a máquina (pública e privada) garantiu o debate político nas eleições estaduais e obteve com muita dignidade e coerência política a marca de 12.459 votos, sendo o terceiro candidato mais votado, levando as eleições ao 2º turno e consolidando um trabalho aberto na campanha de Marcos Dias nas eleições para prefeito de João Pessoa. O PSOL consolida-se como ferramenta de luta na Paraíba! Triste é olhar para o 2º turno e não perceber diferença política entre “Ricardo Cunha Lima” e “Maranhão Rousseff”, apenas as administrativas obviamente. Admito minha alegria em saber que o PSOL está consolidado na Paraíba como alternativa política e que os trabalhadores buscam mudança.

Fico feliz ao saber que em Alagoas Collor não foi eleito, na Paraíba Efrain foi reprovado eleitoralmente, no Ceará Tasso Jereissati, em Pernambuco Jarbas Vasconcelos, entre tatos outros em todo Brasil. De outro lado vemos no topo das listas Bruno COVAS, Ana ARRAES, EFRAIN filho, RENAN Filho, Jaqueline RORIZ... Poderíamos escrever ainda bem mais que cinco parágrafos como nomes dos “filhotes de Rosimery”, mas acredito que já entenderam o recado!

Sempre acreditei que a eleição é um mecanismo importante, felizmente não é o único, assim como não é a mais eficaz para a classe trabalhadora. Saber da existência de outros mecanismos é o motivo para manter sólida a expectativa por mudança, só a luta muda a vida. Todo apoio aos/as lutador@s sociais que ainda resistem!

(Tárcio Teixeira)